“O fato mais natural do mundo não pode ser tratado como um inconveniente”

A fala é de Mayara Prieto, Head de Marketing da Movidaria, se referindo a como uma gravidez ainda é vista dentro de muitas empresas

Atualmente, Mayara Prieto é responsável pelo Marketing da marca empreendedora Movidaria e de seus negócios, sendo um deles a edtech focada em ajudar mulheres a planejarem a chegada dos filhos e a carreira. Ela, que ainda não é mãe, se sente confortável em dizer que planeja sua primeira gravidez, mas nem sempre pôde sentir essa segurança, situação semelhante a de muitas mulheres no Brasil.

Um levantamento realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) aponta que 50% dos talentos femininos saem do mercado de trabalho em até dois anos depois de voltarem da licença-maternidade. Esse dado é reflexo da cultura em que vivemos, onde a mulher ainda é muitas vezes vista como a única responsável pelos cuidados com os filhos.
 

Com base nos dados de 247 mil mães, entre 25 a 35 anos, o estudo também revela que esse cenário piora de acordo com o nível de escolaridade da mulher. Visto que, após a gestação, o desemprego para aquelas com maior nível de escolaridade se estabelece em 35%, enquanto para as que possuem um nível menor, a taxa é de 51%.

 

Para parte das empresas, a notícia da gravidez, ou o simples desejo de começar uma família, muitas vezes é visto como um impeditivo, um fardo ou até mesmo falta de cuidado com a própria carreira. “A descriminação, a exclusão e até mesmo o assédio moral podem não ser um posicionamento oficial da empresa, mas refletem a opinião das lideranças para as lideradas, de forma mais ou menos explícita”, comenta Mayara Prieto.
 

Esse é um dos grandes desafios enfrentados pelas mulheres no mercado de trabalho. Não muitos anos atrás, após passar mal no trabalho e precisar de atendimento médico, Mayara vivenciou uma situação bem delicada com um antigo gestor. “Quando cheguei ao escritório, meu gestor viu que meu braço estava roxo das medicações que precisei tomar na veia, devido a uma crise de enxaqueca, e perguntou o que tinha acontecido. Durante a conversa, até então amistosa, comentei que tinha ficado tão mal que o médico suspeitou de um AVC, e pediu para que suspendesse o meu anticoncepcional, já que era hormonal. Nesse momento, antes mesmo de me perguntar como eu estava ou se precisava de algo, ele me pediu para procurar um ginecologista imediatamente, pois, de acordo com ele, a empresa precisava de mim e eu não poderia engravidar”, relata.
 

Casada há quase seis anos, Mayara não abre mão de se realizar profissionalmente e pessoalmente, com sonhos de igual importância nas diferentes áreas da vida. “Naquela semana, eu havia adquirido cotas da empresa. Eu realmente tinha a intenção de construir uma carreira sólida ali. Seis meses depois, eu recebi outra proposta, que se encaixava mais no meu projeto de vida, pedi demissão e contei o motivo. Mesmo com outra postura, negociação de salário e pedidos para que eu ficasse, eu não estava em paz. Tive que aprender que onde meus sonhos não cabem, eu também não caibo”.

 

Na entrevista para ingressar na Movidaria, Mayara relatou essa experiência ao entrevistador. “Alertei que se a parentalidade fosse, de alguma forma, vista como um inconveniente dentro da empresa, não continuaríamos a negociação. No mesmo momento, me contaram sobre o Carreira & Mamadeira, que ainda era um projeto, e eu entrei na empresa exatamente para tirar essa iniciativa do papel”, finaliza Mayara.
 

O Carreira & Mamadeira, um dos negócios da marca empreendedora Movidaria, é uma edtech focada em ajudar mulheres a planejarem a chegada dos filhos e a carreira.

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