No mês das crianças, especialistas alertam para sinais de sofrimento psicológico e dão dicas práticas para promover equilíbrio emocional

8 estratégias para ajudar pais no mundo moderno a protegerem a saúde mental
No Brasil, um estudo publicado na BioMed Central mostrou que 69% das crianças estão expostas a tempo de tela acima do recomendado, e que cada hora extra de exposição está associada a pior desempenho em comunicação, resolução de problemas e interação social. No cenário atual, de hiperconectividade e aceleração digital, pais e mães enfrentam um dilema crescente: como cuidar da saúde mental dos filhos em meio às exigências contemporâneas?
Dados internacionais reforçam a preocupação. Segundo levantamento divulgado pelo JAMA Network, 25,2% dos jovens apresentavam sintomas clinicamente elevados de depressão e 20,5% de ansiedade durante a pandemia – índices que praticamente dobraram em comparação a períodos anteriores.
A pandemia intensificou esse quadro: isolamento social, incertezas e rupturas nas rotinas ampliaram casos de irritabilidade, ansiedade, quadros depressivos e distúrbios do sono. Além disso, a chamada “sobrecarga informacional” — consumo frequente de notícias negativas — também impacta diretamente o equilíbrio emocional de crianças e adolescentes.
“O tempo excessivo de tela e a exposição contínua a redes sociais têm sido associados a sintomas depressivos e ansiosos, apesar de a relação ainda ser moderada e dependente de muitos fatores individuais. Além disso, a velocidade das demandas cotidianas, com urgências e pressão por resultados rápidos, gera estresse acumulado e pouco espaço para reflexão ou ócio criativo. São alguns dos desafios atuais que pressionam o equilíbrio emocional”, explica Laís Barba, pediatra da Clínica Bels e membro titular da Sociedade Brasileira de Pediatria.
Especialistas orientam que sinais sutis já podem indicar sofrimento psicológico em crianças e adolescentes. Entre eles estão:
- Queda no desempenho escolar, distração constante ou dificuldades de concentração
- Irritabilidade, impaciência ou reclamações frequentes
- Retração social e isolamento de amigos ou familiares
- Alterações no sono (insônia, sono fragmentado) e no apetite
- Perda de interesse por atividades antes prazerosas
- Queixas físicas recorrentes (como dor de cabeça e fadiga) sem causa orgânica clara
- Baixa autoestima, autoimagem negativa ou expressões de desesperança
“Viver no mundo moderno exige atenção redobrada à saúde mental dos mais jovens. Pais e mães não devem esperar por crises visíveis para agir — a observação atenta, o diálogo frequente e a promoção de equilíbrio diário são as melhores defesas”, ressalta Renata Sanches, psicóloga da Clínica Bels, graduada pelo Instituto de Psicologia da USP.
Eles também pontuam algumas estratégias práticas e preventivas para ajudar os pais:
- Estabelecer rotinas consistentes – horários fixos para acordar, dormir, estudar e relaxar reduzem a ansiedade.
- Limitar tempo de tela e uso de redes sociais – incentivar pausas, atividades offline e evitar dispositivos antes de dormir.
- Estimular atividade física e sono de qualidade – fundamentais para regulação do humor e bem-estar emocional.
- Manter diálogo aberto e escuta ativa – acolher sentimentos e abrir espaço para conversas cotidianas.
- Oferecer atividades de relaxamento fora do digital – caminhadas, leitura impressa, jogos lúdicos e momentos em família.
- Ensinar ferramentas de regulação emocional – respiração profunda, meditação guiada ou diário emocional.
- Dar o exemplo – pais que equilibram o uso de telas e praticam autocuidado servem como modelo positivo.
- Buscar apoio profissional quando necessário – diante de sinais persistentes, procurar pediatra, psicólogo ou psiquiatra.
Intervenções precoces fazem diferença no desenvolvimento emocional. Com carinho, presença e atenção aos sinais, pais e mães podem construir um ambiente saudável e protetor para seus filhos, reduzindo riscos e fortalecendo vínculos.
Quando esses comportamentos se estendem por semanas e comprometem o funcionamento escolar, social ou familiar, é recomendado buscar orientação de um especialista, seja um pediatra, psicólogo ou psiquiatra.
Fonte: Laís Barba, pediatra da Clínica Bels e membro titular da Sociedade Brasileira de Pediatria. Renata Sanches, psicóloga da Clínica Bels, graduada pelo Instituto de Psicologia da USP.

