Pediatra Escreve sobre o que Falta aos Pais na Educação dos Filhos

Em “Bom Pai, Mau Pai”, Fausto Flor Carvalho apresenta 36 verbetes sobre presença, ausência e formação de caráter em tempos de telas e isolamento

Um homem de sucesso público, líder respeitado, estrategista e artista, mas que fracassa dentro da própria casa. A cena poderia sair de um consultório contemporâneo, mas retrata uma das histórias de família mais bem documentadas da Antiguidade: a do rei Davi. É dela que parte Bom pai, mau pai, novo livro de Fausto Flor Carvalho, pediatra, psicanalista e Mestre em Educação. 
 
Na obra, publicada pela LC Books, o autor usa o personagem para discutir o que significa, na prática, ser pai. Absorto em conquistas e disputas de poder, Davi foi uma figura paterna ausente com os filhos mais velhos. Dessa omissão, nasceu uma sequência de tragédias domésticas, incluindo a disputa entre irmãos, rebelião e mortes. Na velhice, porém, ele se redime e torna-se presente, formador e capaz de preparar Salomão como o sucessor que entraria para a história como o mais sábio de seu tempo. 

É nesse contraste entre o mesmo pai em suas duas versões que se sustenta o argumento central do lançamento. Membro do Departamento de Saúde Escolar da Sociedade Brasileira de Pediatria, Carvalho mostra que ninguém está condenado aos próprios erros e a forma de criar os filhos pode ser revista, ajustada e reaprendida em qualquer fase da vida. 

Com mais de 25 anos de atuação em consultório, o médico percebe crianças e adolescentes cada vez mais isolados e pais que admitem estar perdidos sobre como educar. Ele dá nome à forma mais comum de negligência da atualidade, o “abandono virtual”, em que os filhos ficam em segundo plano diante do vício dos próprios cuidadores em telas como as da TV e do celular. 

A leitura de Davi é feita sem idealização, encarando de frente temas espinhosos como abuso e violência intrafamiliar. Casos clínicos reais, referências a Freud e Jung e relatos pessoais como pai de dois filhos complementam os ensinamentos sobre presença, limites e responsabilidade. 

O autor organiza a obra como um dicionário com 36 verbetes em ordem alfabética, de “Abandono” a “Zona de Conforto”, que percorrem temas como coragem, culpa, favoritismo, medo, legado, impulso e reconciliação. Cada capítulo, curto e independente, é ancorado em um episódio concreto, seguido de uma reflexão sobre o presente e de perguntas e exercícios práticos. 

Entre um verbete e outro, o médico traduz a trajetória de Davi em princípios concretos de criação. Carvalho diferencia herança de legado e defende que o papel dos pais não é vigiar defeitos, mas reconhecer e estimular as qualidades de cada filho. O autor aborda, ainda, o peso do favoritismo entre irmãos e reforça a necessidade de formar crianças corajosas, capazes de dominar impulsos. 

Bom pai, mau pai é leitura indicada sobretudo à figura paterna, mas fala a qualquer leitor interessado em formar filhos com caráter em meio a um mundo acelerado. Ao propor uma reflexão que troca o ideal de pai perfeito pelo pai possível que educa com intenção, Fausto Flor Carvalho defende uma ideia simples e libertadora: nunca é tarde para melhorar. 

Ficha Técnica 

Título: Bom pai, mau pai – Aprendendo com os (muitos) erros e (alguns) acertos do Rei Davi 
Editora: LC Books  
ISBN: 978-6584222243 
Páginas: 126 
Preço: R$ 45,90 (físico) | R$ 14,90 (e-book) 
Onde encontrar: Amazon 

Autor: Fausto Flor Carvalho é médico pediatra com mais de 25 anos de experiência, psicanalista, mestre em Educação e palestrante. Membro do Departamento de Saúde Escolar da Sociedade Brasileira de Pediatria e autor de “Pai Sem Sacrifício”, além de diversos capítulos de livros na área da pediatria e psicanálise. É pai de Rafael e Vinícius, casado com Juliana desde 2002 e filho do Sr. Marcos e de dona Lucia. Cristão, atua com liderança e em ações como o Projeto Homens com Propósitos. Tem como áreas de interesse e atuação saúde escolar, educação de filhos, hombridade e parentalidade. 

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