A Fertilização in Vitro é Infalível? Conheça Motivos e Soluções para Falhas no Procedimento

A Fertilização in Vitro é infalível? Conheça motivos e soluções para falhas no procedimento

A Fertilização in Vitro (FIV) é uma das principais soluções para que casais que sofrem com infertilidade possam ter filhos. “A Fertilização in Vitro consiste na coleta dos óvulos e espermatozoides do casal para serem fecundados em laboratório, formando o embrião que, após certo tempo de desenvolvimento, é transferido para o útero da mulher”, explica o ginecologista obstetra Dr. Fernando Prado, especialista em Reprodução Humana, Membro da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM) e diretor clínico da Neo Vita. Mas, ao contrário do que muitos pensam, a Fertilização in Vitro, apesar de possuir altas taxas de sucesso, não é infalível e pode não resultar em gravidez, o que pode ser realmente decepcionante para o casal tentante. Porém, falhas na FIV não querem dizer que o procedimento não pode ser realizado novamente. É perfeitamente possível fazer uma nova tentativa de fertilização, com a adoção de novas estratégias, após o diagnóstico do motivo da falha, que podem ser diversos:

Fatores Maternos:

De acordo com o especialista, um dos principais fatores que podem interferir no sucesso da Fertilização In Vitro é a idade da mulher, visto que, quanto mais velha, menor é a qualidade do óvulo e, consequentemente, sua chance de gerar uma gravidez. É por esse motivo que o congelamento de óvulos é encorajado para mulheres que já têm planos de engravidar após os 35 anos de idade, já que, uma vez congelada, a célula para de envelhecer e mantém sua viabilidade. “Outro motivo das falhas na FIV por parte da mulher está relacionado a receptividade endometrial, ou seja, é, quando o endométrio, mucosa que reveste o útero, não está preparado para receber o embrião, o que geralmente é causado por doenças e alterações uterinas como endometriose, trombofilias, adenomiose e condições autoimunes”, diz o médico.

Fatores paternos:

Assim como o óvulo, os espermatozoides também devem ser de boa qualidade para garantir o sucesso da Fertilização In Vitro, afinal, compõem 50% do embrião. “Os espermatozoides podem apresentar alterações no DNA, na motilidade e na quantidade, resultando assim em embriões de baixa qualidade que podem falhar na implantação ou levar a abortos”, diz o especialista.

Fatores embrionários:

Mesmo com óvulos e espermatozoides de boa qualidade, ainda é preciso avaliar a viabilidade dos embriões formados após a fecundação em laboratório. “Para que consiga se implantar corretamente no endométrio e assim se desenvolver, o embrião deve ter uma boa qualidade embrionária, com um número de células adequado para o estágio de desenvolvimento e pouca fragmentação”, afirma o Dr. Fernando.

Fatores externos:

O processo de implantação do embrião no útero é uma das partes mais importantes de toda a Fertilização in Vitro. Logo, se não realizado corretamente, com o embrião sendo devidamente inserido no útero, as chances de gravidez são muito reduzidas. “Por isso, é importante buscar profissionais especializados em reprodução humana para garantir que todos os exames e procedimentos serão realizados de maneira correta e segura, assim aumentando os índices de sucesso”, diz o médico, que ainda ressalta a importância de um estilo de vida saudável para garantir que a fertilização in vitro e a gestação em si ocorram sem complicações, já que maus hábitos como tabagismo, má alimentação e consumo de álcool podem interferir na fertilidade, na qualidade das células reprodutivas e no desenvolvimento do embrião e do feto.

E as soluções?

Após solicitar uma série de exames para identificar a causa da falha na Fertilização In Vitro realizada previamente, o médico poderá recomendar estratégias adequadas de acordo com cada caso. “Por exemplo, caso o problema esteja na qualidade ou quantidade dos óvulos ou espermatozoides, o casal pode optar por usar os gametas previamente congelados, caso existam, ou óvulos e espermatozoides provenientes de doadores anônimos”, aponta o especialista. Já as alterações uterinas e outras doenças da mulher que possam atrapalhar a implantação do embrião devem ser tratadas caso a caso antes da nova tentativa. E, em última instância, o casal também pode optar pelo útero de substituição, no qual outra mulher é escolhida para gerar o embrião, sem fins lucrativos. “Por fim, a questão da qualidade embrionária pode ser solucionada graças ao avanço das tecnologias e pesquisas na área, já que hoje já é possível avaliar o material genético dessas células para selecionar apenas as melhores para serem transferidas no útero. Além disso, atualmente podemos cultivar os embriões em laboratório até que atinjam um estágio mais avançado, o que faz com que tenham mais chances de sobreviver após a transferência”, finaliza o Dr. Fernando Prado.

Dr. Fernando Prado

Médico ginecologista, obstetra e especialista em Reprodução Humana. É diretor clínico da Neo Vita e coordenador médico da Embriológica. Douto...

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