Barriga estufada todo dia é normal? Gastroenterologistas explicam quando investigar

Sintoma comum que pode estar relacionado a hábitos de vida, mas também ser um sinal de condições gastrointestinais, tais quais intolerâncias alimentares, disbiose, síndrome do intestino irritável, doença celíaca, entre outras.
Sensação de barriga inchada, desconforto abdominal e aumento do volume da região abdominal após as refeições estão entre as queixas gastrointestinais mais frequentes nos consultórios médicos. Embora muitas vezes o sintoma esteja relacionado à alimentação ou a hábitos do dia a dia, especialistas alertam que, quando recorrente, ele também pode indicar condições que merecem investigação.
Segundo a Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), episódios ocasionais de estufamento costumam estar associados ao consumo de alimentos que favorecem a produção de gases, refeições volumosas, ingestão rápida dos alimentos ou até ao excesso de bebidas gaseificadas. No entanto, quando o desconforto se torna frequente, persistente ou vem acompanhado de outros sintomas, é importante procurar avaliação médica.
“A sensação de barriga estufada é extremamente comum e, na maioria das vezes, não está relacionada a doenças graves. Porém, quando o sintoma passa a fazer parte da rotina, está associado a outros sintomas ou interfere na qualidade de vida, é importante investigar a causa para descartar problemas gastrointestinais que exigem acompanhamento”, explica a médica Gabriela Piovezani Ramos, titular da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG).
Entre as condições clínicas gastrointestinais frequentemente associadas ao estufamento abdominal estão as intolerâncias alimentares, especialmente a intolerância à lactose. Nesses casos, o organismo apresenta dificuldade para digerir alimentos contendo leite e derivados, favorecendo sintomas como gases, distensão abdominal, cólicas e alteração de hábito intestinal, mais comumente a diarreia.
“Nem toda reação a um alimento significa alergia. As intolerâncias alimentares e alterações de flora intestinal podem provocar desconfortos importantes e, muitas vezes, são identificadas apenas após uma investigação adequada – desde a história clínica do paciente e, quando necessários, a escolha apropriada de exames complementares quando necessários”, afirma a Dra Gabriela.
Além das intolerâncias alimentares e disbiose intestinal, outro fator bastante comum é a constipação intestinal. Secundário a lentificação do trânsito intestinal, há o acúmulo de fezes e gases, aumentando a sensação de peso e o estufamento abdominal.
Dentre as condições clínicas associadas a barriga estufada, a Síndrome do Intestino Irritável (SII) também está entre as principais causas. A condição afeta milhões de pessoas em todo o mundo e costuma provocar episódios recorrentes de dor abdominal, alterações do hábito intestinal (frequência e forma das fezes), além de flatulências e distensão abdominal.
“Pacientes com Constipação intestinal crônica ou ainda Síndrome do Intestino Irritável frequentemente relatam que a barriga parece aumentar de volume ao longo do dia. Esse é um dos sintomas característicos de ambas as condições por ter impacto significativo no bem-estar e na rotina”, explica a especialista.
A doença celíaca também merece atenção. Trata-se de uma condição autoimune desencadeada pela ingestão de glúten, proteína presente no trigo, cevada e centeio. Além da distensão abdominal, os pacientes podem apresentar diarreia, perda de peso, anemia e deficiência de nutrientes.
“Em alguns casos, a barriga estufada é um dos primeiros sinais percebidos pelo paciente. Por isso, quando os sintomas persistem ou surgem associados a outras alterações e sintomas digestivos, a investigação médica é fundamental”, destaca a médica gastroenterologista Gabriela Ramos.
Embora a maioria dos casos esteja relacionada a condições benignas, especialistas alertam para alguns sinais que não devem ser ignorados, como perda de peso sem explicação, sangue nas fezes, anemia, vômitos frequentes, fadiga intensa e crônica, dificuldade para se alimentar ou alterações persistentes do hábito intestinal.
“A distensão abdominal na sua maioria é relacionada a hábitos de vida, mas também a condições gastrointestinais benignas e relacionadas ao eixo cérebro-intestino. No entanto, quando aparece acompanhada de sinais de alerta, é importante buscar avaliação médica para um diagnóstico adequado o mais breve possível”, conclui.
Fonte: Médica Gabriela Piovezani Ramos, titular da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG). Federação Brasileira de Gastroenterologia atua na promoção de informação qualificada e no combate à desinformação. Entre as iniciativas, destaca-se o Instituto Brasileiro para Estudo da Doença Celíaca (IBREDOC), dedicado ao avanço científico e à qualificação da prática médica.

