Saiba como os testes genéticos auxiliam no diagnóstico

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As comemorações em família costumam envolver guloseimas, piqueniques e refeições especiais. Mas, quando os pequenos apresentam desconfortos gastrointestinais, lesões na pele ou sintomas respiratórios após consumir determinados alimentos, surge uma dúvida importante: como diferenciar alergia de intolerância alimentar?
Dados da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo mostram que os atendimentos de casos de alergias alimentares cresceram 46% de 2024 para 2025. A Sociedade Brasileira de Alergia e Imunologia estima que entre 6% e 8% das crianças de até 3 anos apresentam essa condição. Além disso, estudos epidemiológicos da instituição mostram que de 50% a 70% dos pacientes com alergia alimentar possuem histórico familiar desses episódios.
Segundo Lígia Machado, pediatra, alergista e imunologista do Alta Diagnósticos, marca premium da Dasa no Rio de Janeiro e em São Paulo, muitas vezes, sintomas como cólicas, diarreia, inchaço abdominal e erupções cutâneas levam os pais e responsáveis a retirarem diversos alimentos da dieta da criança por conta própria, o que pode ser prejudicial para o desenvolvimento infantil.
“A confusão entre alergia e intolerância alimentar é um dos principais motivos de diagnósticos equivocados e restrições nutricionais indevidas”, comenta.
Alergia e intolerância alimentar: quais são as diferenças?
A médica explica que a alergia alimentar envolve diretamente o sistema imunológico da criança. “Quando o organismo reconhece como ameaça as proteínas de determinados alimentos como o leite de vaca, o ovo, o amendoim ou o trigo, desencadeia uma resposta imune que pode causar reações cutâneas, manifestações gastrointestinais intensas e até quadros respiratórios severos, como a anafilaxia”, detalha Lígia Machado.
Já a intolerância alimentar, como a intolerância à lactose, costuma ter origem metabólica ou genética, relacionada com deficiência enzimática ou marcadores genéticos específicos.
“Quando há alguma intolerância, a reação ocorre por uma dificuldade do aparelho digestivo de processar ou absorver um componente alimentar específico, frequentemente decorrente da deficiência ou ausência de uma enzima, como ocorre na intolerância à lactose. Enquanto na alergia pequenos traços do alimento podem desencadear uma reação imediata, na intolerância, os sintomas costumam ser dose-dependentes e mais restritos ao trato gastrointestinal, causando desconforto, gases e distensão abdominal”, afirma a pediatra.
O que a genética pode revelar?
De acordo com Gustavo Guida, geneticista da Dasa Genômica e do laboratório Sérgio Franco, no Rio de Janeiro, testes genéticos focados em painéis moleculares – a exemplo do Painel Genético para Intolerância à Lactose (5 mutações nos genes LCT e MCM6) e do rastreio da doença celíaca por meio da genotipagem dos alelos HLA-DQ2 e HLA-DQ8 – permitem investigar marcadores hereditários com um simples exame de sangue ou swab oral, complementando a avaliação clínica.
Ele destaca como o mapeamento genético traz assertividade à conduta pediátrica: “O diagnóstico em crianças nem sempre é simples, pois os sintomas imunoalérgicos e metabólicos frequentemente se sobrepõem. A genômica, portanto, é capaz de dizer se a criança carrega variantes associadas à deficiência congênita ou primária de lactase ou aos alelos da doença celíaca. Assim, contribuímos com o pediatra oferecendo dados objetivos e evitando que a família submeta o filho a dietas de restrição severas e desnecessárias durante uma fase importante do crescimento.”
O geneticista complementa que o histórico familiar é um forte indicativo para a testagem, o que permite maior previsibilidade para os responsáveis: “Saber precocemente como o organismo da criança está programado para processar determinados nutrientes permite à família se organizar e traçar um plano nutricional personalizado e seguro”.
Reforço da imunidade na infância
Além dos cuidados com a alimentação e o acompanhamento de eventuais reações, a proteção da saúde infantil passa pela prevenção de doenças por meio da imunização em dia. Manter o calendário de vacinação atualizado, com destaque para vacinas fundamentais na infância, como a pentavalente, a contra a poliomielite, a pneumocócica, a meningocócica e a tríplice viral, é uma das formas mais eficazes de fortalecer as defesas naturais dos pequenos contra agentes patogênicos graves.
O Dr. Alberto Chebabo, infectologista do laboratório Bronstein, no Rio de Janeiro, ressalta a relevância desse cuidado preventivo. “A vacinação permite ensinar o sistema imunológico da criança a se defender de maneira segura contra infecções, prevenindo surtos e garantindo um desenvolvimento saudável e protegido durante os primeiros anos de vida.”
Fonte:
Dra. Lígia Machado, pediatra, alergista e imunologista do Alta Diagnósticos, marca premium da Dasa no Rio de Janeiro e em São Paulo
Dr. Gustavo Guida, geneticista da Dasa Genômica e do laboratório Sérgio Franco, no Rio de Janeiro
Dr. Alberto Chebabo, infectologista do laboratório Bronstein, no Rio de Janeiro

