Arritmia Cardíaca é Comum em Crianças, mas Alguns Casos Exigem Atenção

O termo pode assustar, mas a arritmia cardíaca é uma condição bastante comum ao ser humano, podendo acometer adultos e crianças, até durante a vida uterina

Apesar de ser associada por muitas pessoas ao risco de morte súbita, a arritmia nem sempre representa um desfecho trágico.

O Dr. Ricardo Ferreira, Cardiologista e especialista em Estimulação Cardíaca Artificial e Arritmia Clínica no Instituto de Cardiologia Dante Pazzanese, explica que arritmia é o termo usado para todas as alterações no ritmo do coração, seja mais ou menos acelerado. Algumas são benignas, ou seja, não representam risco à vida e estão geralmente relacionadas ao desenvolvimento, respiração, ações comportamentais e variações de normalidade. Outras são malignas e, normalmente, associadas a outros problemas cardíacos.
 

No caso de pessoas mais jovens (crianças e adolescentes), a grande maioria das arritmias são benignas. Ou seja, não necessitam de nenhum tratamento específico. “A mais comum delas é chamada de Arritmia Sinusal Fásica, uma variação normal dos batimentos relacionada à fase do ciclo respiratório. Como é corriqueiro uma criança inspirar e expirar com mais frequência durante um exame médico, é uma condição bastante presente nos consultórios, que chama atenção dos pediatras, mas que não representa qualquer risco”, explica o Dr. Ricardo. 

Outra condição comum relacionada à arritmia é presença de um feixe anômalo no coração. Trata-se de um “fiozinho” a mais no coração que pode apresentar sintomas em qualquer época da vida, desde o recém-nascido até idosos, mas que é mais frequente em adolescentes e adultos jovens. “É um caminho elétrico a mais, além do caminho normal de condução elétrica no coração. Em sua grande maioria, a condição tem um desfecho benigno, ou seja, não está relacionada à morte súbita. Porém, as crises de palpitação podem atrapalhar bastante a qualidade de vida e até evoluir para a síncope, que é o desmaio. Por isso, é uma situação que merece mais atenção”, diz.

O médico explica que a detecção dessa condição é feita por meio de um eletrocardiograma ou durante a crise de palpitação. “Mas, como não é comum a realização de eletrocardiograma de rotina em crianças, e fora das crises os pacientes costumam ser totalmente assintomáticos, a avaliação de rotina é fundamental para identificar o problema”, diz o cardiologista. 

Acompanhamento médico de rotina é a principal recomendação do médico para a detecção de arritmias ou outros problemas no coração. Além disso, é claro, a manutenção de um estilo de vida saudável, com prática de atividade física e boa alimentação desde os primeiros anos de vida.

Fonte: Dr. Ricardo Ferreira Silva é graduado em medicina pela Universidade de Uberaba (MG), fez residência em Cardiologia pelo Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo, em 2011, e se especializou em Estimulação Cardíaca Artificial e Arritmia Clínica no Instituto de Cardiologia Dante Pazzanese de São Paulo, em 2014 – título reconhecido pelo Departamento de Estimulação Cardíaca Artificial. Além de ter especialização em eletrofisiologia clínica e invasiva no Hospital do Coração de São Paulo e concluído seu Doutorado pela Universidade de São Paulo (USP), em 2018.

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