Sabemos sobre o impacto do uso excessivo de celular na saúde mental de crianças e adolescentes. Mas qual a idade mínima para o uso? Conheça o impacto silencioso dos smartphones na saúde mental dos jovens

O que começou como um símbolo de liberdade e conexão ilimitada vem se revelando uma preocupação crescente. Desde o início dos anos 2000, os celulares se tornaram quase inseparáveis da infância, mas um novo estudo internacional traz dados alarmantes: a saúde mental pode estar pagando a conta.
O celular é um mundo de portas abertas para o entretenimento, a conexão e o conhecimento, mas quando utilizado de forma excessiva por crianças e adolescentes com menos de 13 anos, ele pode causar impactos negativos profundos na saúde mental. Especialmente porque essa faixa etária ainda está construindo sua identidade, autoestima e capacidade emocional – explica a Dra. Gesika Amorim, Pediatra, Pós-graduada em Neurologia e Psiquiatria, especializada em Tratamento Integral do Autismo em Neurodesenvolvimento.
Publicado no Journal of Human Development and Capabilities, o levantamento analisou mais de 100 mil jovens de 18 a 24 anos, usando o índice Mind Health Quotient — que mede competências sociais, emocionais e cognitivas em uma escala de 0 a 300. Diferente das pesquisas tradicionais, o estudo ampliou o olhar, incluindo fatores como autoimagem, resiliência, empatia e até riscos de ideação
Os resultados são impactantes: em média, quem ganhou o primeiro smartphone aos 13 anos, obteve 30 pontos no MHQ. E aqueles indivíduos que ganharam o primeiro celular antes dessa idade, a pontuação despencou, chegando a 1 ponto entres os que tiveram acesso aos 5 anos, que foi a idade mínima estudada.
Historicamente, o bem-estar seguia uma curva em “U”: caía na meia-idade, mas voltava a subir com o tempo. Agora, a chegada precoce do celular parece ter invertido essa lógica, deixando marcas profundas no equilíbrio emocional das novas gerações – alerta a Dra. Gesika Amorim.
Principais impactos observados:
– Ansiedade e irritabilidade: A exposição constante a notificações, redes sociais e jogos intensos pode gerar agitação emocional e dificuldade em relaxar.
– Problemas de sono: O uso prolongado de telas, especialmente à noite, afeta a qualidade do sono, comprometendo o desenvolvimento e a regulação emocional.
– Isolamento social: Apesar de conectados virtualmente, muitos adolescentes se sentem mais distantes das relações reais, o que pode gerar sentimentos de solidão e exclusão.
– Baixa autoestima: A comparação com influenciadores e conteúdos irreais nas redes sociais pode afetar a percepção do próprio corpo, vida e valor pessoal.
– Dificuldades de atenção: O excesso de estímulos pode prejudicar o foco, a memória e o desempenho escolar.
É preciso ficar claro que existem caminhos para o equilíbrio entre o uso de celulares e uma boa saúde mental. É essencial que famílias e educadores estimulem o uso consciente das tecnologias, promovendo momentos offline, atividades ao ar livre. Diálogo aberto e limite saudável de tempo de tela também são fundamentais. O celular pode ser uma ferramenta poderosa, desde que usado com sabedoria e afeto – finaliza a Dra. Gesika Amorim.
Fonte: Dra Gesika Amorim é Mestre em Educação médica, com Residência Médica em Pediatria, Pós Graduada em Neurologia e Psiquiatria, com formação em Homeopatia Detox (Holanda), Especialista em Tratamento Integral do Autismo. Possui extensão em Psicofarmacologia e Neurologia Clínica em Harvard. Especialista em Neurodesenvolvimento e Saúde Mental; Homeopata, Pós Graduada em Medicina Ortomolecular – (Medicina Integrativa) e Membro da Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil.

