Sono Infantil: Uso de Telas antes de Dormir Precisa ser Evitado

O médico pediatra alerta que dormir bem é fundamental para o pleno desenvolvimento físico, cognitivo e emocional, mas o celular e outros aparelhos eletrônicos se tornaram um grande desafio para a qualidade do sono das crianças

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O sono desempenha um papel vital no desenvolvimento físico, cognitivo e emocional das crianças. Mas estabelecer uma rotina saudável na era digital tem se tornado um desafio crescente para muitas famílias. Para orientar mães, pais e cuidadores, a Academia Americana de Medicina do Sono reforça a importância da chamada Higiene do Sono — um conjunto de hábitos e condições ambientais que promovem um descanso de qualidade e previnem distúrbios na infância. O médico pediatra Antonio Carlos Turner alerta para o perigo do uso de telas antes de dormir.

“Um dos maiores vilões do sono infantil na atualidade é a exposição eletroeletrônica tardia. O uso de televisão, videogames, celulares e tablets deve ser totalmente interrompido pelo menos duas horas antes do horário de dormir. A luz branco-azulada emitida por essas telas inibe diretamente a secreção de melatonina, o hormônio responsável por sinalizar ao corpo que é hora de descansar. A eliminação desses estímulos visuais e cognitivos no fim do dia é fundamental para reduzir o período de alerta da criança e diminuir a frequência de despertares ao longo da noite”, diz o coordenador técnico da rede de clínicas Total Kids, com unidades no Rio de Janeiro.

Criar um ritual de sono eficiente é fundamental para a saúde e bem-estar dos pequenos.

“Para facilitar a transição para o descanso, a recomendação é substituir as brincadeiras estimulantes por atividades repetitivas e tranquilas na cama, como a leitura de uma história ou uma conversa em voz baixa. A prática regular de exercícios físicos também é altamente incentivada, desde que concentrada durante o dia e evitada no período da noite”, observa Turner.

De acordo com as diretrizes médicas, a base para um sono saudável passa também pela regularidade. Estabelecer horários fixos para deitar e acordar ajuda a regular o relógio biológico da criança. Outro ponto importante é o manejo correto das sonecas diurnas: para crianças que fazem dois cochilos ao dia, orienta-se manter um intervalo de pelo menos quatro horas antes do sono noturno; já para aquelas que fazem apenas um cochilo à tarde, esse intervalo deve ser de seis horas, garantindo que a criança chegue à noite com o nível ideal de sonolência.

Mas o que fazer quando a criança não dorme bem ou sofre de insônia?

“Embora as mudanças de hábito sejam o primeiro e mais eficaz passo, há casos em que a abordagem não farmacológica não é suficiente. Em situações específicas — especialmente quando associadas a comorbidades clínicas, psiquiátricas ou transtornos do neurodesenvolvimento (como o Transtorno do Espectro Autista) —, o uso de suporte farmacológico pode ser indicado sob estrita supervisão médica. Substâncias como a melatonina (reguladora do início do sono) ou determinados anti-histamínicos e hipnóticos podem ser utilizados pelo pediatra de forma criteriosa e personalizada para cada paciente. A automedicação, contudo, é fortemente contraindicada”, alerta o médico pediatra Antonio Carlos Turner.

Fonte: Dr .Antonio Carlos Turner – Médico pediatra e Coordenador da Rede de Clínicas Total Kids – Extensão e aperfeiçoamento com clerkship na University of Texas Health Science Center (EUA) CRM 52-46851-4 RQE 49635.

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