Vacinação Infantil: Responsabilidade com os Seus e com o Coletivo

Todos sabemos que a palavra deste ano é vacina. Vivemos um momento em que a ansiedade da Covid-19 gera uma expectativa enorme pela imunização de todos nós, brasileiros, e não é para menos. As vacinas salvam vidas – e embora agora seja muito importante falarmos sobre o controle do coronavírus, estou aqui hoje, aproveitando que o tema está no radar, para lembrar os pais e responsáveis sobre a importância de se manter todas a outras vacinas das nossas crianças em dia.

Doenças que foram completamente erradicadas começaram a reaparecer nos últimos anos. Grécia, República Tcheca e Reino Unido tiveram registros de Sarampo em 2018. Em 2019, os Estados Unidos registraram mais de mil casos, o pior surto por lá desde 1992. No Brasil, a onda começou em 2019, mas 2020 levou o triste recorde de quase 8 mil casos que poderiam ter sido evitados com a aplicação da vacina tetra viral – que também protege contra rubéola e caxumba. Por isso, não se esqueçam, esta é uma responsabilidade de todos nós. A vacina não somente salva vidas, mas evita o reaparecimento de doenças que há muitos anos já estão erradicadas em nosso país e em tantos outros lugares do mundo. Temos que cumprir o nosso compromisso de seguir fielmente o Calendário Nacional de Vacinação de nossos filhos.

Vacinar é um direito de todo cidadão. Mas, como profissional da saúde, considero também um ato de amor a si mesmo e ao próximo, um pacto coletivo. Estudos mostram que o grande problema por trás do reaparecimento de doenças já erradicadas está relacionado aos movimentos anti-vacinas que, por sua vez, se retroalimentam com informações falsas, mentirosas, que desconsideram a ciência e o resultado de anos e até décadas de pesquisas para erradicação de doenças de difícil tratamento e alta letalidade. Presenciarmos a volta de movimentos como esses é chocante de diversas formas.

Porém, não é fácil lutar contra a desinformação, principalmente quando usamos apenas fatos como “armas” em uma era que testemunhou a criação do termo “pós-verdade” pela Universidade de Oxford, da Inglaterra. Pós-verdade é um conceito que mostra claramente que fatos objetivos são menos influentes na formação da opinião pública do que apelos emocionais. E apelos emocionais são fortes motivadores ou obstáculos, a depender de para que se aplicam. Esses movimentos anti-vacinas, que tiveram um boom nos anos 60 no Brasil, retornaram com força total nos últimos anos, apavorando pessoas e gerando sérios impactos após um grande período de trabalho tão sério dedicado à imunização de doenças, como o Plano Nacional de imunização (PNI).

Contra isso, só muita informação e união. Nós, pediatras de São Paulo, consideramos abril um mês importante na batalha da sobre a defesa das vacinas, por isso, para a Sociedade de Pediatria de São Paulo, abril é o mês da Confiança nas Vacinas, uma campanha que tem o objetivo de mostrar à população que os imunizantes são confiáveis e seguros para todos. Em nível federal, abril marca também o início da Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe. Idosos e crianças de seis meses a seis anos devem ser vacinados conforme calendário de cada estado. Por isso, queridos leitores, gostaria de deixar aqui a minha mais sincera recomendação: ouçam seus pediatras, a ciência e confiem nas vacinas. Vacina é um pacto coletivo, que depende de adesão da população para funcionar. Precisamos de todos unidos em prol da saúde dos nossos pequenos pacientes e de toda comunidade.

Ana Cristina Ribeiro Zöllner

Profª. Dra. Ana Cristina Ribeiro Zöllner é coordenadora do Núcleo de Pediatria e relações institucionais do curso de Medicina da Universidade...

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