Dia Nacional de Combate ao Bullying (07/04) 

Saiba reconhecer os sinais de quem pratica e quem sofre bullying 

Apesar das inúmeras campanhas de conscientização, o bullying segue sendo um tema que merece a nossa atenção. Uma pesquisa realizada pela Microsoft, em 2020, em 32 países, incluindo o Brasil, aponta que 43% dos entrevistados estiveram envolvidos em incidentes de bullying na internet, conhecido como cyberbullying. Por sua vez, a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar 2019, feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística com 188 mil estudantes com idades entre 13 e 17 anos, aponta que um em cada 10 adolescentes já se sentiu ameaçado, ofendido e humilhado em redes sociais ou aplicativos. Além disso, 23% dos estudantes afirmaram ter sido vítimas de bullying em ambiente escolar. Os motivos? Aparência do corpo (16,5%), aparência do rosto (11,6%) e cor ou raça (4,6%). 

Além de seguir com as campanhas de conscientização e de abordar o assunto com as crianças e os adolescentes, entendo que é importante que pais e responsáveis estejam 100% atentos ao comportamento dos seus filhos. A forma como eles agem pode nos dizer muitas coisas, entre elas, demonstrar se eles estão sendo autores ou vítimas de bullying. Esse é um dos melhores meios para identificar se uma criança sofre com zombarias, ridicularizações, humilhações e outro tipo de violência emocional. 

Normalmente, a criança que sofre bullying sai da escola infeliz, cabisbaixa e sempre responde positivamente quando questionada se “está tudo bem”. No geral, ela fica mais calada, contida, se torna agressiva ou mais introvertida. Claro, isso depende da personalidade de cada criança. Outro meio de detectar o sofrimento por bullying são os choros por motivos banais ou brigas em casa, sem motivos aparentes. A tendência é de que a criança ou adolescente se isole e agrida as pessoas que mais gosta como forma de se “vingar” em terceiros, já que não consegue fazê-lo na escola ou com os “amigos” que estão praticando o bullying com ele. 

É importante ressaltar que o bullying não acontece em atos isolados. Eles são praticados constantemente. Para quem é alvo, fica como um martelo batendo e sendo repetido na cabeça, o que impede a concentração, pois a criança fica o tempo todo pensando no que escuta, vive ou sente. 

O assunto precisa ser tratado com seriedade pelos pais e responsáveis. É interessante que encarem as situações juntos, sem pressionar os filhos a reagir ou fazer com que eles se sintam pior minimizando a situação. Incentive-os a falar sobre o assunto, sobre como se sente, quem são estas pessoas que estão fazendo isto com ele. Além disso, é essencial elevar a autoestima destas crianças e, se perceberem que o caso é ainda mais sério, procurar a escola e pedir ajuda. Neste momento, é relevante pedir discrição para lidar com o assunto, pois expor o menor não irá ajudar. Ao contrário, apenas irá incentivar os colegas a aumentar a prática. Em paralelo, vale buscar a ajuda de um profissional mais experiente na área, como um psicólogo. 

O cuidado em relação ao bullying também é essencial no caso de quem o pratica. Preste atenção se a criança está sempre feliz, pois humilhar o outro dá um certo prazer ao agressor. Observe também se há pressa para chegar cedo na escola. Em casa, observe se ele gosta de estar isolado, com aparelhos eletrônicos nas mãos, conversando com outros amigos online para tramar o que irão fazer no dia seguinte. Monitore as conversas dos filhos com os amigos e, sempre que puderem, procure a escola para relatar o que estão observando em casa. A criança que pratica bullying nutre um tipo de felicidade e sarcasmo ao mesmo tempo. Em alguns casos, eles ficam até mais criativos e, para enganar os adultos, se mostram muito próximos, se fazem de amigos dos colegas com os quais praticam o bullying. 

Aliás, é papel dos pais orientar as crianças e adolescentes, impor limites e, principalmente, verificar quem são seus colegas. Aproximar as famílias e solicitar a ajuda da escola e de um psicólogo, quando identificar que o filho pratica ou sofre bullying é imprescindível, pois nestes casos, sofre quem é vítima, mas sofre também quem o pratica, porque seu prazer vem apenas do menosprezo e da vergonha que causa no outro e é claro que esta criança e/ou adolescente não está saudável. Existe um buraco emocional que o impede de ser feliz de outra maneira, que não o deixa perceber como é difícil ser humilhado. Assim, ele também está passando por uma situação de desconforto e estas sensações devem ser tratadas com paciência. Em paralelo, é importante mostrar a essa criança ou adolescente que existe um outro universo, falar de valores, deixá-los sentir como pode ser bom ser feliz sem a necessidade de ofender, humilhar, denegrir a imagem do outro. 

Além disso, recomendo atenção ao uso da internet. Criança precisa ser monitorada e orientada, pois ainda não tem maturidade para o uso das tecnologias. Manter uma senha de acesso no computador é primordial. Com os adolescentes, o cuidado deve ser redobrado. Na Deep Web, por exemplo, eles encontram jogos inapropriados, pornografia, venda de drogas, armas e tudo que pode influenciar o caráter de maneira negativa. Não os deixem solitários com suas máquinas, com muito tempo ocioso. Se possível, matriculem seus filhos em cursos extracurriculares para que tenham o dia e mente ocupados. Curso de línguas, judô, futebol, aula de música ou dança, explorem o que eles mais gostarem. 

A participação familiar e a proximidade dos pais são extremamente importantes. A maneira como se educa uma criança será essencial para a saúde emocional de cada uma no futuro. 

*Sueli Bravi Conte é educadora, psicopedagoga, mestre em Neurociência, diretora e mantenedora do Colégio Renovação, instituição de ensino com mais de 35 anos de atividades e que atua da Educação Infantil ao Ensino Médio 

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