Cólica em Bebê

 8 mitos e verdades sobre o choro frequente

Nem todo choro intenso é cólica. Fisioterapeuta pediátrico explica o que observar, o que pode aliviar e quando buscar ajuda

O bebê chora, fica vermelho, se contorce, puxa as perninhas e nada parece acalmar. Para muitos pais, a primeira suspeita é cólica. Mas nem todo choro forte tem a mesma causa. Gases, dificuldade para fazer cocô, prisão de ventre e desconfortos da rotina também podem deixar o neném irritado.

De acordo com Icaro Ramalho (@dr.icaroramalho), fisioterapeuta pediátrico, um dos principais erros é tratar qualquer desconforto como cólica. “Se o bebê está chorando, se contorcendo, se espremendo, todo mundo acha que é cólica. Mas não é bem assim”, explica. Segundo ele, gases, dificuldade para fazer cocô, prisão de ventre e cólica podem se parecer nos primeiros meses, mas têm sinais diferentes.

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) também reforça que o choro faz parte do desenvolvimento neurológico e comportamental do lactente e pode estar ligado à fome, frio, calor, fralda suja e outros desconfortos do dia a dia. A suspeita de cólica aumenta quando essas causas são descartadas e o choro continua intenso, recorrente e difícil de consolar.

A seguir, Icaro Ramalho explica o que é mito e o que é verdade.

  1. Todo choro forte é cólica

Mito.

O bebê pode chorar por muitos motivos. Pode ser fome, sono, frio, calor, fralda suja, gases, dificuldade para fazer cocô ou cansaço depois de um dia cheio de estímulos.

Na cólica, o choro costuma ser mais intenso, prolongado e difícil de consolar. Segundo Icaro, é aquele choro em que colo, peito, chupeta ou tentativa de colocar para dormir não costumam resolver durante o pico da crise.

  1. A cólica costuma aparecer nas primeiras semanas de vida

Verdade.

As crises podem surgir ainda nas primeiras semanas. Segundo o fisioterapeuta, muitos nenéns apresentam episódios por volta da segunda ou terceira semana de vida, com piora mais comum entre a quarta e a sexta semana. Depois, a tendência é melhorar com o amadurecimento da criança. 

  1. Se o bebê solta pum e melhora, pode não ser cólica

Verdade.

O que acontece depois do desconforto ajuda a entender melhor a situação. Se o pequeno se contorce, chora, solta pum e relaxa logo em seguida, o incômodo pode estar mais relacionado aos gases.

Icaro explica que esse antes e depois é uma pista importante. O mesmo vale quando o neném parece sofrer para fazer cocô e melhora depois que consegue.

  1. Cólica e dificuldade para fazer cocô são a mesma coisa

Mito.

Podem parecer parecidas, mas não são. Quando o bebê faz força principalmente na hora de fazer cocô e relaxa depois que as fezes saem, pode ser disquesia, uma dificuldade de coordenação comum nos primeiros meses.

Se o cocô está duro, ressecado, em bolinhas ou causa dor, pode ser prisão de ventre. Segundo o especialista, são situações diferentes e, por isso, precisam de orientações diferentes.

  1. Colo, ambiente calmo e posição podem ajudar

Verdade.

Alguns cuidados podem trazer conforto. Icaro orienta que a família observe o padrão do choro, os horários em que ele aparece, se há gases, dificuldade para fazer cocô, tensão corporal ou dificuldade para relaxar.

A partir disso, o fisioterapeuta pediátrico pode orientar posições, mobilidade suave, massagens específicas e ajustes na rotina. Em casa, vale reduzir os estímulos no fim do dia, acolher o neném no colo e observar quais posições parecem trazer mais conforto.

  1. Remédio, troca de fórmula ou restrição alimentar resolvem qualquer cólica

Mito.

A aflição dos pais é compreensível, mas Icaro alerta que medicar todo choro como cólica pode atrasar a orientação correta. Quando o desconforto vem de gases, disquesia, prisão de ventre ou outro motivo, a família precisa primeiro entender o que está acontecendo com a criança.

  1. Fisioterapia pediátrica pode ajudar

Verdade.

A fisioterapia pediátrica pode ajudar quando há tensão corporal, dificuldade de relaxar, desconforto para eliminar gases ou sinais de que o lactente precisa de uma avaliação mais individualizada.

Icaro reforça que não existe uma única causa para a cólica e que também não existe uma técnica milagrosa que resolva tudo. O trabalho, segundo ele, é observar o comportamento do bebê, ouvir a família, diferenciar cólica de outros desconfortos e orientar medidas de conforto de acordo com cada caso.

  1. Alguns sinais indicam que pode não ser só cólica

Verdade.

A cólica costuma acontecer em bebês que mamam, ganham peso e ficam bem fora das crises. Quando algo foge desse padrão, a avaliação com o pediatra é importante.

Febre, vômitos persistentes, sangue nas fezes, barriga muito distendida, recusa das mamadas, baixo ganho de peso, prostração ou choro diferente do habitual devem ser avaliados. 

Resumo para os pais

A cólica pode acontecer nos primeiros meses, mas nem todo choro é cólica. Observar horário, duração, intensidade, gases, cocô, mamadas e comportamento depois da crise ajuda a entender melhor o que está acontecendo. Quando houver dúvida, sinais de alerta ou sofrimento intenso da família, buscar orientação é sempre o melhor caminho.

Fonte: Icaro Ramalho é fisioterapeuta pediátrico formado pela Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC), com pós-graduação em Osteopatia pela Escola Brasileira de Fisioterapia Manipulativa (EBRAFIM).
Atua em Petrolina (PE) com foco no atendimento de bebês e crianças com torcicolo congênito, assimetrias cranianas e alterações do desenvolvimento motor. É criador do Método TMAP – Terapia Manual Avançada Pediátrica, voltado à capacitação de fisioterapeutas para o tratamento dessas condições.

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