Endometrioma Acende Alerta para a Endometriose

Endometrioma acende alerta para a endometriose e reforça a importância do cuidado integral à saúde da mulher

Especialista explica por que o tratamento com o DIU liberador de levonorgestrel pode não ser a melhor opção em casos de endometrioma e destaca a importância do acompanhamento individualizado

A endometriose é frequentemente lembrada pelas cólicas intensas e pelas dificuldades para engravidar, mas seus impactos vão além dos sintomas menstruais. A doença, que afeta cerca de uma em cada dez mulheres em idade reprodutiva no mundo, também pode atingir os ovários e provocar o chamado endometrioma, um cisto associado à presença de tecido semelhante ao endométrio nesse órgão. 

O endometrioma pode causar dores pélvicas, cólicas menstruais intensas, desconforto durante as relações sexuais e dificuldades reprodutivas, embora algumas mulheres não apresentem sintomas evidentes. Sua identificação exige avaliação médica e exames de imagem. A presença de um cisto, porém, não significa necessariamente câncer: existem diferentes tipos de cistos ovarianos, e a investigação deve considerar suas características e a história clínica da paciente. 

Um estudo publicado em 2024 no JAMA (Journal of the American Medical Association), uma das principais revistas científicas da área médica, identificou associação entre endometriose e maior risco de câncer de ovário. A pesquisa, que analisou dados de mais de 450 mil mulheres nos Estados Unidos, encontrou risco aproximadamente 4,2 vezes maior entre aquelas com endometriose. Nos casos de endometriose profunda e/ou endometriomas ovarianos, a estimativa chegou a 9,7 vezes. Os resultados não significam que o endometrioma seja um sinal de câncer, nem comprovam uma relação de causa e efeito, mas reforçam a importância do acompanhamento individualizado. 

“Estamos avançando na compreensão da endometriose, que deixou de ser vista apenas como uma condição ginecológica e passou a ser discutida de forma mais ampla, considerando a saúde física, emocional e reprodutiva da mulher. A dor persistente não deve ser naturalizada, e o diagnóstico adequado é fundamental para definir a melhor estratégia de cuidado”, afirma o ginecologista e obstetra da Clínica Ginelife, Dr. Marcos Tcherniakovsky, diretor de comunicação da Sociedade Brasileira de Endometriose (SBE). 

O tratamento depende do tipo e da localização das lesões, da intensidade dos sintomas, da idade da paciente, da reserva ovariana e do desejo de engravidar. Medicamentos hormonais podem ajudar a controlar a dor e a atividade da doença, mas não eliminam necessariamente as lesões já existentes. Em determinadas situações, a cirurgia pode ser considerada, sempre ponderando os benefícios e os possíveis impactos sobre a função ovariana. 

Entre as opções para o controle dos sintomas estão os tratamentos hormonais. Em maio de 2025, o Ministério da Saúde incorporou ao Sistema Único de Saúde (SUS) o dispositivo intrauterino (DIU) liberador de levonorgestrel para pacientes com endometriose que tenham contraindicação ou não adesão aos contraceptivos orais combinados, conforme os critérios do protocolo clínico. A opção amplia as possibilidades terapêuticas, mas não é indicada indistintamente para todos os casos.

“Para pacientes com endometrioma, que é a endometriose localizada no ovário, não preconizamos o DIU hormonal como tratamento da lesão. O dispositivo atua principalmente no útero e não garante a supressão da ovulação em todas as mulheres. A indicação precisa considerar o tipo de endometriose, os sintomas e as características de cada paciente”, esclarece o médico. O acompanhamento regular, portanto, continua sendo essencial para avaliar a resposta ao tratamento e ajustar a conduta quando necessário.
 

Fonte; ginecologista e obstetra da Clínica Ginelife, Dr. Marcos Tcherniakovsky, diretor de comunicação da Sociedade Brasileira de Endometriose (SBE). Médico Responsável pelo Setor de Vídeo-endoscopia Ginecológica e Endometriose da Faculdade de Medicina da Fundação do ABC. Membro da comissão de especialidades na área de Endometriose pela Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO)

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