Exames de alta precisão ajudam a identificar chance de parto prematuro antes dos sintomas

Testes que detectam a presença de proteínas específicas fora do útero auxiliam médicos a prever a ruptura da bolsa e a proximidade do parto, permitindo cuidados essenciais para a saúde da mãe e do bebê.
O parto prematuro é a principal causa de mortalidade infantil no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 15 milhões de crianças nascem antes do tempo todos os anos, mas, ao contrário do que se acredita, essas ocorrências nem sempre começam com contrações evidentes. Tal cenário, portanto, exige que a medicina atue de forma preventiva, utilizando exames que conseguem identificar mudanças biológicas no corpo antes mesmo que o trabalho de parto se torne perceptível para a gestante.
O nascimento pré-termo — aquele que ocorre antes das 37 semanas — pode ser desencadeado por infecções, condições de saúde da mãe ou alterações uterinas, mas o processo costuma ser silencioso em suas fases iniciais. Isso ocorre porque as alterações químicas que preparam o organismo para o parto podem começar dias ou semanas antes das manifestações físicas tradicionais, como a dor ou a perda de líquido em grande volume.
“A grande inovação desses exames é a capacidade de oferecer uma resposta objetiva em um momento de incerteza. Muitas vezes, a gestante não apresenta sintomas clássicos, mas os marcadores biológicos já indicam que o corpo iniciou o processo de parto. Identificar isso precocemente é o que nos permite mudar o desfecho daquela gestação”, explica Raphael Oliveira, Gerente de Diagnósticos Moleculares da QIAGEN na América Latina.
Além disso, diferentes testes atendem a necessidades clínicas específicas ao longo da jornada gestacional. Enquanto alguns são voltados para a confirmação da ruptura das membranas, outros auxiliam na avaliação do risco de parto prematuro iminente, mesmo na ausência de sinais clínicos evidentes.
Assertividade na confirmação da ruptura da bolsa
Um dos dilemas mais frequentes no pronto-atendimento obstétrico é confirmar se houve, de fato, o rompimento da bolsa. Em muitos casos, o volume de líquido perdido é pequeno ou pode ser confundido com outras secreções naturais da gravidez.
Atualmente, testes rápidos de alta sensibilidade ajudam a sanar essa dúvida em poucos minutos ao detectar, fora da cavidade uterina, a presença de proteínas que só existem no líquido amniótico. Se o teste for positivo, a equipe médica tem a confirmação da ruptura prematura das membranas, mesmo que ela não seja visível no exame clínico comum.
Para Oliveira, a precisão desses testes é fundamental para a gestão dos recursos hospitalares e o bem-estar da paciente. “A assertividade diagnóstica evita dois problemas graves: o envio de uma gestante em risco para casa por falta de evidências clínicas e a internação desnecessária de mulheres que não estão em trabalho de parto, o que reduz o estresse da família e a sobrecarga do sistema de saúde.”
Avaliação do risco de parto prematuro iminente
Além da confirmação da ruptura da bolsa, há também exames capazes de avaliar o risco de parto prematuro em curto prazo em gestantes com sintomas sugestivos. Alguns testes permitem identificar biomarcadores associados ao início do trabalho de parto, auxiliando na estratificação de risco e na tomada de decisão clínica, especialmente em casos em que ainda há incerteza diagnóstica.
Essa diferenciação é essencial para orientar a conduta médica, evitando intervenções desnecessárias e garantindo atenção adequada às pacientes que realmente apresentam risco elevado de parto iminente.
Ganho de tempo para o suporte neonatal
Ainda de acordo com o especialista da QIAGEN, a principal vantagem de prever o risco de nascimento antecipado é o ganho de tempo. Ao confirmar que um parto pode ocorrer em curto prazo — seja pela identificação da ruptura das membranas ou pela detecção de biomarcadores associados ao início do trabalho de parto — o médico ganha uma janela de oportunidade para iniciar protocolos de cuidados essenciais, como o uso de medicações que auxiliam no amadurecimento dos pulmões e na proteção neurológica do bebê ainda no útero.
Além disso, permite que a gestante seja encaminhada a centros de saúde com suporte de UTI neonatal adequado. “O foco total é na segurança do paciente. Quando a tecnologia nos dá um diagnóstico rápido, ela permite que o médico tome decisões baseadas em dados concretos, garantindo que o bebê nasça no ambiente mais seguro possível e com todo o suporte necessário para enfrentar a prematuridade”, conclui Raphael Oliveira.
Ao unir a tecnologia diagnóstica ao acompanhamento pré-natal, a obstetrícia brasileira avança para um modelo de prevenção baseado em evidências, transformando a incerteza em uma conduta médica planejada e protetiva.
Fonte: Raphael Oliveira, Gerente de Diagnósticos Moleculares da QIAGEN na América Latina.

