Mitos e Verdades sobre Amamentação e Volta ao Trabalho

Especialistas esclarecem dúvidas sobre leite materno, alimentação da mãe, ordenha e estratégias para manter a amamentação após o retorno ao trabalho

Fonte: Magnific

A amamentação é uma das formas mais eficazes de promover a saúde da mãe e do bebê. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de vida e complementado até os dois anos ou mais. Apesar disso, mitos sobre alimentação, produção de leite e emagrecimento ainda geram insegurança e podem contribuir para o desmame precoce.

Em apoio ao Agosto Dourado, campanha de incentivo ao aleitamento materno, especialistas da Perinatal (RJ) e da Maternidade Star (SP), da Rede D’Or, esclarecem dúvidas frequentes e compartilham orientações para superar os desafios mais comuns da amamentação.

Mitos e verdades

Benefícios para o bebê e para a mãe — VERDADE

O leite materno fornece todos os nutrientes necessários nos primeiros seis meses de vida, fortalece a imunidade do bebê e reduz o risco de infecções, alergias e obesidade. Para a mãe, favorece a recuperação pós-parto e está associado à redução do risco de câncer de mama e ovário, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. “Amamentar é um investimento na saúde da mãe e do bebê, com benefícios que permanecem por toda a vida”, afirma Maurizio Pellitteri, diretor-geral da Perinatal, referência em saúde materno-infantil no Rio de Janeiro.

Café, feijão e chocolate causam cólica no bebê? — MITO

Não há evidências de que alimentos que provocam gases na mãe causem cólicas no bebê por meio do leite materno. A cafeína deve ser consumida com moderação, e restrições alimentares só devem ser feitas quando houver suspeita de alergia ou intolerância, sempre com orientação médica.

A alimentação da mãe interfere na qualidade do leite? — VERDADE, COM RESSALVAS

Mesmo quando a alimentação materna não é ideal, o organismo preserva a composição nutricional do leite. Ainda assim, manter uma dieta equilibrada é importante para a saúde da mulher.

Dietas restritivas são indicadas durante a amamentação? — MITO

A recomendação é manter uma alimentação variada, boa hidratação e evitar bebidas alcoólicas. Medicamentos devem ser utilizados apenas com orientação médica.

Existem situações em que a amamentação não é recomendada? — VERDADE, EM CASOS ESPECÍFICOS

Há contraindicações específicas, como mães vivendo com HIV sem tratamento adequado. Alguns medicamentos também podem ser incompatíveis com o aleitamento, embora sejam situações raras. Cada caso deve ser avaliado pela equipe médica.

Amamentar ajuda a emagrecer? — VERDADE, MAS NÃO É REGRA

A produção de leite eleva o gasto energético e pode contribuir para a perda gradual de peso, mas esse processo varia de mulher para mulher. “A amamentação pode contribuir para o emagrecimento, mas o foco deve ser a recuperação da mãe e a nutrição adequada do bebê”, ressalta Pellitteri.

“Leite fraco” existe? — MITO

“Não existe leite fraco. O choro do bebê nem sempre significa fome, é uma forma de comunicação”, destaca a enfermeira obstetra Márcia Regina da Silva, especialista em aleitamento materno da Maternidade Star. O ideal é oferecer o peito em livre demanda e acompanhar o ganho de peso e o desenvolvimento da criança.

Rede de apoio faz diferença — VERDADE

O sucesso da amamentação também depende do apoio da família. Ajudar nas tarefas da casa, incentivar o descanso da mãe e oferecer suporte emocional favorecem a continuidade do aleitamento.

Dor intensa na amamentação é normal — MITO

“É comum haver sensibilidade nos primeiros dias, mas dor intensa, fissuras ou piora progressiva exigem avaliação profissional”, orienta Márcia Regina.

Desafios dos primeiros dias

A especialista da Maternidade Star, localizada em São Paulo e referência em cuidado materno-infantil de alta complexidade, explica que a amamentação é um aprendizado para mãe e bebê. Segundo ela, mamadas frequentes e com pega adequada ajudam a melhorar a sucção e a prevenir fissuras e ingurgitamento mamário.

Dicas práticas:

• esperar o bebê abrir bem a boca antes da pega;

• manter cabeça e corpo alinhados;

• se houver dor, interromper a sucção e reposicionar o bebê;

• evitar chupetas e mamadeiras nos primeiros meses.

Como manter a amamentação após a volta ao trabalho

Com planejamento, é possível manter o aleitamento materno mesmo após o retorno ao trabalho. A orientação é iniciar a ordenha cerca de um mês antes para formar um pequeno estoque de leite e, nas semanas que antecedem a volta, oferecer o leite ordenhado em copo ou colher para adaptação do bebê.

Depois do retorno às atividades profissionais, manter ordenhas regulares durante o expediente e seguir as recomendações de armazenamento ajuda a preservar a amamentação. “A ordenha permite que muitas mulheres continuem amamentando após o retorno ao trabalho. Informação e apoio são fundamentais para que esse processo seja bem-sucedido”, afirma Maurizio Pellitteri.

Fontes:

Maurizio Pellitteri, diretor-geral da Perinatal, referência em saúde materno-infantil no Rio de Janeiro.

Enfermeira obstetra Márcia Regina da Silva, especialista em aleitamento materno da Maternidade Star.

Rede D’Or – Maior empresa de saúde da América Latina, com presença em 13 estados brasileiros e no Distrito Federal, a Rede D’Or tem foco em atendimento humanizado, qualificação da equipe, adoção de novas tecnologias, sendo referência em gestão hospitalar e na prestação de serviços médicos. 

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