Como Identificar Atrasos no Desenvolvimento do Bebê – 7 Sinais de Alerta

Alguns comportamentos esperados nos primeiros meses servem como guia para avaliar o desenvolvimento

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Nos primeiros dois anos de vida, cada conquista do bebê, sustentar a cabeça, sentar, engatinhar, dar os primeiros passos, é motivo de comemoração. Mas quando essas etapas não acontecem no tempo esperado, podem indicar atraso no desenvolvimento.

Segundo a psicóloga perinatal Rafaela Schiavo, professora-doutora e fundadora do Instituto MaterOnline, é importante que pais e cuidadores conheçam os marcos do desenvolvimento infantil para saber quando procurar orientação. “Nem todo atraso significa um problema grave, mas observar e agir cedo faz diferença para o futuro da criança”, explica.

Os 7 sinais de alerta

De acordo com Rafaela, alguns comportamentos esperados nos primeiros meses servem como guia para avaliar o desenvolvimento. Veja os principais sinais de atraso:

1- Aos 3 meses: bebê não sustenta a cabeça nem reage a estímulos sonoros.
2- Aos 4 meses: não consegue apoiar braços e erguer a cabeça quando está de bruços.
3- Aos 6 meses: não senta nem mesmo com apoio.
4- Aos 7 a 8 meses: não mostra interesse em engatinhar ou explorar o ambiente.
5- Aos 9 meses: não pega objetos com firmeza ou não tenta passar de uma mão para outra.
6- Aos 12 meses: não dá sinais de querer ficar em pé com apoio.
7- Até 18 meses: não tenta dar passos ou não demonstra curiosidade em andar.

Esses sinais servem como um guia inicial, mas precisam ser avaliados considerando cada contexto, aponta a especialista. Em bebês prematuros, por exemplo, a idade deve ser ajustada. Uma criança de três meses que nasceu dois meses antes precisa ser observada como se tivesse apenas um mês de desenvolvimento.

“Muitas vezes, pequenas mudanças na rotina ou estímulos adequados já ajudam. Em outros casos, é preciso encaminhar para avaliação multidisciplinar”, afirma a psicóloga.

Como a saúde da mãe influencia

O ambiente oferecido pela família é determinante para o desenvolvimento infantil. Segundo a psicóloga, mães que enfrentam ansiedade ou depressão podem, sem perceber, restringir as experiências do bebê. Um exemplo comum é quando a criança passa muito tempo no colo ou no carrinho, sem espaço para engatinhar ou explorar o ambiente.

Além disso, a falta de rede de apoio aumenta a sobrecarga. Nesse ponto, Rafaela diferencia papéis: o pai não deve ser considerado “apoio”, mas corresponsável. A rede de apoio envolve avós, familiares e amigos, desde que de forma respeitosa e sem interferências indesejadas.

“Uma mãe sobrecarregada tende a ter mais dificuldade de estimular o bebê. Apoio familiar e social é essencial para o desenvolvimento saudável da criança”, alerta. 

Quando procurar ajuda

Se o bebê não apresenta os comportamentos esperados dentro das idades de referência, a recomendação é conversar com o pediatra ou psicólogo perinatal. O Ministério da Saúde disponibiliza gratuitamente a Ficha de Avaliação do Desenvolvimento Infantil, presente na caderneta do bebê. Outro recurso é o teste Denver II, usado por profissionais para rastrear atrasos.

“Esses instrumentos não substituem o olhar clínico, mas ajudam a identificar precocemente quando algo não vai bem. Quanto mais cedo a intervenção, maiores as chances de recuperação”, conclui Rafaela Schiavo.

Fonte: Profª-Dra. Rafaela de Almeida Schiavo é psicóloga perinatal e fundadora do Instituto MaterOnline. Desde sua formação inicial, dedica-se à saúde mental materna, sendo autora de centenas de trabalhos científicos com o objetivo de reduzir as elevadas taxas de alterações emocionais maternas no Brasil.

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