Cardiopatias Congênitas Atingem cerca de 30 mil Bebês por Ano no Brasil

As cardiopatias congênitas, que são malformações na estrutura do coração presentes desde o nascimento, segue como um dos principais desafios da saúde infantil no Brasil.

 Estima-se que cerca de 1 a cada 100 bebês nasçam com algum tipo de condição, o que representa aproximadamente 30 mil novos casos por ano no país.

“As cardiopatias congênitas abrangem desde alterações simples, que podem não causar sintomas relevantes, até quadros complexos que exigem intervenção imediata após o nascimento. O ponto central é o diagnóstico precoce, que impacta diretamente nas chances de sobrevida e na qualidade de vida desses pacientes”, afirma o cirurgião cardiovascular Renato Kalil.

De acordo com o Ministério da Saúde, a incidência varia entre 8 e 10 casos a cada mil nascidos vivos, tornando as cardiopatias congênitas as malformações mais frequentes ao nascimento . Além disso, a condição figura entre as principais causas de mortalidade neonatal, sendo responsável por uma parcela significativa dos óbitos infantis relacionados a anomalias congênitas .

Apesar da gravidade, especialistas destacam que grande parte dos casos pode ter evolução favorável quando diagnosticada e tratada precocemente. Ainda assim, uma parcela significativa dos pacientes necessita de intervenção cirúrgica logo nos primeiros meses de vida.

“A identificação ainda no pré-natal permite organizar toda a linha de cuidado, desde o parto até a intervenção, quando necessária. Quando a correção cirúrgica é realizada no momento adequado, conseguimos recuperar cerca de 95% das crianças para uma vida ativa. Por outro lado, quando não tratadas, as cardiopatias congênitas podem levar a óbito em até 50% dos casos ainda no primeiro ano de vida e em cerca de 80% até os cinco anos de idade”, acrescenta o especialista.

Entre os principais fatores de risco estão condições maternas como diabetes, hipertensão, infecções durante a gestação, além de fatores genéticos e histórico familiar .

Mesmo com os avanços da medicina, especialistas alertam para a importância da conscientização. Muitas cardiopatias podem não apresentar sintomas evidentes nos primeiros dias de vida, o que reforça a relevância de exames de triagem, como o teste do coraçãozinho, realizado ainda na maternidade.

Com acompanhamento adequado, uma parcela crescente de pacientes com cardiopatias congênitas chega à vida adulta, embora ainda necessite de monitoramento contínuo ao longo da vida.

“A cardiopatia congênita deixou de ser uma condição exclusivamente pediátrica. Hoje, temos um número cada vez maior de adultos vivendo com essas alterações, o que exige acompanhamento especializado permanente”, conclui o especialista.

Fonte: Dr. Renato Kalil é Professor Titular do Departamento de Clínica Cirúrgica da UFCSPA e Professor Emérito do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde: Cardiologia, da Fundação Universitária de Cardiologia/Instituto de Cardiologia do RS. É referência nacional em Cirurgia Cardiovascular e Cardiopatias Congênitas, atuando no Hospital Moinhos de Vento, Hospital Divina Providência e Hospital Mãe de Deus, em Porto Alegre.

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