Ceratocone que Aparece na Infância é mais Severo e Avança mais Rápido

A doença provoca um afinamento da córnea e pode levar à cegueira; especialista do Hospital CEMA esclarece quais são os principais sinais de ceratocone em crianças e como funciona o tratamento

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Uma coceira persistente nos olhos, dificuldades para ver o quadro na escola, sensibilidade à luz ou trocas frequentes de óculos: esses podem ser alguns dos principais sinais de que a criança pode ter ceratocone. Embora menos comum, o público infantil também é acometido pela doença. “O que muita gente não sabe é que o ceratocone, geralmente, começa na adolescência ou até mesmo na infância”, explica a oftalmologista do Hospital CEMA, Renata Santos. 

O ceratocone é uma condição que deixa a córnea (a lente transparente do olho) mais fina e em formato de cone, com isso a visão vai ficando cada vez mais embaçada e distorcida. “Estima-se que, em média, 1 a cada 2 mil a 3 mil crianças possa desenvolver a doença. E o que é mais importante saber é que quanto mais cedo aparece, mais rápido pode progredir”, destaca a especialista. Em casos severos, pessoas com ceratocone podem necessitar de transplante de córnea. 

A médica esclarece que o ceratocone em crianças não é exatamente igual ao dos adultos. “Embora seja a mesma doença, nas crianças ele costuma ser mais agressivo e evoluir mais rápido do que em adultos”, diz. Segundo ela, os primeiros sinais geralmente aparecem como dificuldade para enxergar de longe, visão embaçada e distorcida. “Muitas vezes os pais percebem que a criança aperta os olhos para tentar focar, ou mesmo com óculos continua reclamando da visão”, detalha.

Entre os principais sinais de alerta, estão:

• Piora rápida da visão;

• Trocas frequentes de grau dos óculos;

• Reclamações de visão embaçada ou dupla;

• Dificuldade para ver o quadro na escola;

• Sensibilidade à luz;

• Coceira nos olhos (que agrava a doença).

Crianças com alergias oculares, como rinite e conjuntivite alérgica, que coçam os olhos com frequência, têm histórico de ceratocone na família ou algumas síndromes genéticas têm mais risco de desenvolver a doença.

O tratamento do ceratocone vai depender da gravidade e da progressão da doença. “Por isso, é muito importante os pais ficarem atentos. Quanto mais cedo o diagnóstico, maiores as chances de controlar a doença e evitar que a criança perca a visão no futuro”, afirma a oftalmologista. Casos leves podem ser tratados com lentes e uso de óculos, já os mais severos podem necessitar de cirurgias ou transplante de córnea. “A boa notícia é que hoje existem tratamentos que ajudam a estabilizar a doença e proteger a visão”, completa.

Fonte :Dra. Renata Santos é oftalmologista do Hospital CEMA = CRM SP 195416

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