No Dia Mundial e Nacional da Osteoporose, nutricionista do Centro Médico e Diagnóstico do HNIPO alerta sobre a importância de uma alimentação adequada para reverter a epidemia da doença, que já afeta mais de 10 milhões de brasileiros

Os cuidados com a saúde da população idosa costumam ser foco no Dia Mundial e Nacional da Osteoporose, celebrado em 20 de outubro. Mas um estudo recente realizado pelos cientistas da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp aponta uma mudança: a prevenção da doença pode começar no útero materno. Segundo dados da pesquisa, a restrição de proteínas na dieta durante a gestação pode causar osteoporose nos filhos ao atingirem idade avançada.
Hoje, mais de 10 milhões de brasileiros sofrem com a osteoporose, que é uma doença caracterizada pela perda acelerada de massa óssea e, frequentemente, silenciosa até que o primeiro trauma ocorra. Sinais sutis como perda de altura, postura mais curvada ou dor súbita nas costas muitas vezes são ignorados, mas podem indicar que fraturas na coluna já aconteceram. Com base neste achado, o papel das gestantes passa a ser fundamental para quebrar um ciclo que sobrecarrega o sistema de saúde brasileiro.
Essa descoberta é ainda mais relevante diante do acelerado envelhecimento da população brasileira. De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Reumatologia, o Brasil já conta com mais de 33 milhões de pessoas com 60 anos ou mais que convivem com a doença. As projeções indicam que, até 2030, esse grupo de risco pode ultrapassar a marca de 40 milhões de pessoas.
Além disso, o Ministério da Saúde estima que cerca de 50% das mulheres e 20% dos homens com idade igual ou superior a 50 anos sofrerão fraturas ao longo da vida, devido à osteoporose, gerando consequências graves sobre a morbidade, mortalidade e elevando drasticamente os custos em saúde pública.
Nutrição gestacional e monitoramento como políticas de prevenção
O estudo da Unicamp torna essencial o conceito de “programação fetal”, onde o ambiente intrauterino e, especificamente, o aporte nutricional de proteínas recebido pelo feto determinam a integridade e a reserva de sua massa óssea décadas depois.
Para a Dra. Denise Kunitake, Nutricionista do Centro Médico e Diagnóstico (CMD) do Hospital Nipo-Brasileiro (HNIPO), essa descoberta reforça a necessidade de um olhar mais atento à alimentação materna. “Os dados atuais da osteoporose mostram um cenário de epidemia silenciosa. O estudo da Unicamp vem comprovar que, para mudarmos essas estatísticas projetadas para o futuro, precisamos agir na base. É necessário garantir que a gestante tenha um acompanhamento profissional especializado em nutrição, com o aporte correto de proteínas, além das vitaminas e minerais essenciais. A saúde óssea do futuro brasileiro está sendo construída no pré-natal de hoje”, observa a especialista.
Além da prevenção a longo prazo iniciada na gestação, a Dra. Denise ressalta a importância do cuidado contínuo e da detecção precoce para a população em geral. “Tão importante quanto a nutrição preventiva é o acompanhamento diagnóstico. A realização periódica de exames que monitoram a saúde dos ossos, como a densitometria óssea, combinada a um plano nutricional individualizado, é o caminho mais seguro para identificar perdas de massa óssea antes que as fraturas aconteçam, garantindo autonomia e qualidade de vida na fase adulta e na terceira idade”, complementa.
Quais alimentos devem ser incluídos no prato da gestante?
Para apoiar a mudança de hábitos alimentares, a Dra. Denise destaca os principais alimentos que garantem o aporte proteico seguro e necessário durante a gravidez, combinando fontes animais e vegetais:
Proteínas de origem animal: carnes bovinas, suínas, peixes e aves completamente cozidas (sem interior rosado); ovos com gema e clara totalmente firmes; peixes bem cozidos ou assados; leite, iogurtes pasteurizados e queijos evitando os artesanais de leite cru ou queijos de mofo branco e azul, como brie e roquefort.
Proteínas de origem vegetal: leguminosas (feijões, lentilha, grão-de-bico, soja e derivados, como tofu), que ganham potência nutricional quando combinadas aos cereais (como o arroz).
“Na gravidez, o preparo é tão importante quanto o consumo do alimento. Todas as carnes e ovos devem ser consumidos muito bem cozidos, com gemas firmes. Já o consumo de leite e queijos não pasteurizados, ou peixes crus, deixa de ser recomendado para evitar infecções graves (listeriose, toxoplasmose e salmonela) que podem atravessar a placenta”, alerta a nutricionista.
“O cálcio (principalmente vindo de leite e derivados), magnésio (oleaginosas, sementes, folhas verdes escuras) e vitamina D (luz do sol, peixes, gema de ovo), são nutrientes essenciais para a saúde dos ossos, agindo em conjunto para fortalecer a absorção e a utilização de cálcio e contribuir para a manutenção da estrutura óssea ao longo da vida”, completa a nutricionista.
Neste 20 de outubro, o alerta é para que o acompanhamento nutricional de gestantes e o monitoramento ósseo preventivo sejam encarados não apenas como cuidados rotineiros, mas como uma das principais ferramentas contra a osteoporose e suas consequências devastadoras.
Fonte: CMD – O Centro Médico e Diagnóstico do Hospital Nipo-Brasileiro, localizado na Liberdade, iniciou suas atividades em 28 de abril de 1962 sob o nome de Setor de Assistência Médica, Higiene e Saúde, oferecendo uma completa e moderna infraestrutura para a realização de exames laboratoriais e de imagem. Alinhado ao compromisso histórico da instituição, que teve sua gestão assumida pelo HNIPO no período de 2008/2009, o centro investe constantemente na aquisição de novos equipamentos de ponta e em melhorias contínuas de sua infraestrutura tecnológica.

