Artrite idiopática juvenil, febre reumática, vasculite por IgA, Doença de Kawasaki, Lúpus, Dermatomiosite Juvenil e PFAPA são algumas doenças que atacam o sistema imunológico e reumatologistas FMUSP especializadas em pediatria explicam como pais e filhos devem lidar com essas condições

As doenças autoimunes são condições nas quais o sistema imunológico ataca erroneamente células e tecidos saudáveis do corpo. Embora essas doenças possam afetar pessoas de todas as idades, as crianças que vivem com doenças autoimunes enfrentam desafios únicos, inclusive no que diz respeito à saúde mental.
As crianças, particularmente, experimentam uma gama de emoções complexas devido à sua condição e, portanto, é necessário ter uma rede de apoio como familiares, profissionais de saúde mental e educadores, para que elas possam desenvolver resiliência e ter uma vida plena. Além disso, claro, todo respaldo médico com acompanhamento e tratamentos para minimizar a dor física e psíquica.
Segundo dra Lara Melo, reumatologista pediátrica da clínica EV Citi e USP alerta que é importante durante o seguimento desse paciente, que além desse apoio, se que trabalhe em conjunto com a escola para promover um ambiente inclusivo para essa criança, “assim, ela vai se sentir incluída no ambiente escolar, mesmo a distância, já as escolas podem oferecer esses cursos, reduzindo a chance de perda escolar e desmotivação com os estudos”, explica a especialista. “E, carta dos colegas, pequenos vídeos, promovem uma sensação de pertencimento”, orienta.
A saúde mental é um tópico muito complexo em crianças, pois depende de vários fatores, como; frequentar consultas médicas com mais frequência, realização de exames e ingestão diária de medicação. Por isso, principalmente no início do tratamento, elas se sentem diferentes dos seus colegas que não tem essa mesma rotina. “Como a criança pequena tem uma visão de mundo espelhada nos pais, a forma como esses pais veem o quadro pode influenciar diretamente em como essa criança encarará essa nova rotina de consulta e exames. Têm crianças que entendem que a doença é uma punição, assim como tem crianças que enxergam como algo passageiro, mas necessário para que ela retorne a rotina normal de uma criança da mesma idade”, diz Lara Melo
A gravidade da doença também influencia diretamente na saúde mental, pois são pacientes que tendem a ficar mais tempo internado, podendo provocar perda do ano escolar e afastamento dos colegas da escola. No retorno as aulas, essas crianças podem se sentir deslocadas e desmotivadas a continuar os estudos. Por serem doenças que não têm cura, mas que existe controle com ou sem medicação, associadas a terapias como imunoglobulina humana endovenosa ou de apenas fisioterapia motora, hidroterapia, tudo irá depender da doença e seu grau.
Entretanto, a criança ou adolescente com doença autoimune pode ter uma vida semelhante a seus pares, com a diferença que deve ter um acompanhamento periódico com seu reumatologista. “É importante também atividades físicas realizadas na medida da dor e da limitação de cada paciente”, diz dra Katia Tomie Kozu, médica assistente da unidade de Reumatologia do Instituto da Criança-Hospital das Clínicas- da Faculdade de Medicina da USP- FMUSP e do corpo clínico da EVCITI e do Hospital Sírio Libanês.
Doenças autoimunes infanto-juvenil e como diagnosticar e tratar
Artrite idiopática juvenil (AIJ), febre reumática, vasculite por IgA, Doença de Kawasaki (DK), Lúpus, Dermatomiosite Juvenil e PFAPA são algumas doenças que atacam o sistema imunológico de crianças e adolescentes e para serem identificadas os pais devem ficar atentos quando a criança está tendo febre recorrente, dores nas articulações por dias seguidos sem melhora com medicamentos comuns como dipirona e paracetamol, manchas no corpo associado a dor articular, perda de cabelo, fraqueza e perda de peso.
Segundo Katia Tomie Kozu as causas dessas doenças não são necessariamente congênitas, pois não são identificadas mutações ou variantes genéticas em sua maioria, entretanto, algumas crianças podem apresentar uma predisposição genética. Porém, existem doenças reumáticas de causas genéticas e de causas hereditárias e,mm sua grande maioria, a criança nasce sem apresentar sintomas, porém a doença começa a se manifestar nos primeiros anos de vida até a adolescência.
Alguns exemplos de tratamentos
Vasculite por IgA: caso o paciente não apresente complicações como sangramento e ou dor abdominal intensa ou orquite, o tratamento sintomático é suficiente e o acompanhamento a longo prazo é essencial.
Doença de Kawasaki: pode ser necessário o tratamento com imunoglobulina humana endovenosa, nos casos incompletos e com acometimento das coronárias. Aqui também o acompanhamento é primordial
Artrite Idiopática Juvenil: pode variar de apenas fisioterapia motora/hidroterapia, anti-inflamatórios até drogas modificadoras do curso da doença (imunossupressores), a depender do subtipo, e acometimento articular, associado ou não ao acometimento ocular.
Fontes:
Dra. Lara Melo – Médica pediátrica, que descobriu a paixão por reumatologia ainda no terceiro ano da faculdade. No momento é médica da Unidade Reumatologia Pediatrica da FMUSP e faz parte do corpo clínico da EV Citi
Dra Katia Tomie Kozu – Graduada em Medicina pela UNILUS- Faculdade de Ciências Médicas de Santos. Mestre e doutora em Ciências pela FMUSP. Atualmente, atua como Médica assistente da unidade de Reumatologia do Instituto da Criança-Hospital das Clínicas- da Faculdade de Medicina da USP- FMUSP e faz parte do corpo clínico da EV Citi e do Hospital Sírio Libanês.
A EVCITI Terapia Assistida pertence ao Grupo Cita (Centros Integrados de Terapias Assistidas), uma holding referência em todo Brasil para tratamentos de doenças raras e autoimunes composta por cinco clínicas, IBIS, Novaclin e Cliagen, em Salvador e EVCITI e Quiron, em São Paulo elencadas no core business: neuroimunologia, reumatologia, dermatologia e gastroenterologia.

