Especialista em reprodução humana ressalta que complicações graves relacionadas à coleta de óvulos são extremamente raras, com risco de morte variando de 0,001% a 0,0002%

Juíza
Morte de paciente após coleta de óvulos: médico reforça segurança e explica riscos do procedimento
Embora a morte da juíza Mariana Francisco Ferreira, na última quarta-feira (06), devido a complicações após passar por uma coleta de óvulos, tenha levantado dúvidas sobre a segurança do procedimento, o especialista em reprodução humana Dr. Rodrigo Rosa, diretor clínico da clínica Mater Prime, em São Paulo, explica que os riscos são extremamente baixos. “A mortalidade relacionada ao tratamento de Fertilização In Vitro (FIV), especialmente durante a coleta de óvulos, a punção ovariana, é extremamente rara. Os estudos mais robustos e os registros internacionais estimam que o risco fique entre um óbito para cada 100 mil a 500 mil ciclos, ou até menos em centros modernos e bem estruturados. Em termos percentuais, isso corresponde a algo próximo de 0,001% a 0,0002%. Ou seja, o risco é comparável ou até menor do que muitos procedimentos médicos ambulatoriais realizados rotineiramente sob sedação”, explica o Dr. Rodrigo Rosa, especialista em reprodução humana e diretor clínico da clínica Mater Prime, em São Paulo.
Segundo o médico, a coleta de óvulos é um procedimento extremamente seguro, mas, como em qualquer procedimento médico, existem riscos, ainda que baixos. “As causas das complicações graves e potencialmente fatais são geralmente relacionadas a complicações anestésicas extremamente raras, como choque anafilático, hemorragia intra-abdominal grave, infecção severa, eventos de tromboembolismo e formas graves da síndrome do hiperestímulo ovariano”, diz o Dr. Rodrigo. Ele explica que a síndrome do hiperestímulo ovariano grave é, hoje, a principal complicação potencialmente séria da FIV. “Mas sua incidência caiu drasticamente com os protocolos mais modernos e atualmente ocorre em menos de 1% dos casos, sendo leve na grande maioria das vezes”, ressalta.
A coleta de óvulos é feita sob sedação anestésica leve com uma agulha guiada por ultrassom transvaginal, durando cerca de 15 a 30 minutos. “Durante o procedimento, a paciente é monitorada o tempo inteiro. Ela vai para recuperação pós-anestésica e para a suíte quando já está plenamente consciente e é liberada em cerca de uma hora e meia, duas horas após o procedimento, já bem acordada, pós-desjejum. Ela sai andando plenamente, consciente e sem nenhum risco. No dia, orientamos repouso leve devido à sedação, além de repouso de atividade física e relação sexual por cerca de três a sete dias, dependendo da resposta do estímulo ovariano”, diz o Dr. Rodrigo. Após o procedimento, sintomas como desconforto ou cólica leve podem surgir, dependendo do número de folículos aspirados e da resposta ovariana. “Já dor importante, queda de pressão ou sangramento fora do esperado são sinais de alerta. O sangramento normal após o procedimento é muito discreto”, pontua.
O Dr. Rodrigo Rosa explica que a coleta de óvulos é uma etapa importante para a realização da Fertilização In Vitro. “Após coletados, os óvulos viáveis são selecionados e colocados em um prato com milhares de espermatozoides. Os embriões formados viverão em um prato, em um forno aquecido à temperatura corporal, para se desenvolverem. Depois, um embrião é escolhido para ser transferido de volta ao útero em um processo semelhante ao do teste de Papanicolau. Cerca de uma semana e meia a duas semanas depois que o embrião foi transferido, é feito um teste para ver se ele está aderido ao útero e confirmar a gravidez”, completa.
FONTE: DR. RODRIGO ROSA: Ginecologista obstetra especialista em Reprodução Humana e sócio-fundador e diretor clínico da clínica Mater Prime, em São Paulo, e do Mater Lab, laboratório de Reprodução Humana. Membro da Associação Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) e da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH), o médico é graduado pela Escola Paulista de Medicina – Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP/EPM). Especialista em reprodução humana, o médico é colaborador do livro “Atlas de Reprodução Humana” da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana.

