Descomplicando a neuro! Meu bebê teve uma convulsão? E agora?

Crises convulsivas estão entre os eventos neurológicos graves mais frequentes da infância.

Existe uma diferença entre epilepsia e convulsão. Por definição, epilepsia é uma doença neurológica caracterizada por descargas elétricas anormais e excessivas no cérebro, que são recorrentes e geram as crises epilépticas (convulsão).

Para considerar que uma pessoa tenha epilepsia, ela deverá ter repetição de suas crises epilépticas, portanto, a pessoa poderá ter uma crise epiléptica (convulsiva ou não) e não ter o diagnóstico de epilepsia.

Existem várias formas de epilepsia em crianças e nas emergências pediátricas é comum observar a convulsão febril, que costuma ter evolução benigna. Essa chamada epilepsia benigna da infância pode acontecer desde a idade pré-escolar até a adolescência. As crises com breves paradas comportamentais, sem evento motor nítido, exemplificam formas comuns de epilepsia na infância.

Existe uma condição muito grave chamada epilepsia catastrófica da infância. Trata-se de várias crises convulsivas que ocorrem de forma contínua. Esta forma de epilepsia está associada a um risco alto de lesão cerebral e atraso cognitivo e motor.

A avaliação do especialista é fundamental. O tratamento, na maioria dos casos, é feito através de medicamentos e, em alguns casos, a causa da epilepsia pode ser tratada de forma cirúrgica, após avaliações específicas.

Como ajudar alguém que esteja em crise epilética?

É importante tentar proteger a cabeça da criança para evitar um traumatismo, e virar o rosto dela de lado para eliminar o acúmulo de saliva e impedir a asfixia com o próprio vômito. Não se deve segurar a língua do paciente, sob o risco de tomar uma mordida, ou colocar objetos na boca, como uma colher. Se a crise estiver durando mais de 5 minutos, já vale a pena chamar uma ambulância, o mesmo deve ser feito se a pessoa demorar a recobrar a consciência.

autoria: Prof. Dr. Ricardo Santos de Oliveira – Médico graduado pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRPUSP). Residência em Neurocirurgia no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (HCRP-USP). Membro Titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN). Doutor em Clínica Cirúrgica pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da Universidade de São Paulo, com pós-doutorados pela Universidade René Descartes, na França, e pela FMRP-USP. Professor Livre-Docente pela Universidade de São Paulo. Médico Assistente da Divisão de Neurocirurgia do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto. Presidente da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia Pediátrica (2019-2021). Foi o neurocirurgião pediátrico principal do caso das gêmeas siamesas do Ceará. Atua com consultórios em Ribeirão Preto no Neurocin e em São Paulo no Instituto Amato

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