É possível ser soropositivo e gerar um bebê com segurança

Nos dias de hoje, estima-se que aproximadamente 920 mil brasileiros vivem com o HIV e, felizmente, este é um número em queda no Brasil, segundo dados, do Ministério da Saúde. Outra boa notícia é que, graças aos avanços da ciência, muitas dessas pessoas seguem no dia a dia com bastante qualidade de vida, inclusive, realizando o sonho de ter filhos biológicos. 

Com o devido acompanhamento médico e o uso de procedimentos e medicamentos certos, a concepção de um bebê, por meio de homem, mulher ou casal soropositivo, pode acontecer com extrema segurança para a criança.

Para evitar todas as possibilidades de que o vírus de um ou dos dois parceiros seja transmitido para a criança, recomenda-se – dependendo do caso – a inseminação intrauterina ou fertilização in-vitro (FIV), pela qual o óvulo da mulher é coletado para ser inseminado artificialmente em laboratório especializado, antes de retornar ao útero para a gestação. Neste processo, é preciso considerar algumas questões:

Quando o homem é soropositivo

Antes da inseminação, é necessário realizar a lavagem seminal. Na prática, esse procedimento consiste em coletar o sêmen de um homem soropositivo e colocá-lo em uma centrífuga que separa os sêmens contaminados com HIV dos livres do vírus. Após essa triagem, os sêmens são preparados para serem inseminados na mulher por meio da FIV, em caso de mulheres soropositivas, e inseminação intrauterina, quando a mulher está livre de vírus.

Quando a mulher é soropositiva

Nesse caso, o primeiro passo é realizar uma avaliação da saúde da mulher para verificar a extensão da carga viral. Dessa forma, verifica-se se a mulher está saudável e apta a reproduzir. Caso confirme-se que a gestação é viável, coleta-se o sêmen do homem para a realização da inseminação, com o cuidado de realizar a lavagem seminal no caso de homens soropositivos. Para garantir que o bebê não seja infectado, é recomendado evitar tanto o parto natural quanto a amamentação.

Durante toda a gestação é fundamental que haja o acompanhamento clínico do desenvolvimento da gravidez e da saúde do casal e do bebê. Sugiro também que, depois do nascimento do filho, as equipes médicas acompanhem a família por, pelo menos, 10 anos, verificando o desenvolvimento do filho e de sua saúde de maneira geral.

Dra. Paula Fettback

Médica ginecologista doutora pela Faculdade de Medicina da USP e especialista em infertilidade de alta complexidade

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