Uso Excessivo de Telas e Redes Sociais Prejudica Aprendizado

Especialista alerta: vídeos curtos funcionam como “metralhadora de estímulos” que habitua o cérebro dos jovens ao imediatismo e prejudica a concentração

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A mecânica do tédio digital

A especialista ressalta que o formato atual das mídias sociais, estruturado em vídeos de poucos segundos e rolagem infinita, opera como uma verdadeira “metralhadora de estímulos” para os jovens. Essa enxurrada constante de notificações e vídeos curtos reduz a capacidade do cérebro de manter o foco em tarefas mais longas e complexas, como a leitura de um livro ou a resolução de problemas matemáticos.

“Como o cérebro dos adolescentes está em fase de desenvolvimento — especialmente o córtex pré-frontal, área ligada ao controle de impulsos —, ele acaba condicionado aos picos rápidos de dopamina obtidos por meio de curtidas e interações virtuais”, diz Ana Paula.

“Quando esse jovem precisa ler um texto longo ou resolver um problema matemático complexo, o cérebro dele sente tédio rapidamente, porque não há a recompensa imediata à qual foi acostumado”, complementa.

Para facilitar o entendimento sobre os principais impactos do excesso de telas para crianças e adolescentes, a especialista cita três pontos críticos:

1.       Déficit de atenção: Os alunos se tornam mais imediatistas e têm dificuldade em manter o foco em atividades que exigem esforço prolongado.

2.       Privação do sono: O uso de dispositivos até altas horas afeta o ciclo circadiano, resultando em estudantes sonolentos, cansados e com menor capacidade de retenção de conteúdo no dia seguinte.

3.       Ansiedade: A busca por validação social (curtidas e comentários) gera picos de neurotransmissores que tornam a rotina da sala de aula “menos atraente”, elevando os níveis de ansiedade.

Ferramenta versus distração

Para enfrentar esse cenário, o Colégio Integrado traça uma linha divisória clara entre a tecnologia como aliada pedagógica e o aparelho eletrônico como elemento de dispersão sistemática.

A estratégia adotada evita a proibição isolada e aposta na educação digital direcionada. Enquanto ferramentas de pesquisa guiada e plataformas de gamificação são incentivadas em aula para estimular o raciocínio, o uso de celulares em momentos não pedagógicos passa por regras rígidas e debates conscientes.

“Explicamos aos estudantes a engenharia por trás dos algoritmos das redes sociais, que são feitos especificamente para prender a atenção deles”, destaca a gestora. O objetivo do projeto de orientação educacional é fazer com que as turmas entendam de forma crítica que o hábito de checar mensagens e jogos durante o período de estudos fragmenta a absorção do conhecimento.

“Valorizamos o esporte, a leitura de livros físicos, a arte e a convivência face a face e mostramos que o mundo real oferece conexões tão ou mais ricas que o virtual”, enfatiza a diretora.

Parceria com as famílias

O enfrentamento da questão, contudo, ultrapassa os muros da escola. Diante de uma crise de atenção que atinge proporções globais, a cooperação com os lares se mostra indispensável para o sucesso das ações. A recomendação da especialista inclui o estabelecimento de acordos domésticos e a criação de momentos totalmente desconectados, como durante as refeições e nas horas que antecedem o sono.

“Quando a escola e a família se unem para dizer ‘menos telas, mais aprendizado’, não estamos tirando a diversão do estudante. Estamos devolvendo a ele a capacidade de pensar por si mesmo, de se concentrar e de desenvolver plenamente suas habilidades socioemocionais e cognitivas”, conclui a diretora do Colégio Integrado de Campo Mourão (PR), Ana Paula Previate.

Fonte: Colégio Integrado -Fundado em 1986, atua nos segmentos de berçário, educação infantil, ensino fundamental, ensino médio e pré-vestibular, proporcionando um aprendizado dinâmico, repleto de experiências hands-on e projetos de aprendizagem inovadores com valores para transformar o indivíduo e a sociedade.

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