Na Gravidez Cuidados com a Alimentação na Páscoa

 Na gravidez cuidados com a alimentação na Páscoa vão além do chocolate

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Obstetra e nutróloga do Hospital e Maternidade Santa Joana explica quais alimentos típicos da data exigem mais cuidado na gravidez e por que o armazenamento, excesso de açúcar e preparações cruas entram no radar.

Com a chegada da Páscoa, vitrines cheias de ovos de chocolate, almoços em família e mesas fartas costumam transformar o feriado em um convite aos excessos. Para as gestantes, porém, a atenção à alimentação nessa época vai além da moderação com os doces. A combinação entre produtos artesanais, preparações caseiras, pescados, molhos com ingredientes crus e maior consumo de açúcar exige cuidado redobrado para evitar desconfortos e reduzir riscos durante a gestação.

Segundo a Dra. Karina Belickas, obstetra e nutróloga do Hospital e Maternidade Santa Joana, o principal ponto não é criar medo em torno da comida. “A gestante pode aproveitar a Páscoa, sim, inclusive consumir chocolate com equilíbrio, mas precisa observar a procedência dos alimentos, as condições de conservação e o tipo de preparo. Na gestação, uma indisposição alimentar ou uma contaminação que, para outras pessoas, poderia parecer simples, pode ter impacto importante na saúde da mãe e do bebê”, afirma.

Entre os itens mais associados ao período, o chocolate costuma ser o centro das atenções. Embora não seja proibido, seu consumo em excesso pode levar a ganho de peso, descontroles glicêmicos e queixas gastrointestinais, como piora de refluxo e azia. Mulheres que já apresentam risco metabólico precisam ter atenção redobrada e seguir as orientações da sua obstetra. Além disso, chocolates com muitos recheios, coberturas e ingredientes ultraprocessados tendem a concentrar quantidades elevadas de açúcar e gorduras gerais.

“Apesar de parecer inofensivo, o chocolate pode apresentar composições muito variadas. Os amargos têm maior quantidade de cafeína, enquanto o branco apresenta maiores concentrações de açúcar e gorduras. Além disso, temos muitas opções recheadas e combinadas com outros doces, aumentando o seu índice glicêmico e calórico”, explica a médica. Além disso, picos glicêmicos ocorridos próximos do momento de dormir pode estar associado com insônia e noites mal dormidas, sendo importante escolher com cuidado o momento de maior ingesta de carboidratos.

Outro ponto que merece atenção está nos produtos artesanais ou caseiros, especialmente quando não há clareza sobre fabricação, refrigeração e prazo de validade. Recheios frescos, cremes, mousses e sobremesas com ovos crus ou malcozidos devem ser evitados. “Na gestação a escolha do alimento passa também pela confiança no preparo. O risco de contaminação alimentar precisa ser levado a sério, então, é importante evitar produtos de origem duvidosa, sem informação adequada de conservação ou que ficaram muito tempo fora da geladeira”, diz a Dra. Karina.

Isso é percebido tanto na diversidade de opções de sobremesas quanto das comidas típicas das refeições principais, como maioneses caseiras, molhos à base de ovos crus, patês preparados sem refrigeração adequada e pratos que permanecem muito tempo expostos fora da geladeira antes do consumo. Em um feriado marcado por longos encontros e comida servida por horas, esse cuidado se torna ainda mais importante. “Muitas vezes a preocupação fica toda voltada para o chocolate, mas existem outros alimentos da celebração que merecem igual ou até mais atenção. O tempo de exposição, a temperatura e a manipulação fazem diferença”, observa Belickas.

Os peixes, que também costumam aparecer com frequência nas mesas de Páscoa, podem ser bons aliados nutricionais quando bem escolhidos e preparados corretamente. São fontes relevantes de ômega 3 e proteína e fazem parte de uma alimentação equilibrada na gravidez. Porém, a especialista alerta para o cuidado com versões cruas, malpassadas ou preparadas de forma inadequada. “A recomendação é priorizar peixes bem cozidos, de boa procedência e dentro de condições seguras de armazenamento, para reduzir risco de contaminação microbiológica”, destaca. Existe também uma grande preocupação com o tipo de peixe a ser escolhido, conforme alertado pela médica: “na escolha do peixe, é importante que seja levado em consideração o risco de intoxicação com metais pesados como chumbo e mercúrio, que ocorre de forma mais importante nos peixes que são topo da cadeia alimentar, ou seja, que se alimentam de peixes menores. Dentre eles temos o atum e o cação”.

Além da segurança alimentar, a Páscoa também pode funcionar como um lembrete importante sobre equilíbrio nutricional durante a gestação. Em vez de entrar na lógica do excesso em um único fim de semana, a orientação é pensar no contexto geral da alimentação, respeitando sintomas, necessidades individuais e eventuais restrições médicas. “A gravidez não precisa ser vivida com culpa em torno da comida, mas com consciência. É possível participar das celebrações, comer com prazer e, ao mesmo tempo, fazer escolhas mais seguras e adequadas para esse momento”, afirma a obstetra e nutróloga.

A médica reforça ainda que cada gestação tem particularidades, e por isso orientações personalizadas são sempre o melhor caminho, especialmente em casos de diabetes gestacional, ganho de peso excessivo, hipertensão, refluxo persistente ou outras condições clínicas que exijam maior controle alimentar. “A recomendação muda conforme o quadro da paciente. Por isso, diante de dúvidas sobre o que pode ou não consumir, o mais seguro é conversar com a obstetra ou com a profissional que acompanha a parte nutricional da mulher”, conclui Dra. Karina Belickas.

Neste cenário, a Páscoa deixa de ser apenas uma data associada aos doces e passa a ser também uma oportunidade de ampliar a conversa sobre alimentação segura na gravidez. Mais do que listar proibições, a orientação dos especialistas é reforçar informação de qualidade, cuidado com a procedência e atenção à forma como os alimentos são preparados e armazenados. Em um período em que celebração e comida caminham juntas, a informação continua sendo o melhor ingrediente para uma gestação mais tranquila.

Fonte: Dra. Karina Belickas, obstetra e nutróloga do Hospital e Maternidade Santa Joana – Hospital e Maternidade Santa Joana – Com 77 anos de excelência, o Hospital e Maternidade Santa Joana é referência em saúde da mulher e do neonato. A instituição oferece desde atendimentos de baixa complexidade até os procedimentos mais avançados de alta complexidade nas áreas de ginecologia, obstetrícia, medicina fetal, imunização, cirurgia cardíaca neonatal, endometriose, saúde do assoalho pélvico, vídeo cirurgias, incluindo a cirurgia robótica, entre outros.

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