Perdeu a Carteira de Vacinação? 

Sarampo e outras vacinas: principais dúvidas esclarecidas por um médico especialista em imunização

divulgação/ Previmune

Perdeu a carteira de vacinação? Não lembra se tomou as doses? Especialista da Previmune explica o que fazer diante do atual cenário de circulação do vírus e reforça importância de adultos também conhecerem sua situação vacinal

O avanço de casos de sarampo em São Paulo reacendeu uma série de dúvidas entre brasileiros: quem perdeu a carteira de vacinação deve se vacinar novamente? E quem não sabe se tomou as doses na infância? Se a pessoa se lembra de ter recebido apenas uma dose, precisa completar o esquema? É seguro receber a vacina novamente quando não há certeza sobre o histórico vacinal?

As dúvidas ganham relevância durante a campanha de intensificação da vacinação contra o sarampo, que acontece em São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo até 1º de setembro. Nesses municípios, o Ministério da Saúde ampliou temporariamente a recomendação para pessoas de 6 meses a 59 anos, como estratégia para conter a circulação do vírus.

Segundo o Ministério da Saúde, até meados de agosto, São Paulo havia confirmado 23 casos de sarampo em 2026. A situação ocorre após a reintrodução do vírus por meio de casos relacionados à importação e em um contexto de cobertura vacinal insuficiente.

“Quando uma doença deixa de circular por alguns anos, é natural que as pessoas passem a ter menos contato com ela e, consequentemente, reduzam a percepção de risco. O problema é que o vírus continua circulando em outras partes do mundo e pode ser reintroduzido. Por isso, manter a vacinação em dia é fundamental mesmo quando não há casos acontecendo perto de nós”, afirma o médico André Luiz Silva, fundador da Previmune, rede especializada em vacinação.

Em 2025, a cobertura vacinal nacional alcançou 92,9% para a primeira dose (D1) da vacina tríplice viral (que protege contra o sarampo) e 78,3% para a segunda dose (D2), segundo o Ministério da Saúde.

Além de São Paulo, houve 1 caso de sarampo no Rio de Janeiro.

O sarampo também avança em outros países. Os Estados Unidos, por exemplo, enfrentam seu maior surto da doença em 35 anos, segundo as autoridades de saúde do país. Para o Dr. André, o momento exige atenção porque o vírus continua circulando em outros países das Américas, como Estados Unidos, México e Canadá.

Perdi minha carteira de vacinação. Preciso começar tudo de novo?

Não necessariamente. A orientação é procurar um serviço de vacinação para verificar se existe algum registro do histórico vacinal e atualizar a caderneta de acordo com as recomendações vigentes.

O Ministério da Saúde orienta que pessoas que não lembram se foram vacinadas, que não sabem se receberam alguma dose ou que perderam o cartão de vacinação procurem um serviço de saúde para avaliação e atualização da situação vacinal. A ausência da caderneta, portanto, não deve ser motivo para adiar a vacinação.

“Não ter a carteira em mãos não significa que a pessoa deva simplesmente assumir que está protegida. O ideal é procurar um profissional de saúde, que poderá avaliar a idade, o histórico disponível e o contexto epidemiológico para definir a melhor conduta”, explica o Dr. André.

Não sei se tomei a vacina na infância. E agora?

Essa é uma situação mais comum do que parece, especialmente entre adultos que tiveram seus registros perdidos ao longo dos anos.

De acordo com o Ministério da Saúde, pessoas de 12 meses a 29 anos precisam ter duas doses da vacina contra sarampo para serem consideradas com o esquema completo. Entre 30 e 59 anos, a recomendação de rotina é de uma dose para quem não possui comprovação de vacinação prévia. Profissionais de saúde devem ter duas doses comprovadas, independentemente da idade.

Quando não há comprovação do histórico, a recomendação deve ser definida por um profissional de saúde, de acordo com a idade e a situação epidemiológica.

Tomei apenas uma dose. Preciso da segunda?

Para pessoas de 12 meses a 29 anos, sim, caso não haja comprovação de duas doses.

O intervalo mínimo recomendado entre as duas doses é de 30 dias. Já para adultos de 30 a 59 anos, uma dose é considerada o esquema completo na rotina para quem não possui comprovação de vacinação prévia.

No cenário atual, porém, as autoridades de saúde podem adotar estratégias diferentes da vacinação de rotina. É justamente o que ocorre nos municípios paulistas envolvidos na campanha, que ampliaram temporariamente a oferta para pessoas de 6 meses a 59 anos.

