Desenvolvimento de Doenças Crônicas Não Transmissíveis pode ser influenciado pelo crescimento intrauterino?

Sempre lemos e ouvimos falar sobre as influências do estilo de vida na determinação das doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs). No entanto, o fato de que determinadas situações que ocorrem na vida intrauterina podem determinar doenças como obesidade, diabetes, hipertensão, coronariopatias e resistência insulínica, até mesmo antes do nascimento não são muito conhecidas da população em geral, apesar do grande debate científico já estabelecido.

Desvios do crescimento intrauterino:

Crianças que sofreram restrições no crescimento na vida intrauterina através da privação de nutrientes, ou seja, enquanto ainda estava no útero da mãe, são mais vulneráveis a desenvolver obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão, resistência insulínica e coronariopatias. Lembrando que a privação de nutrientes pode ocorrer por deficiência na ingestão por parte da mãe ou doenças que impactam no estado nutricional da mesma prejudicando o transporte de nutrientes para o feto ou por situações intrínsecas que impeçam a chegada dos nutrientes até a criança em desenvolvimento no útero (alterações placentárias, alterações cromossômicas, alterações no cordão umbilical,etc).

Segundo estudos realizados na Holanda após o final da segunda guerra mundial e replicados amplamente em diversas populações com restrições alimentares, verificou-se que a origem fetal de doenças parece relacionar-se ao crescimento intrauterino restrito e não apenas ao baixo peso ao nascer, desse modo, bebês prematuros com peso adequado para idade gestacional estariam protegidos de complicações futuras. Esse fenômeno é conhecido como Hipótese de Barker , Imprinting Fetal ou Síndrome Metabólica Fetal.

Os desvios de Crescimento Intrauterino(RCIU) são identificados pelo peso do recém-nascido para cada idade gestacional. Segundo estes aspectos a criança pode ser classificada em Pequena para idade gestacional (PIG) ou Grande para idade gestacional (GIG).

Inicialmente, o maior determinante do crescimento fetal é o genoma fetal, mas ao final da gestação tornam-se importantes o ambiente intrauterino, a nutrição e a influência hormonal.

O que fazer para proteger o bebê dessas doenças desde o seu desenvolvimento inicial?

  1. Realizar o acompanhamento pré-natal imediatamente após a descoberta da gravidez.
  2. Acompanhar através do cartão da gestante, o ganho de peso semanal adequado.
  3. Durante o acompanhamento pré-natal buscar aferir a pressão arterial.
  4. Não aderir a nenhum modo de restrição alimentar durante á gestação, salvo por orientação médica e com acompanhamento de nutricionista.
  5. Manter um estilo de vida saudável durante todo o processo gestacional: alimentação equilibrada sem cometer excessos ou restrições não recomendadas profissionalmente, não fumar, não ingerir bebidas alcoólicas e outras drogas, combater o sedentarismo e evitar ou manejar adequadamente situações de estresse / ansiedade.
  6. Para todas as mulheres que pretendem engravidar é importantíssimo que antes de tudo, busque implementar um estilo de vida saudável, pois essa atitude impactará de forma positiva na saúde de seu(sua) filho (a).

Gestante com visão do feto - foto: Sebastian Kaulitzki/ShutterStock.com

Dra. Pollyanna Fernandes Patriota

Mestre em saúde Materno-infantilDoutorado em Nutrição pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)Mestrado em saúde Materno-infan...

Veja o perfil completo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.