O novo papel do pai na sociedade de hoje e a difícil conquista do afeto para os homens

Os homens estão aprendendo a demonstrar seu afeto e a não se incomodarem com isso

Pais de primeira viagem, pais jovens, pais experientes, pais presentes, pais lutadores, pais que também aprendem como cuidar e orientar os filhos numa época de mudanças rápidas e importantes.

Qual é hoje o papel do pai nas novas famílias e na nova relação entre os gêneros? Como fica o lugar de autoridade e controle do pai, antes tradicional e inquestionável, e hoje em dia modificado diante dos novos espaços das mães que trabalham, e de filhos cada vez mais precoces e questionadores?

Nas últimas décadas muitas mudanças aconteceram na configuração familiar. E os homens e os pais reagem e se adaptam como podem, muitas vezes ainda sem compreender tão bem as emoções e sentimentos, como se não fosse permitido a eles ter contato tranquilo com a sensibilidade, fragilidade, dúvidas e afetos.

Bebê olhando para o papai - Foto: Yanik Chauvin / ShutterStock

Há uma pequena história que ilustra um pouco como nossa cultura tem visto a afetividade dos homens.

“Era uma vez uma senhora mãe que encontra uma velha amiga, a quem não via há muito tempo. A amiga lhe pergunta:

– Olá, querida! Há quanto tempo! Não nos vemos desde que seus filhos se casaram. Eles estão bem? Fizeram um bom casamento?

– Olá, amiga. Muito tempo, é verdade. Minha filha teve muita sorte. Você acredita que meu genro é um marido tão bom e dedicado que leva o café da manhã na cama para ela, todos os domingos, sem falta?

– Puxa. Que bom! E seu filho?

– Ah, coitado! Meu filho não teve a mesma sorte. Você acredita que todos os domingos ele tem que levar o café na cama para a minha nora? Que pena que eu sinto dele”.

Essa historinha é de alguma forma familiar, não é?

Estamos acostumados a achar que as demonstrações de afeto e dedicação carinhosa nos homens é sinal de submissão ou fraqueza, perda do poder. Desde cedo é cobrado do homem a ser corajoso, ágil, esperto, competitivo, arrojado, ter espírito de liderança e certa dose de agressividade. Esses atributos são incentivados e esperados, associados à força, virilidade e capacidade de proteção.

Mas as manifestações de carinho, de medo, de afeto e o choro são censurados ou reprimidos. Quem nunca ouviu as frases “menino não chora” ou “menino não brinca de boneca”?

No entanto, na situação do choro o menino está descobrindo suas fragilidades e limites, e quando brinca de boneca, como uma família, é uma oportunidade de treinar seu envolvimento afetivo, treinar a tarefa de cuidar do outro, de preocupar-se, de amar e proteger.

No afã de conduzir o papel masculino heterossexual considerado apropriado, a educação tradicional muitas vezes exclui a possibilidade de um exercício mais pleno da afetividade.

Nas novas formas de relacionamento entre homens e mulheres é comum dar destaque para as conquistas femininas no trabalho, na política, nas finanças da casa. E nem sempre se valorizam o apoio e o compromisso dos maridos e dos pais dentro de casa. Seja socialmente ou dentro da própria família, os homens necessitam de auxílio diante do desafio de reinventar o papel de pais, pois mesmo diante de tantas mudanças da sociedade, o afeto masculino ainda é um terreno a ser reconhecido e conquistado, tanto pessoalmente quanto na rica experiência da paternidade.

Estela Wonsik

Possui graduação em economia, letras e linguística, pela Unicamp. Também tem estudos em Psicologia e Psicanálise nas Organizações, pós gradua...

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