Bianca Andrade aposta no diálogo com o filho e especialista explica como isso influencia o desenvolvimento emocional

Reprodução Instagram
A maneira como os pais conversam com os filhos pode fazer diferença na construção da relação familiar desde os primeiros anos de vida. Foi justamente essa experiência que Bianca Andrade compartilhou com seus seguidores nesta terça-feira (3), ao contar como desenvolveu uma relação baseada no diálogo com Cris, seu filho com Fred Bruno.
Em um vídeo publicado no Instagram, a empresária explicou que sempre procurou conversar com o menino, mesmo quando ele ainda era bebê, explicando situações do cotidiano e os motivos por trás de determinadas orientações. Segundo ela, essa escolha acabou criando uma dinâmica de confiança entre os dois.
Um dos exemplos compartilhados por Bianca arrancou comentários pela espontaneidade: ao pedir um brigadeiro, Cris não fez birra nem insistiu no pedido. Em vez disso, apresentou um argumento para lembrar à mãe que ela havia prometido o doce antes de irem embora.
A situação, embora divertida, chama atenção para uma questão importante no desenvolvimento infantil. Para a neurocientista e analista emocional especialista em traumas Telma Abrahão, conversar com uma criança não significa apenas explicar o que ela pode ou não fazer, mas ajudá-la a compreender o mundo, reconhecer sentimentos e desenvolver recursos emocionais. “Quando os pais conversam com os filhos desde pequenos, estão ensinando muito mais do que palavras. Estão mostrando que aquela criança tem espaço para se expressar, fazer perguntas, apresentar suas ideias e ser ouvida. Isso contribui para a construção de uma relação de confiança. A criança começa a perceber que não precisa recorrer ao grito ou à birra para conseguir a atenção dos pais, porque existe um canal de comunicação aberto entre eles”, explica Telma.
A especialista ressalta, porém, que diálogo não significa ausência de autoridade ou de limites. Uma criança pode ser ouvida, ter seus sentimentos respeitados e, ainda assim, receber um não. A diferença está na maneira como o adulto conduz essa situação. “Existe uma confusão muito grande entre educar com respeito e deixar a criança fazer tudo o que deseja. Não é a mesma coisa. Os limites continuam sendo necessários, mas podem ser estabelecidos sem humilhação, ameaças ou gritos. Quando explicamos o motivo de uma decisão, ajudamos a criança a desenvolver compreensão, e não apenas obediência pelo medo. Educar também é preparar essa criança para fazer escolhas e lidar com frustrações”, pontua.
Outro aspecto que chamou atenção no relato de Bianca foi o reconhecimento de que nem sempre consegue agir conforme aquilo que acredita. A influenciadora admitiu que, em alguns momentos, perde a paciência e depois se arrepende da própria reação.
Para Telma, essa percepção é importante porque a educação emocional dos filhos também passa pela capacidade dos pais de reconhecerem e administrarem suas próprias emoções. “Os pais não precisam ser perfeitos, e essa cobrança pode até aumentar o sentimento de culpa e o esgotamento. O que precisamos entender é que nossos filhos aprendem muito mais com aquilo que vivenciam do que com os discursos que fazemos. Se eu grito quando estou frustrada, por exemplo, estou ensinando uma maneira de lidar com a frustração. Mas, se consigo reconhecer que exagerei, pedir desculpas e tentar fazer diferente, também estou ensinando algo muito valioso. A criança precisa ter a oportunidade de aprender com adultos que também estão em processo de evolução”, afirma.
A neurocientista lembra ainda que experiências emocionais vividas na infância podem acompanhar uma pessoa por muitos anos. Por isso, a construção de um ambiente em que a criança se sinta respeitada, protegida e emocionalmente segura merece atenção desde cedo. “Não estamos falando de criar crianças que nunca vão se frustrar ou contrariar os pais. Estamos falando de crianças que possam crescer sabendo que suas emoções importam, que existem limites e que os conflitos podem ser resolvidos sem medo. A infância é uma fase muito importante para a construção da nossa maneira de nos relacionarmos com o mundo. O que oferecemos emocionalmente aos nossos filhos hoje pode fazer diferença na forma como eles vão se relacionar consigo mesmos e com outras pessoas no futuro”, conclui Telma.
Fonte: neurocientista e analista emocional especialista em traumas Telma Abrahão

