Fevereiro Laranja – Mês de Conscientização sobre a leucemia

Leucemia linfoide aguda é o tipo de câncer mais comum na faixa etária pediátrica

Estamos no Fevereiro Laranja, mês de conscientização sobre a leucemia. A previsão do Instituto Nacional de Câncer (INCA) é de que, em 2022, o Brasil registre mais de 10 mil novos casos, sendo o número de mortes maior de 7 mil.

Dentre os tipos de leucemia temos a leucemia linfoide aguda (LLA), mais comum em crianças (80% dos casos). Esse é um tipo câncer causado por uma mutação do linfócito, célula responsável pela defesa do corpo, que tem rápida progressão. 

Um dos principais desafios dessa doença em especial é o diagnóstico, uma vez que a maioria dos sintomas são comuns a outras doenças pediátricas. “A LLA não tem um sintoma específico de alerta. São uma série de sintomas que exigem um olhar atento do profissional para que seja identificada”, descreve o onco-hematologista pediatra Tiago Hessel Tormen, do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Hospital Mackenzie. 

Segundo Tormen, os sintomas gerais como febre, dor nas pernas, palidez e hematomas pelo corpo são comuns entre crianças e, muitas vezes, os pais sequer levam ao médico por conta deles. “Quando chegam ao médico, a avaliação laboratorial e encaminhamento ao especialista podem demorar. Em 96% das crianças, entretanto, a leucemia é aguda e de rápida evolução. Uma semana faz toda diferença”. alerta o especialista. “Nesse tempo de espera, o paciente pode ser acometido por uma infecção oportunista que agrava o quadro, por exemplo”, acrescenta.

Dentre os sinais de alerta que podem aparecer estão, gânglios linfáticos inchados sem dor, principalmente no pescoço e axilas, febre, suores noturnos, perda de peso sem motivo aparente, desconforto abdominal, dores nos ossos e articulações. Em alguns casos a criança também pode apresentar dores de cabeça, náuseas, vômitos, visão dupla e desorientação.

Hoje, no Brasil, as chances de cura da LLA giram em torno de 70%. “Muitas vezes os pacientes já chegam ao especialista em condições clínicas menos favoráveis, predispostos a mais complicações. Isso leva a um alto índice de mortalidade no começo do tratamento, que hoje é de 6%, quando o tolerável seria 1,8%. E ainda perdemos crianças com a doença controlada, em remissão. Na grande maioria das vezes isso acontece por conta de complicações, como infecções”, descreve a hematologista pediátrica Maria Lucia de Martino Lee, coordenadora do Serviço de Hematologia Pediátrica do Hospital A Beneficência Portuguesa de São Paulo. 

Tratamento

O tratamento da LLA é longo, com duração média de 2 anos, sendo os primeiros seis meses, geralmente, os mais agressivos. “Cada caso é avaliado separadamente, mas, em geral, crianças respondem bem a quimioterapia aliada ao uso de medicamentos fundamentais na cura da doença, como por exemplo, a asparaginase peguilada”, destaca Maria Lucia de Martino Lee. 

A hematologista comenta que a introdução da enzima asparaginase nos tratamentos de LLA causou um enorme impacto positivo nas curvas de cura da doença, que passaram de 50% para 70%. “Essa enzima é capaz de reduzir a produção asparagina, substância necessária para o desenvolvimento das células cancerígenas”, esclarece. Quando começou a ser usada, porém, a asparaginase causava reações de hipersensibilidade (alergias) em até 30% dos pacientes, impossibilitando a continuação da droga. “Com o intuito de minimizar esse efeito adverso deletério e crítico para o sucesso do tratamento, na década de 90 foi desenvolvida a asparaginase peguilada, que constitui da conjugação à molécula original da asparaginase, derivada da E.coli, ao polietileno glicol”, acrescenta Maria Lucia.

Para a especialista, antes de focar em qualquer avanço no tratamento da LLA no Brasil, é preciso primeiro aplicar o tratamento convencional com qualidade pois ele, por si só, já pode nos tirar do patamar de estagnação e garantir a vida de muitos pacientes. “Terapias novas, imunoterapia, como as Car-T cells, ou mesmo outros imunoterápicos, são bem-vindos. Mas a realidade é que ambos estão indicados para um grupo de pacientes muito específico e relativamente pequeno. No Brasil, ainda temos muito para progredir com a correta aplicação e acompanhamento dos tratamentos convencionais”, destaca.

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