Férias Escolares

Férias escolares: como reduzir o tempo de tela das crianças durante as férias sem gerar conflitos

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Especialista explica como criar uma rotina equilibrada de forma leve e respeitosa

Com a chegada das férias escolares, a rotina das crianças muda completamente. Sem os horários da escola e, muitas vezes, com os pais conciliando trabalho e cuidados com os filhos, celulares, tablets, videogames e televisão acabam ocupando um espaço ainda maior no dia a dia. O desafio, porém, é encontrar um equilíbrio que preserve os momentos de lazer sem que o excesso de telas domine o período de descanso. 

Segundo a psicóloga Ana Cristina Vasconcellos, coordenadora do curso de Psicologia da Faculdade Anhanguera, o primeiro passo é compreender que o uso das telas não precisa ser encarado como um inimigo, mas sim como um recurso que deve ser utilizado com limites bem definidos. 

“O problema não está apenas no tempo diante das telas, mas no que deixa de acontecer por causa dele. Quando a criança passa muitas horas conectada, ela reduz oportunidades importantes de brincar livremente, movimentar o corpo, conviver com outras pessoas e desenvolver habilidades socioemocionais”, explica. 

Para que essa mudança aconteça de forma saudável, a especialista ressalta que é importante evitar medidas radicais. Segundo ela, mudanças bruscas costumam gerar resistência e, por isso, retirar os dispositivos de forma repentina ou impor regras rígidas pode aumentar os conflitos familiares. 

“Durante as férias, a palavra-chave é negociação. Quando a criança participa da construção da rotina, entende melhor os combinados e tende a colaborar mais. O diálogo costuma ser mais eficaz do que punições ou proibições”, afirma. 

Esse diálogo também deve ser acompanhado de uma rotina minimamente organizada. A psicóloga destaca que, embora as férias representem uma pausa nas obrigações escolares, manter alguma organização ao longo do dia ajuda a reduzir o uso automático das telas. Por isso, recomenda estabelecer horários aproximados para acordar, fazer refeições, brincar, descansar e utilizar dispositivos eletrônicos. 

“Ter previsibilidade traz segurança para a criança. Ela sabe que haverá um momento para assistir a um desenho ou jogar videogame, mas também entende que existem outras atividades igualmente importantes.” 

Além de criar essa previsibilidade, é fundamental oferecer alternativas de lazer. Para Ana, um dos maiores erros é retirar a tela sem propor outra atividade para a criança, o que tende a gerar frustração. 

“A criança dificilmente deixará um estímulo tão atrativo se não encontrar algo interessante para ocupar aquele espaço. É importante que os adultos proponham experiências que despertem curiosidade e prazer.” 

Outro cuidado importante é não transformar o acesso aos dispositivos em moeda de troca para controlar o comportamento. “Quando a tela vira prêmio por bom comportamento ou punição por algo negativo, ela ganha ainda mais valor emocional. Isso pode aumentar o desejo da criança e tornar os limites mais difíceis de serem respeitados”, explica Ana Cristina. 

Em vez disso, ela orienta que o tempo de tela seja tratado como parte natural da rotina, com regras claras e consistentes. A especialista também chama a atenção para um fator que costuma ser decisivo nesse processo: o comportamento dos próprios adultos. 

Ainda nesse sentido, é importante que os pais estabeleçam um tempo de qualidade com os pequenos, mesmo que não seja o tempo ideal que você gostaria de dedicar as crianças. Aproveitar o tempo em casa para atividades com a família sempre é muito especial, afinal é um período que passa bem rápido. 

“É difícil pedir que uma criança largue o celular quando os adultos permanecem conectados durante boa parte do tempo. O exemplo continua sendo uma das ferramentas educativas mais importantes”, conclui. 

A infância é uma fase breve e marcada por descobertas que não se repetem. Por isso, especialistas reforçam que cada momento de conexão entre adultos e crianças faz diferença. E nem é preciso esperar pela ocasião perfeita, alguns minutos brincando, cozinhando juntos ou simplesmente compartilhando risadas já podem representar um tempo de qualidade. Afinal, a infância passa rápido, mas as experiências vividas em família permanecem na memória.

Fonte: Fundada em 1994, a Anhanguera oferece para jovens e adultos uma infraestrutura moderna, ensino de excelência e um portfólio diversificado com mais de 47 cursos de graduação presenciais, 43 semipresenciais e 96 na modalidade a distância, além de pós-graduações, cursos livres, profissionalizantes, técnicos, EJA e preparatórios, com destaque para o Intensivo da OAB.

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