Por que dormir bem é essencial para o desenvolvimento

Dormir bem vai muito além do descanso. Durante o sono, o organismo da criança realiza processos fundamentais para o crescimento, o desenvolvimento cerebral, o fortalecimento do sistema imunológico e o equilíbrio emocional. Quando o sono ocorre em quantidade insuficiente ou com baixa qualidade, os impactos podem aparecer tanto no comportamento quanto na saúde física.
Segundo o médico otorrinolaringologista Francisco Leite dos Santos, muitas alterações do sono na infância passam despercebidas porque nem sempre a criança demonstra sonolência evidente durante o dia. “Em crianças, a privação de sono frequentemente se manifesta como irritabilidade, agitação, dificuldade de concentração e alterações de comportamento, e não apenas como cansaço”, explica.
A infância é um período de intenso desenvolvimento neurológico, e durante determinadas fases do sono, especialmente as mais profundas, ocorre mais liberação do hormônio do crescimento, além da consolidação da memória e da organização das conexões cerebrais relacionadas à aprendizagem. Quando a criança dorme menos do que o necessário ou apresenta um sono fragmentado, ou seja, interrompido repetidamente ao longo da noite, esses processos podem ser impactados.
As consequências de um sono ruim na infância podem incluir dificuldade de atenção, pior desempenho escolar, irritabilidade, alterações de humor e redução da capacidade de aprendizagem. O sono inadequado também pode interferir no funcionamento do sistema imunológico. Além disso, o sono participa do equilíbrio metabólico e hormonal do organismo, desempenhando papel importante na regulação de diferentes funções do corpo.
Vale ressaltar que problemas respiratórios durante o sono também merecem atenção. Nariz constantemente entupido, ronco frequente, respiração pela boca e sono agitado podem indicar dificuldade respiratória noturna, situação que reduz a qualidade do descanso mesmo quando a criança permanece muitas horas na cama.
O que pode ajudar a criança a dormir melhor?
Algumas medidas simples ajudam significativamente na qualidade do sono infantil, como o controle adequado da umidade do ambiente, higiene nasal quando indicada e redução do acúmulo de poeira e ácaros no quarto, incluindo excesso de pelúcias, são orientações importantes, especialmente para crianças com rinite alérgica.
Mas um dos pontos mais importantes, e muitas vezes negligenciado, é a regularidade da rotina de sono. “O cérebro da criança funciona de maneira muito organizada em relação ao sono. Horários irregulares para dormir e acordar dificultam o funcionamento adequado do relógio biológico”, explica dr. Francisco Leite.
Por esse motivo, manter horários relativamente consistentes para dormir e despertar ajudam o organismo a reconhecer os períodos de sono e vigília, favorecendo um adormecimento mais rápido e um sono mais profundo e restaurador.
Outro cuidado importante é reduzir a exposição a telas próximo ao horário de dormir, já que a luz emitida por celulares, tablets, computadores e televisores podem interferir na produção de melatonina, hormônio relacionado ao início do sono. Também é recomendável evitar atividades muito estimulantes perto da hora de dormir e criar um ambiente mais tranquilo, escuro e silencioso durante a noite.
A prática regular de atividade física ao longo do dia, alimentação equilibrada e exposição à luz natural pela manhã também contribuem para melhor regulação do ciclo do sono. Mas vale lembrar que cada faixa etária possui recomendações diferentes de duração do sono. Crianças menores precisam dormir mais horas do que adolescentes, e a qualidade desse sono é tão importante quanto a quantidade.
Quando sintomas como ronco frequente, pausas respiratórias, despertares constantes, dificuldade para dormir ou sonolência excessiva persistem, a avaliação médica é importante para investigar possíveis distúrbios do sono e orientar o tratamento adequado. “O sono é parte essencial do desenvolvimento infantil. Muitas vezes, melhorar a qualidade do sono significa melhorar também comportamento, aprendizado, disposição e qualidade de vida da criança”, conclui dr. Francisco Leite dos Santos.
Fonte: médico otorrinolaringologista Francisco Leite dos Santos

