No Dia Nacional da Alfabetização, especialista alerta que problemas de visão são barreiras silenciosas no aprendizado infantil

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O Brasil celebra o Dia Nacional da Alfabetização no dia 14 de novembro, uma data que marca a importância do aprendizado da leitura e da escrita na formação das crianças. A alfabetização é um dos marcos mais significativos da infância, mas para muitos pequenos, esse processo pode ser dificultado por um fator que costuma passar despercebido: a visão.
Segundo o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), cerca de 20% das crianças em idade escolar apresentam algum tipo de problema visual, sendo os erros de refração, como miopia, hipermetropia e astigmatismo, os mais comuns. Como 80% do conteúdo escolar é assimilado visualmente, qualquer dificuldade ocular pode comprometer o desempenho, gerar frustração e até afetar a autoestima da criança.
Para o médico e oftalmologista Arthur Franzão Gonçalves, integrante da metodologia Em Um Piscar de Olhos, um dos principais desafios é a expectativa comum de que a criança vá reclamar ou dizer que não está enxergando bem. Na prática, isso não acontece. “A criança tende a se adaptar às dificuldades visuais, mesmo que isso a leve a copiar errado da lousa ou a perder o interesse pela leitura. Por isso, é essencial que pais e educadores estejam atentos aos sinais e comportamentos, além de manter uma rotina de exames oftalmológicos, especialmente nos primeiros anos escolares”, alerta o especialista.
Para auxiliar nesse momento, o oftalmologista lista cinco sinais que podem indicar que a visão dos menores merece atenção:
1. Aproximação excessiva de telas ou livros
Se a criança costuma se sentar muito perto da televisão, segura o celular colado ao rosto ou se aproxima mais do caderno para escrever, isso pode ser um indicativo de miopia ou dificuldade de foco. “Esse comportamento é comum porque a criança enxerga melhor objetos próximos, mas tem dificuldade com o que está distante, como a lousa ou placas na rua. Esse sinal é um dos mais fáceis de observar em casa e deve ser levado a sério, especialmente se for recorrente”, declara Franzão.
2. Dores de cabeça frequentes após atividades escolares
A dor de cabeça infantil, especialmente após momentos de leitura ou uso de telas, pode estar relacionada ao esforço visual. “Quando a criança tem algum grau de hipermetropia ou astigmatismo, ela precisa forçar os olhos para enxergar com nitidez, o que gera cansaço ocular. Esse esforço constante pode provocar dores de cabeça, irritabilidade e até dificuldade de concentração. Se os sintomas aparecem com frequência após a escola ou tarefas de casa, é hora de investigar”, alerta.
3. Olhos vermelhos, lacrimejantes ou piscando em excesso
Esses sinais podem indicar sensibilidade à luz, esforço ocular ou até presença de algum grau de inflamação. Crianças que piscam demais ou esfregam os olhos com frequência podem estar tentando compensar algum desconforto visual. “Embora esses sintomas também possam estar ligados a alergias, é importante considerar a possibilidade de problemas de refração ou outras alterações oftalmológicas. Um exame simples pode esclarecer a causa e evitar que o incômodo afete o rendimento escolar”, declara o médico.
4. Dificuldade para copiar da lousa ou acompanhar textos
Esse é um dos sinais mais evidentes dentro da sala de aula. Crianças com dificuldade para enxergar à distância podem copiar palavras erradas, pular linhas ou demorar mais que os colegas para concluir tarefas. Já aquelas com problemas para focar de perto podem perder o acompanhamento da leitura, pular sílabas ou se confundir com letras parecidas. “ Os Professores costumam perceber esses comportamentos, mas é essencial que os pais estejam atentos e conversem com a escola”, acrescenta.
5. Desinteresse pelas atividades escolares
Quando a criança não enxerga bem, ela pode associar o aprendizado a uma experiência frustrante. Ler se torna difícil, escrever exige esforço, e acompanhar a aula vira um desafio. “Com o tempo, isso pode gerar desmotivação, queda no desempenho e até problemas de comportamento. Muitas vezes, o desinteresse não está ligado à falta de vontade, mas sim à dificuldade de enxergar. Identificar essa causa pode transformar completamente a relação da criança com a escola”, finaliza.
Pensando em ampliar o acesso ao diagnóstico precoce, a metodologia Em Um Piscar de Olhos surgiu em 2021 com uma proposta inovadora: realizar triagens oftalmológicas em apenas seis segundos, sem necessidade de dilatação da pupila. Utilizando uma tecnologia portátil e de alta precisão, o projeto já atendeu mais de 189 mil crianças e adolescentes, a partir dos seis meses de idade, em diversas regiões do Brasil.
Após a triagem, são organizados mutirões de exames oftalmológicos para confirmação dos diagnósticos, seguidos pela entrega gratuita de óculos para os estudantes que necessitam de correção visual. A iniciativa torna o cuidado com a visão mais acessível e contribui diretamente para que dificuldades visuais não se tornem barreiras no processo de alfabetização e aprendizado.
Fonte: médico e oftalmologista Arthur Franzão Gonçalves, integrante da metodologia Em Um Piscar de Olho

