Agosto Dourado: 11 Dúvidas sobre Amamentação

Agosto Dourado:especialista responde 11 dúvidas sobre amamentação

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A Semana Mundial da Amamentação será celebrada de 1º a 7 de agosto e faz parte do Agosto Dourado, mês dedicado à conscientização sobre a importância da amamentação. A campanha busca incentivar a prática do aleitamento materno, por meio de uma mobilização apoiada por diversas entidades de saúde em todo o mundo. A cor dourada simboliza o valor do leite materno, considerado um “alimento de ouro” por seus inúmeros benefícios à saúde do bebê e da mãe.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), o leite materno pode prevenir mais de 820 mil mortes de crianças menores de cinco anos por ano no mundo, o que representa uma redução de até 13% das mortes nessa faixa etária.

“A amamentação é essencial para proteger contra doenças como diarreia e infecções respiratórias e está associada à redução do risco de sobrepeso, obesidade e diabetes ao longo da vida, além de favorecer o desenvolvimento cognitivo e ser importante para a formação da microbiota intestinal”, explica a Profa. Dra. Grasiela Bossolan – Mestre e Doutora em Pediatria pela FBM-Unesp/SP, especialista em Pediatria (Neonatologia e UTI Neonatal) e em Nutrologia Pediátrica. Docente da pós-graduação na ABRAN (Associação Brasileira de Nutrologia).

A saúde da mulher também é beneficiada, o que favorece a recuperação pós-parto, reduz o risco de certos tipos de câncer e previne cerca de 20 mil mortes anuais por câncer de mama. “O ato de amamentar, além de nutrir, fortalece o vínculo entre mãe e filho, dando continuidade à conexão iniciada na gestação, no momento do parto, pelo contato pele a pele e pelo incentivo e apoio ao aleitamento materno na sala de parto, que se mantêm nos primeiros dias de vida. Esse contato direto é essencial para o desenvolvimento emocional e para a adaptação do bebê ao novo ambiente, fora do útero”, lembra a médica pediatra.

Apesar de seus benefícios amplamente reconhecidos, a amamentação ainda desperta muitas dúvidas, que a especialista responde.

  1. Ainda existe resistência em amamentar?

A amamentação é uma decisão pessoal e pode trazer desafios, principalmente nos primeiros dias de vida do bebê. O apoio da família e a orientação de profissionais de saúde ajudam a tornar esse processo mais tranquilo e favorecem o sucesso do aleitamento.

  1. Existe um tempo recomendado para amamentar?

Sim. A OMS e o UNICEF recomendam amamentação exclusiva até os seis meses. Depois desse período, deve-se iniciar a alimentação complementar e manter o aleitamento até os dois anos ou mais, ou enquanto for desejado pela mãe e pela criança.

  1. O leite materno perde valor nutricional com o tempo?

Não. O leite materno possui grande valor nutricional e adapta a sua composição ao longo do tempo para atender às fases do desenvolvimento infantil. O colostro, secretado a partir do pós-parto imediato até 1 semana, é rico em proteínas e imunoglobulinas (principalmente IgA), o que garante proteção contra infecções. O leite de transição tem aumento de gordura, carboidratos e vitaminas até o leite maduro, a partir da segunda quinzena pós-parto, com a composição nutricional estabilizada. Após seis meses, ele deixa de suprir sozinho todas as necessidades da criança, o que torna necessária a introdução de outros alimentos.

  1. Como deve ser feita a alimentação complementar?

Ela deve começar por volta dos seis meses, com alimentos in natura ou minimamente processados, respeitando a fome e a saciedade da criança. O objetivo é promover hábitos alimentares saudáveis desde cedo.

  1. Quais alimentos são mais indicados nessa fase?

Frutas, legumes, verduras, cereais, feijões, carnes e ovos devem ser introduzidos gradualmente. Açúcar, mel, refrigerantes, bebidas açucaradas e alimentos ultraprocessados devem ser evitados, e o sal deve ser usado com moderação.

  1. Quando as fórmulas infantis são necessárias?

As fórmulas podem ser indicadas quando a amamentação não é possível ou é contraindicada por razões médicas, sempre com orientação de um profissional de saúde.

  1. A alimentação da mãe interfere na produção e na qualidade do leite?
    Uma dieta equilibrada e boa hidratação ajudam a preservar a saúde da mãe e contribuem para a composição nutricional do leite. No entanto, a produção depende principalmente da frequência e da eficácia das mamadas.
  2. Existem alimentos que aumentam ou “secam” o leite?

Não há evidências científicas de que alimentos específicos aumentem ou reduzam a produção de leite. O principal estímulo para a lactação continua sendo a sucção frequente do bebê.

  1. A amamentação ajuda a prevenir a obesidade infantil?

Sim. O leite materno favorece a autorregulação da fome e da saciedade e contém substâncias bioativas que contribuem para um metabolismo saudável, reduzindo o risco de excesso de peso ao longo da vida.

  1. O leite materno fortalece a imunidade?

Sim. Ele contém prebióticos, anticorpos e outros componentes bioativos que que contribuem para o desenvolvimento de uma microbiota intestinal saudável e ajudam a proteger o bebê contra infecções, especialmente nos primeiros meses de vida.

  1. Toda mulher que amamenta precisa tomar suplementos?

Não. a necessidade de suplementação deve ser avaliada individualmente e indicada quando houver necessidade clínica, conforme avaliação do profissional de saúde. Uma alimentação equilibrada e variada contribui para a nutrição da mãe e do bebê.

Fonte: Profa. Dra. Grasiela Bossolan – Mestre e Doutora em Pediatria pela FBM-Unesp/SP, especialista em Pediatria (Neonatologia e UTI Neonatal) e em Nutrologia Pediátrica. Docente da pós-graduação na ABRAN (Associação Brasileira de Nutrologia).

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