Sociedade Brasileira de Dermatologia alerta sobre evolução nas terapias disponíveis para casos graves da doença

Este mês é marcado pelo Dia Mundial da Psoríase, celebrado em 29 de outubro, e a Sociedade Brasileira de Dermatologia destaca os avanços nos tratamentos para as formas mais graves da doença. A Psoríase pode apresentar diferentes manifestações na pele, nas unhas e nas articulações. Entre os sinais estão manchas vermelhas com escamas secas esbranquiçadas ou prateadas, pele ressecada e rachada, além de coceira, queimação e dor.
Nas unhas, a doença pode provocar espessamento, descolamento, coloração amarelada e alterações na forma, como sulcos e depressões. Já o comprometimento das articulações pode causar inchaço, dor e rigidez e, nos casos mais graves, destruição das articulações e deformidades.
Em casos de Psoríase leve pode haver apenas um desconforto por causa das lesões da pele, mas nos casos mais graves, pode provocar alterações que impactam significativamente a qualidade de vida e a autoestima do paciente, portanto, o ideal é procurar o seu médico dermatologista o quanto antes.
“Nos últimos 20 anos, houve uma transformação importante nas opções disponíveis para o controle da doença, especialmente nos casos que atingem mais de 10% da superfície corporal ou áreas consideradas especiais, como couro cabeludo, unhas e regiões genitais”, afirma o Dr. Ricardo Romiti, médico dermatologista da SBD.
De acordo com o especialista, no passado, entre as alternativas utilizadas para os casos mais graves estavam a fototerapia e os tratamentos imunossupressores. Embora essas opções pudessem proporcionar regressão parcial ou até total das placas de Psoríase, havia preocupações relacionadas aos efeitos colaterais, incluindo o risco de infecções e o comprometimento de órgãos como o fígado.
Entre os tratamentos mais recentes estão os imunobiológicos, medicamentos que podem ser administrados por via subcutânea ou endovenosa e atuam bloqueando especificamente a cascata inflamatória da Psoríase. “São medicações que agem de uma forma muito rápida e eficaz e permitem o controle a longo prazo da inflamação”, explica o especialista.
Dr. Ricardo destaca ainda que muitos desses medicamentos não atuam apenas sobre a inflamação da pele, mas também podem melhorar a inflamação articular associada à doença, conhecida como artrite psoriásica.
Apesar dos grandes avanços, os tratamentos imunobiológicos também apresentam algumas limitações. Segundo o médico, a necessidade de refrigeração pode dificultar o acesso em regiões mais distantes do Brasil.
Além disso, as aplicações podem representar uma dificuldade para pessoas que têm medo de agulhas ou injeções, já que a frequência varia de acordo com o tipo de medicamento e, em alguns casos, pode chegar a aplicações semanais.
O especialista ressalta também que cada classe de medicamento apresenta um perfil específico de segurança, com possíveis riscos relacionados a determinadas infecções e outras alterações. “Os medicamentos mais modernos têm um perfil de segurança muito satisfatório”, afirma.
Outra opção mais recente são as chamadas pequenas moléculas. Diferente dos imunobiológicos, esses medicamentos apresentam uma estrutura menos complexa e podem ser administrados por via oral. Segundo Dr. Romiti, existem, fora do Brasil, outras opções inovadoras que podem ser aplicadas na forma de cremes e pomada e que muito em breve também devem chegar ao mercado brasileiro.
Uma das vantagens é que esses medicamentos não precisam de refrigeração e podem ser manuseados com facilidade pelo paciente. Por outro lado, a eficácia pode ser, em alguns casos, menor do que a dos imunobiológicos, além da necessidade de tomar ou aplicar o medicamento diariamente.
“Não existe um tratamento de primeira linha, quando a gente fala da decisão entre biológicos ou pequenas moléculas. O melhor tratamento, na verdade, é aquele que vai ser escolhido de comum acordo entre o médico e o seu paciente, levando em consideração todos esses critérios”, destaca.
O custo também é um fator considerado na escolha. De acordo com Romiti, os medicamentos biológicos costumam ter um custo maior do que as pequenas moléculas, mas a chegada dos biossimilares, medicamentos semelhantes aos biológicos, contribuiu para a redução de custos.
No Sistema Único de Saúde (SUS), segundo o especialista, estão disponíveis, além dos tratamentos convencionais, uma série de tratamentos imunobiológicos. As pequenas moléculas ainda não estão disponíveis para Psoríase. Já no sistema privado, os biológicos normalmente têm aprovação quando corretamente indicados, e em alguns casos, as pequenas moléculas também podem ser liberadas.
Para saber mais sobre a saúde da pele, cabelos e unhas, acesse as redes sociais @dermatologiasbd e o site www.sbd.org.br. Informe-se e encontre um dermatologista associado à SBD em sua região.
Fonte: Dr. Ricardo Romiti, médico dermatologista da SBD

