Dia Mundial da Dislexia é celebrado em 10 de outubro.

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No Dia Mundial da Dislexia, celebrado em 10 de outubro, especialista explica como o ensino estruturado pode apoiar crianças durante a alfabetização; cerca de 7,8 milhões de brasileiros têm o transtorno específico de aprendizagem
Algumas crianças precisam de mais tempo para aprender a ler. Em outros casos, dificuldades persistentes para relacionar letras e sons, decodificar palavras e ganhar fluência podem ser sinais de dislexia e indicar a necessidade de uma avaliação mais detalhada.
O tema ganha destaque em outubro, mês de conscientização sobre a dislexia, e no dia 10, Dia Mundial da Dislexia – data que reforça a importância do diagnóstico precoce para garantir melhor qualidade de vida desde os primeiros anos da alfabetização.
A dislexia é um transtorno específico de aprendizagem de origem neurobiológica que afeta habilidades relacionadas à leitura e à escrita. Segundo a Associação Brasileira de Dislexia (ABD), a condição pode ser encontrada entre 5% e 17% dos alunos nas salas de aula ao redor do mundo.
No Brasil, estimativas citadas pelo Instituto ABCD e pelo Ministério da Saúde apontam que cerca de 7,8 milhões de pessoas têm dislexia, o equivalente a aproximadamente 4% da população considerada no levantamento.
Desde 2025, o Censo Escolar passou a coletar informações sobre transtornos que impactam o desenvolvimento da aprendizagem, incluindo a dislexia. A inclusão desses dados pode ajudar a ampliar o conhecimento sobre a presença dessas condições entre os estudantes brasileiros.
Sinais podem aparecer na alfabetização
Para Anne Rheinlaender, cofundadora do IntraAct Brasil e do IntraAct Internacional (método de alfabetização baseado na neurociência cognitiva), os primeiros anos escolares são importantes para observar como a criança responde ao processo de alfabetização. Dificuldades que permanecem mesmo após o ensino e a prática precisam ser acompanhadas com atenção.
“Quando uma criança apresenta dificuldades persistentes para relacionar letras e sons, reconhecer palavras ou desenvolver fluência, precisamos investigar o que está acontecendo e oferecer um ensino bem estruturado. Quanto mais cedo conseguimos compreender suas necessidades e organizar a aprendizagem em etapas claras, maiores são as possibilidades de ajudá-la a avançar na leitura e na escrita”, afirma Anne.
A escola tem papel importante nessa identificação. O professor acompanha diariamente como a criança lê, escreve e responde às atividades, por isso pode registrar dificuldades recorrentes e compartilhar essas observações com a família. A avaliação especializada é necessária para investigar as causas dessas dificuldades e chegar a um diagnóstico.
Esse acompanhamento está previsto na legislação brasileira. A Lei nº 14.254/2021 determina que o poder público desenvolva e mantenha um programa de acompanhamento integral para estudantes com dislexia, Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) ou outros transtornos de aprendizagem. A legislação prevê identificação precoce, encaminhamento para diagnóstico e apoio educacional, além de atendimento terapêutico especializado na rede de saúde quando necessário.
Como ensinar faz diferença
A dislexia está frequentemente associada a dificuldades no processamento fonológico e na decodificação de palavras. Durante a alfabetização, o trabalho explícito e sistemático com os sons da fala e sua relação com as letras ajuda a desenvolver habilidades necessárias para reconhecer palavras e ganhar fluência na leitura.
Em uma abordagem estruturada, o conteúdo é organizado em etapas, com prática orientada e acompanhamento frequente do desempenho. Dessa forma, o professor consegue identificar quais habilidades já foram consolidadas e quais ainda precisam de atenção, ajustando o tempo e a intensidade do ensino de acordo com a resposta de cada estudante.
“Para uma criança que encontra dificuldade para aprender a ler, cada etapa precisa estar muito clara. O professor precisa saber o que ensinar, observar como o aluno responde e avançar a partir do que já foi consolidado. Essa organização ajuda a reduzir lacunas e dá ao estudante oportunidades concretas de progredir”, explica Anne.
A formação dos professores também faz parte desse processo. A lei estabelece que os sistemas de ensino devem garantir aos educadores acesso a informações sobre os transtornos de aprendizagem e formação continuada para que possam identificar sinais e oferecer o apoio educacional necessário.
A dislexia pode ocorrer em pessoas com diferentes níveis de capacidade intelectual. O Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) inclui a condição entre os transtornos que impactam o desenvolvimento da aprendizagem e orienta que estudantes com dislexia não sejam registrados no Censo Escolar como pessoas com deficiência apenas em razão desse diagnóstico.
Identificar as dificuldades e compreender quais habilidades precisam de atenção ajuda a escola a definir intervenções desde os primeiros anos. Com avaliação adequada, acompanhamento especializado e ensino estruturado, o estudante pode desenvolver maior fluência e autonomia na leitura, com impacto direto na compreensão de textos, no desempenho nas demais disciplinas e nas atividades cotidianas que dependem da leitura.
Fonte: IntraAct Brasil – Sediado em Brasília (DF), o IntraAct Brasil oferece um método de alfabetização fundamentado em neurociência cognitiva, desenvolvido a partir de 30 anos de experiência na Alemanha, para acelerar e tornar mais segura a aprendizagem da leitura e da escrita. Com aplicação em diversos contextos — da educação infantil à recomposição de aprendizagem em adolescentes e adultos — o método permite que 80% dos alunos sejam capazes de ler em 4 a 5 meses e que, ao final do primeiro ano, até 80% da turma esteja alfabetizada. O IntraAct Brasil fornece kit didático completo, formação de professores e acompanhamento técnico contínuo, sendo compatível com as diretrizes da BNCC e adaptável a diferentes perfis de alunos e redes de ensino. Atualmente, mais de 44 mil estudantes de redes públicas municipais e 4.328 professores de oito estados brasileiros (SC, MG, DF, PR, MA, GO, SP e MT) já foram impactados pela metodologia.

