Sono seguro ajuda a reduzir o risco de morte súbita em bebês

Especialista da Pro Matre Paulista reforça cuidados simples que devem fazer parte da rotina das famílias desde os primeiros dias de vida
A chegada de um bebê transforma a rotina da casa e, junto com ela, surgem dúvidas sobre banho, amamentação, visitas, choros e, principalmente, sono. Mas um ponto ainda pouco discutido com a atenção necessária é a prevenção da síndrome da morte súbita do lactente, condição que ocorre de forma inesperada, geralmente durante o sono, em bebês menores de um ano. Embora nem todos os casos possam ser previstos, medidas simples de segurança ajudam a reduzir riscos e devem ser orientadas desde a maternidade.
De acordo com a Dra. Monica Fráguas, neonatologista da Pro Matre Paulista, as principais recomendações para que o bebê durma em segurança é, o bebê deve ser colocado para dormir de barriga para cima. Durante o dia, quando o bebê estiver acordado, deve ser colocado algumas vezes de barriga para baixo, por alguns minutos, mas sempre sob supervisão total. Nunca deixar o bebê sozinho de lado ou de barriga para baixo.
“Dormir de barriga para cima é uma orientação simples, mas extremamente importante. Muitas famílias ainda recebem informações antigas ou contraditórias, por isso é fundamental reforçar que essa é a posição mais segura para o bebê dormir”, explica a médica.
Outro cuidado essencial é o ambiente onde o bebê dorme. O ideal é que ele durma em um colchão firme, superfície plana e lençol bem ajustado. Travesseiros, cobertores soltos, almofadas, protetores de berço, bichos de pelúcia e outros objetos devem ser retirados, pois podem aumentar o risco de sufocamento ou dificultar a respiração.
A recomendação também inclui manter o bebê no mesmo quarto dos pais nos primeiros meses de vida. O compartilhamento do quarto facilita a amamentação, a observação e os cuidados noturnos. O compartilhamento da cama é algo muito mais comum do que se imagina mas, em geral, as mães não falam por medo de serem criticadas. Na verdade, hoje se sabe que o compartilhamento da cama, quando feito da forma correta e cuidadosa, pode facilitar a amamentação sem colocar o bebê em risco. Algumas situações contraindicam o compartilhamento da cama: pais muito cansados, uso de medicamentos sedativos pelos pais, uso de álcool, tabaco, drogas, dormir em sofás, poltronas ou superfícies fofas. Bebês prematuros também não devem compartilhar a cama com seus pais. Mas converse sempre com seu pediatra sobre o assunto para saber qual a recomendação para o seu caso específico.
A temperatura também merece atenção. Superaquecer o bebê, usar muitas camadas de roupa ou cobrir o rosto durante o sono pode trazer riscos. A orientação é vestir a criança de forma adequada ao clima, sem exageros, mantendo boca e nariz sempre livres. O ambiente deve ser confortável, ventilado e livre de fumaça de cigarro. A exposição ao tabaco durante a gestação e após o nascimento é considerada um fator de risco importante para mortes relacionadas ao sono.
A amamentação, quando possível, também está associada à proteção do bebê. Além dos benefícios nutricionais e imunológicos, o aleitamento materno integra o conjunto de medidas de cuidado nos primeiros meses de vida. Para a especialista, no entanto, esse ponto precisa ser tratado com acolhimento, especialmente quando a lactante enfrenta dificuldades.
“Amamentar pode ser um fator protetor, mas a mulher precisa de apoio, não de cobrança. Quando há dor, fissuras, insegurança ou dificuldade de pega, o melhor caminho é buscar orientação especializada”, destaca a neonatologista.
A prevenção passa ainda por consultas regulares, vacinação em dia, acompanhamento do ganho de peso e atenção especial a bebês prematuros ou com histórico de internação neonatal. Nesses casos, a orientação individualizada é ainda mais importante, já que cada bebê pode ter necessidades específicas no período de adaptação em casa.
Mais do que uma lista de regras, o sono seguro deve ser entendido como parte do cuidado integral com o recém-nascido. É, também, importante saber que o bebê não funciona como um reloginho. Pode ser que ele queira mamar com uma frequência maior, sem que isso deva ser encarado como um problema. O bebê pode mamar 8 a 12 vezes ao dia, é normal. E na primeira semana de vida, não fazer intervalos maiores do que 3 horas. Orientações claras, rede de apoio e acompanhamento profissional ajudam a família a criar uma rotina mais tranquila, segura e baseada em informação de qualidade. Prevenir começa nos detalhes: posição correta, berço adequado, ambiente livre de riscos e cuidadores bem orientados.
Fonte: Dra. Monica Fráguas, neonatologista da Pro Matre Paulista – A Pro Matre reúne serviços especializados em obstetrícia, gestações de alto risco, medicina fetal, neonatologia, imunização, terapia intensiva e ginecologia, inclusive cirurgia robótica. Sua estrutura conta com unidade neonatal, UTI adulto e unidade semi-intensiva, assegurando cuidado integral em todas as etapas da gestação e do pós-parto.