“É importante diferenciar o calendário de rotina de uma estratégia de vacinação adotada diante de um surto ou de um risco aumentado de transmissão. As recomendações podem ser ampliadas temporariamente para reduzir rapidamente o número de pessoas suscetíveis ao vírus”, afirma o médico.

É seguro tomar novamente se não tenho certeza?

A principal orientação é não tentar decidir sozinho se deve ou não receber uma nova dose. O histórico vacinal deve ser avaliado por um profissional.

O Ministério da Saúde considera as vacinas contra o sarampo seguras e eficazes e orienta a população a procurar os serviços de saúde para verificar e atualizar a situação vacinal.

Também existem situações específicas em que a vacina não é indicada, como durante a gestação e em pessoas com imunossupressão grave. Por isso, a avaliação individual é importante antes da aplicação.

“Vacina é uma intervenção extremamente segura, mas isso não significa que qualquer pessoa possa receber qualquer imunizante em qualquer situação. Por isso existe o profissional de saúde: para avaliar idade, histórico vacinal, condições clínicas e o contexto epidemiológico antes da aplicação”, explica o Dr. André.

Qual é a diferença entre vacinação de rotina e vacinação durante um surto?

A vacinação de rotina segue o Calendário Nacional de Vacinação e estabelece as doses recomendadas para cada faixa etária e situação.

Quando há circulação do vírus ou risco elevado de transmissão, as autoridades podem ampliar temporariamente as estratégias de vacinação.

Em julho, o Ministério da Saúde recomendou a vacinação indiscriminada contra o sarampo para pessoas de 6 meses a 59 anos nos municípios de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo durante a campanha de multivacinação.

“A vacinação em situação de surto tem uma lógica de saúde pública: é preciso reduzir rapidamente o número de pessoas suscetíveis para interromper a cadeia de transmissão. Isso explica por que uma recomendação pode ser mais ampla do que aquela prevista no calendário de rotina”, diz o especialista.

Sarampo não é uma doença apenas da infância

Embora seja frequentemente associado às crianças, o sarampo pode infectar pessoas de qualquer idade que não estejam protegidas.

Na rotina do Programa Nacional de Imunizações, a vacinação contra o sarampo contempla pessoas de 12 meses a 59 anos. Entre 12 meses e 29 anos, são indicadas duas doses; entre 30 e 59 anos, uma dose para quem não tem comprovação de vacinação anterior. Profissionais de saúde devem comprovar duas doses, independentemente da idade.

 O cenário atual reforça, portanto, a importância de adultos também conhecerem sua situação vacinal.

“Existe uma falsa ideia de que, depois da infância, a vacinação deixa de ser uma preocupação. A imunização acompanha todas as fases da vida. O adulto também precisa conhecer seu histórico e verificar se há vacinas que precisam ser atualizadas”, afirma o Dr. André

O alerta vai além do sarampo

Para o especialista, o atual cenário deve ser aproveitado para uma revisão mais ampla da carteira de vacinação, especialmente entre adulto

Além da tríplice viral, algumas vacinas frequentemente ficam esquecidas depois da infância e adolescência. Entre elas estão imunizantes contra hepatite B, difteria e tétano (dT), tétano e coqueluche (dTpa), influenza, HPV, meningocócicas, pneumocócicas e herpes-zóster, cuja indicação varia de acordo com idade, histórico vacinal, condições de saúde, atividade profissional e outros fatores.

O Calendário Nacional de Vacinação contempla recomendações para todas as fases da vida, e a Sociedade Brasileira de Imunizações mantém calendários específicos por faixa etária e para diferentes grupos.

“Um surto chama a atenção porque existe um risco concreto e imediato, mas a lógica da prevenção não deveria depender do surgimento de um surto. É uma oportunidade para as pessoas olharem para a carteira como um todo e entenderem quais vacinas são indicadas para sua idade e para o seu perfil”, afirma o Dr. André.

O Ministério da Saúde reforça que a vacinação é a principal forma de prevenção do sarampo e que casos isolados ou importados não significam, por si só, o retorno da doença como problema de saúde pública. No entanto, a ocorrência de casos reforça a necessidade de manter altas coberturas vacinais para evitar a transmissão do vírus.

Fonte: A Previmune é uma rede especializada em vacinação e prevenção, com atuação voltada à promoção da saúde por meio da imunização em diferentes fases da vida. A empresa oferece serviços de vacinação e orientação especializada para pessoas e organizações, com foco em ampliar o acesso à prevenção e contribuir para uma cultura de cuidado contínuo com a saúde.

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