Isabelle Nogueira revela baixa reserva ovariana durante congelamento de óvulos: “Estou no limite”

Créditos: Isabelle Nogueira / Divulgação
Aos 33 anos, ex-BBB iniciou a estimulação ovariana e chamou atenção para a importância de avaliar a fertilidade antes dos 35; especialista explica o impacto da idade e os limites do procedimento
A ex-BBB Isabelle Nogueira, de 33 anos, revelou que iniciou o processo de congelamento de óvulos após descobrir que possui baixa reserva ovariana. Nas redes sociais, a dançarina contou que está utilizando três medicamentos durante a estimulação dos ovários e desabafou sobre as mudanças físicas e emocionais provocadas pelo tratamento.
“É uma bomba de hormônios para chegar aonde a gente quer, ainda mais no meu caso. Estou tomando três medicamentos porque minha reserva é muito baixa. Estou no limite para fazer esse protocolo”, afirmou Isabelle.
A ex-Cunhã-Poranga do Boi Garantido também relatou inchaço, retenção de líquidos e maior sensibilidade durante o tratamento. Ao falar sobre a decisão, reconheceu que adiou os cuidados com a fertilidade por acreditar que, por ser jovem e saudável, ainda teria bastante tempo para engravidar.
“Acabei acreditando que poderia deixar algumas coisas para depois. Sempre tinha algo para resolver, corria contra o tempo e acabava me deixando em segundo plano”, desabafou.
Segundo o ginecologista e especialista em reprodução humana Dr. Alfonso Massaguer, o caso ajuda a esclarecer uma dúvida frequente entre as mulheres: ser jovem e aparentemente saudável não significa necessariamente possuir uma reserva ovariana adequada.
“A reserva ovariana representa, principalmente, a quantidade estimada de óvulos disponíveis. Ela pode variar muito entre mulheres da mesma idade e, em alguns casos, diminuir de maneira silenciosa. Por isso, uma avaliação precoce pode fazer diferença no planejamento reprodutivo”, explica.
Baixa reserva ovariana não significa infertilidade
A reserva ovariana pode ser investigada por meio de exames como o hormônio antimülleriano, conhecido como AMH, e a contagem de folículos antrais realizada por ultrassonografia. Os resultados devem ser analisados em conjunto com a idade, o histórico clínico e os planos de maternidade de cada paciente.
O especialista ressalta que uma reserva baixa não significa infertilidade ou impossibilidade de engravidar. Entretanto, pode indicar uma resposta menor à estimulação hormonal e a necessidade de mais de um ciclo para reunir uma quantidade adequada de óvulos.
“É importante diferenciar quantidade de qualidade. Uma mulher pode ter poucos óvulos e ainda apresentar óvulos com potencial reprodutivo. A idade continua sendo um dos fatores mais relevantes para a qualidade, enquanto a reserva ajuda a estimar como os ovários poderão responder ao tratamento”, esclarece Dr. Alfonso.
Como funciona o congelamento de óvulos?
O procedimento começa com a estimulação ovariana, realizada por meio de medicamentos hormonais durante aproximadamente dez a 14 dias. Nesse período, a paciente passa por acompanhamento com ultrassonografias e exames de sangue.
Quando os folículos atingem o desenvolvimento esperado, os óvulos são coletados por uma punção realizada sob sedação. Em seguida, os óvulos maduros são submetidos à vitrificação, técnica de congelamento ultrarrápido, e armazenados em nitrogênio líquido.
“Com a vitrificação, as taxas de sobrevivência dos óvulos após o descongelamento podem superar 90% em centros especializados. Isso representa um avanço muito importante, mas o congelamento não deve ser apresentado como garantia de gravidez futura”, alerta o médico.
As chances dependem de fatores como idade no momento da coleta, quantidade e maturidade dos óvulos congelados, qualidade do laboratório e condições clínicas da paciente.
Idade influencia a decisão
Embora não exista uma idade única que sirva para todas as mulheres, a orientação é que o planejamento seja discutido preferencialmente antes dos 35 anos, período em que, em média, há maior quantidade e qualidade dos óvulos.
“O ideal é que essa conversa aconteça antes de a mulher sentir que está correndo contra o tempo. Mesmo quando ela não pretende engravidar naquele momento, conhecer sua reserva ovariana permite tomar decisões mais conscientes”, orienta Dr. Alfonso.
Mulheres acima dos 35 anos também podem se beneficiar do procedimento, mas precisam passar por uma avaliação individualizada. Dependendo da reserva ovariana e da resposta ao tratamento, pode ser necessária a realização de mais de um ciclo.
Na prática, o congelamento tem sido procurado por mulheres que desejam priorizar a carreira, ainda não encontraram um parceiro, não se sentem prontas para a maternidade ou enfrentam condições que podem comprometer a fertilidade, como endometriose, cirurgias ovarianas e tratamentos oncológicos.
Ao compartilhar sua experiência, Isabelle transformou uma decisão pessoal em um alerta para outras mulheres.
“Minha reserva ovariana é baixa e existe a possibilidade de eu precisar passar por esse processo novamente. Se puder deixar um aprendizado: não adie nenhum ato de amor-próprio e não se anule por nada, nem por ninguém”, declarou.
Para Dr. Alfonso, falar publicamente sobre o tema ajuda a ampliar o acesso à informação e a reduzir a ideia de que o planejamento reprodutivo precisa começar apenas quando surge o desejo imediato de engravidar.
“O congelamento de óvulos não interrompe o relógio biológico e não oferece certezas. O que ele proporciona é a possibilidade de preservar óvulos com a idade que a mulher possui no momento da coleta. Mais do que um procedimento, é uma ferramenta de autonomia e planejamento”, conclui.
Fonte: Dr. Alfonso Massaguer – CRM 97.335 / RQE 42794 – É Médico pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Ginecologista e Obstetra pelo Hospital das Clínicas e atua em Reprodução Humana há 20 anos. O Dr. Alfonso é diretor clínico da MÃE (Medicina de Atendimento Especializado) especializada em reprodução assistida. Foi professor responsável pelo curso de reprodução humana da FMU por 6 anos.

