Especialista reforça necessidade de diagnóstico precoce

Foto: Divulgação Geral
Casos de sífilis cresceram 15 vezes em pouco mais de uma década
De acordo com o boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, em 2024 foram registrados mais de 70 mil casos de sífilis em gestantes e 12.177 ocorrências de sífilis congênita em menores de um ano, o que representa uma taxa de 9,9 casos por mil nascidos vivos.
A sífilis é uma infecção sistêmica causada pela bactéria Treponema pallidum, conhecida também como espiroqueta. A transmissão ocorre principalmente por contato sexual vaginal, anal ou oral, caracterizando a chamada sífilis adquirida. Outra forma de transmissão é a via transplacentária, em que a bactéria atravessa a placenta e chega à corrente sanguínea do feto. Essa situação dá origem à sífilis congênita, responsável por complicações graves na saúde do bebê.
A infectologista Monica Peduto Pecoraro Rodrigues, do Hospital e Maternidade Santa Helena, faz um alerta para a importância do diagnóstico precoce, já que muitos casos não são identificados a tempo de proteger o bebê. “Apesar de ser uma doença prevenível e tratável, a infecção segue em curva ascendente e preocupa pelo impacto tanto na população adulta quanto nos recém-nascidos”.
Sintomas e evolução
A doença pode se manifestar ainda na gestação e muitos sintomas da sífilis primária ou secundária podem passar despercebidos. A sífilis secundária, por exemplo, surge entre seis semanas e seis meses após a cura da ferida inicial, chamada de “cancro duro” e pode incluir manchas no corpo que geralmente não coçam, febre, mal-estar, dor de cabeça e ínguas pelo corpo. Mesmo quando estes sinais desaparecem, a infecção persiste e pode evoluir para a fase latente e, posteriormente, terciária, com comprometimento neurológico e cardiovascular. “O grande problema é que os sintomas somem, mas a doença não. Sem tratamento, a sífilis pode permanecer silenciosa e trazer complicações irreversíveis anos depois”, reforça a médica.
Em recém-nascidos com sífilis congênita, sintomas comuns incluem lesões bolhosas, anemia, icterícia, aumento do fígado e do baço, alterações ósseas, destruição da cartilagem nasal e alterações dentárias. A infectologista ressalta que “a sífilis é uma doença de fases, com sinais muitas vezes pouco valorizados no início. Tanto no adulto quanto no bebê, as consequências podem ser graves se não houver diagnóstico precoce”.
O tratamento da sífilis, tanto em adultos quanto em gestantes, é simples e eficaz, feito com penicilina, um antibiótico de baixo custo. Além disso, a doença está frequentemente associada a outras ISTs (infecções sexualmente transmissíveis). Aproximadamente 47% dos diagnósticos ocorrem em pessoas vivendo com HIV (PVHIV). Para interromper a transmissão vertical, é indispensável tratar também o parceiro, evitando reinfecções. “Estamos falando de uma infecção que pode marcar a vida da criança desde os primeiros dias. E é uma doença totalmente prevenível, se tratada de forma correta durante a gestação”, acrescenta Monica.
Para a infectologista, os números mostram a urgência de ampliar a prevenção e a testagem. “O caminho para alterar esse cenário é a combinação da prevenção, diagnóstico precoce e adesão ao tratamento. Essa tríade é capaz de mudar a curva da sífilis e proteger vidas”, conclui.
Fonte: infectologista Monica Peduto Pecoraro Rodrigues, do Hospital e Maternidade Santa Helena – Hospital e Maternidade Santa Helena – Referência em gestação de baixa a alta complexidade na região do ABC Paulista, o Hospital e Maternidade Santa Helena integra a rede própria da Santa Helena Saúde e faz parte do grupo Amil desde 2017.

