Bruna Biancardi é a prova viva que sim. Influenciadora, que convive com a síndrome dos ovários policísticos, está grávida da terceira filha e ajuda a desmistificar uma das maiores dúvidas sobre fertilidade feminina.

A nova gravidez de Bruna Biancardi tem chamado atenção não apenas por marcar a chegada de mais uma filha, mas também por reacender uma dúvida comum entre milhares de mulheres que convivem com a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP): afinal, é possível engravidar mesmo tendo ovário policístico?
A resposta é sim. E a própria história da influenciadora ajuda a derrubar um dos principais mitos sobre a condição.
Bruna já revelou publicamente que convive com a síndrome dos ovários policísticos e que utilizou anticoncepcional por muitos anos para controlar os sintomas relacionados ao desequilíbrio hormonal. Ela também contou que tinha receio de enfrentar dificuldades para engravidar, mas acabou sendo surpreendida ao conseguir a primeira gestação logo no primeiro mês de tentativas. Agora, à espera da terceira filha, sua trajetória reforça que o diagnóstico não representa uma sentença de infertilidade.
A Síndrome dos Ovários Policísticos é um distúrbio hormonal que afeta milhões de mulheres em idade reprodutiva. Entre os sintomas mais comuns estão irregularidade menstrual, acne, aumento de pelos corporais, dificuldade para perder peso e alterações ovulatórias.
Segundo o ginecologista e obstetra Dr. César Patez, a maior dificuldade para engravidar está relacionada justamente às alterações na ovulação, mas isso não significa que a gestação seja impossível.
“Muitas mulheres recebem o diagnóstico e acreditam que nunca conseguirão engravidar, o que não é verdade. A síndrome pode dificultar a ovulação em alguns casos, mas grande parte das pacientes consegue engravidar naturalmente ou com auxílio de tratamentos adequados. O mais importante é realizar acompanhamento médico para entender como a condição se manifesta em cada organismo”, explica.
O especialista destaca que a SOP possui diferentes graus de intensidade e que nem todas as mulheres apresentam comprometimento da fertilidade.
“Existem pacientes com ovário policístico que ovulam regularmente e engravidam sem qualquer dificuldade. Outras podem apresentar ciclos mais irregulares e precisar de estratégias para estimular a ovulação. Por isso, não existe uma regra única para todas as mulheres”, afirma Dr. César Patez.
A ginecologista Dra. Bruna Begossi explica que as alterações ovulatórias associadas à síndrome estão entre as causas mais frequentes de dificuldade para engravidar, mas reforça a importância do diagnóstico precoce.
“Muitas mulheres têm ciclos menstruais irregulares e não percebem que podem existir alterações ovulatórias interferindo na fertilidade. Quanto antes houver avaliação, maiores costumam ser as possibilidades de tratamento”, afirma.
Segundo a médica, o acompanhamento adequado permite não apenas controlar os sintomas da síndrome, mas também planejar a gestação de forma mais segura.
“O controle hormonal, a avaliação da ovulação e o planejamento reprodutivo ajudam a aumentar as chances de gravidez e permitem que a paciente tenha uma abordagem individualizada para alcançar seus objetivos”, explica Dra. Bruna Begossi.
Além da fertilidade, especialistas alertam que a síndrome dos ovários policísticos também pode estar associada a resistência à insulina, aumento do risco cardiovascular e alterações metabólicas, tornando o acompanhamento ginecológico fundamental mesmo para mulheres que não desejam engravidar.
Para Dr. César Patez, casos como o de Bruna Biancardi ajudam a combater o medo e a desinformação que ainda cercam o diagnóstico.
“A síndrome dos ovários policísticos exige atenção, mas não deve ser encarada como uma barreira definitiva para a maternidade. Hoje dispomos de recursos diagnósticos e terapêuticos que permitem acompanhar essas pacientes de forma muito eficiente. O mais importante é buscar orientação médica e evitar conclusões precipitadas após receber o diagnóstico”, conclui.
A história de Bruna mostra que, embora a SOP possa representar um desafio para algumas mulheres, ela está longe de impedir o sonho da maternidade. Com acompanhamento adequado e tratamento individualizado quando necessário, muitas pacientes conseguem engravidar e formar suas famílias normalmente.
Fontes:
Ginecologista e obstetra Dr. César Patez
Ginecologista Dra. Bruna Begossi

