Fim de férias?! Tem muito verão ainda pela frente…

Calma, as férias que acabaram foram as minhas. As de vocês continuam por mais um tempo ainda. Mas nem por isso, vocês devem se descuidar. Ainda teremos muitos dias de sol, praia, descanso, lazer, “falta de regras” e exigência de cuidados com os pequenos. Assim, decidi listar dicas importantes para que as férias sejam realmente motivo de descanso e relaxamento em família.

Vamos a elas:

Bebês x sol

Segundo dados daSociedade Brasileira de Dermatologia(SBD), daSociedade Brasileira de Pediatria(SBP) e daSociedade de Pediatria de São Paulo(SPSP), quando o assunto é exposição solar, algumas recomendações são importantíssimas:

  1. Bebês expostos ao sol: pelas características da pele do bebê, não se deve aplicar protetor solar em crianças abaixo de seis meses de idade. Assim, até os seis meses de idade a criança não deve ser exposta ao sol diretamente;
  2. Uso de protetor solar por bebês: após os seis meses de idade, há grandes controvérsias sobre o uso do protetor solar. Aqui no Brasil há a indicação de exposição solar direta, sempre com protetor solar, antes das 10 da manhã e após as 16 horas. Nos EUA, a recomendação daAcademia Americana de Dermatologia(AAD) é a proibição total e permanente de exposição solar sem proteção. Mas por lá, temos fortificação dos alimentos com vitamina D para prevenir o que está acontecendo aqui no Brasil: uma deficiência cada vez mais precoce dessa importantíssima vitamina/hormônio;
  3. Utilização do protetor: é fundamental o uso de protetor solar, fator de proteção acima de 30, aplicado em quantidade adequada, que proteja das radiações UVA e UVB, 30 minutos antes da exposição solar e repetidamente, a cada duas horas, mesmo que este produto seja resistente à água, e mesmo que o bebê não entre na piscina, no mar ou no rio;
  4. Protetor por toda a pele: deve-se cuidar que o protetor solar seja aplicado também atrás das orelhas, no pescoço, atrás das pernas e nos pés, sempre na pele seca. Ao redor dos olhos e nos lábios podemos utilizar bastões específicos para essas áreas;
  5. Acessórios que oferecem proteção: óculos de sol, chapéu e roupas que têm fator de proteção UVA e UVB devem ser utilizados mesmo com a aplicação do protetor solar;
  6. Sombra e água fresca: bebês e crianças devem ficar na maior parte do tempo na sombra (guarda-sol entre outros). Lembre-se que o mormaço também queima e, refletidos na areia branca e na água, os raios de sol aumentam os riscos de queimadura da pele.

Hidratação dos bebês

No verão, nossas necessidades hídricas aumentam, pois a perda de calor pela pele, que é o maior órgão de nosso corpo, tem alguns grandes colaboradores: o sol, a praia, a liberdade, as férias… Dois grupos sofrem mais com o calor e com a necessidade de se manterem hidratados durante o verão: as crianças e os idosos. Assim, é fundamental estarmos bem hidratados durante a estação mais quente do ano. A seguir listo algumas dicas que podem auxiliá-los neste processo:

  1. Leite materno em livre demanda: até os seis meses de idade, a criança não necessita nem de outro tipo de alimento e nem de outro tipo de fonte de hidratação. O leite materno, oferecido em livre demanda, sempre que a criança ou a mãe quiserem, pode ser a solução líquida desse problema;
  2. Tomar água: esse é um hábito que deveria ser incentivado desde o momento em que a criança passa a não ter mais o aleitamento materno exclusivo como fonte de alimentação ou hidratação, ou seja, após os seis meses de vida. Cada faixa de idade tem uma necessidade específica de hidratação. Para adultos, recomenda-se uma média de 2 litros de água por dia;
  3. Ingerir água-de-coco: em nosso país, a água-de-coco pode ser utilizada como excelente fonte de hidratação, inclusive para crianças. Fica claro que estamos falando da fruta e não da bebida comprada em caixinhas ou vidrinhos nos supermercados;
  4. Aprecie um suco natural de fruta: o Brasil é um país abençoado no que diz respeito à multiplicidade de espécies de frutas. Temos uma imensa variedade de cores, sabores, formas de frutas para todos os gostos e uma grande parte delas pode ser usada de forma natural, fresquinha, diretamente da fruta. É preciso ter cuidado com a ingestão e/ou a manipulação das frutas cítricas (laranja, limão, mexerica, abacaxi) ao sol. O contato dessas substâncias com a pele, sob a ação dos raios solares, pode provocar queimaduras importantes (fitofotodermatose), até de 2º grau com recuperação bastante chata e demorada;
  5. Evite: na tentativa de se manter hidratado, evite refrigerantes, sucos em caixinha (mesmo à base de soja), refrescos (sucos em pó, em envelopinhos), isotônicos e energéticos (bebidas esportivas). Todas estas bebidas, especialmente quando ingeridas por crianças e adolescentes, devem ser evitadas devido a problemas relacionados ao excesso de açúcar, sódio, eletrólitos e hormônios em sua composição.

Alimentação durante o verão

  1. Vigilância em relação ao sobrepeso e à obesidade: não há como escapar disso também nas férias de verão, que em alguns casos, duram dois meses. Nossas células gordurosas (os adipócitos) não tiram férias. Assim, é fundamental manter o controle da alimentação, especialmente daqueles que apresentam tendências a esse tipo de problema. E não me refiro apenas às crianças. Tomar cuidado não é, necessariamente, evitar 100% um alimento gorduroso ou uma sobremesa, mas é importante o controle e a observação para que não se desperdice o esforço do ano todo para chegar nessa época magrinho ou, no mínimo, menos acima do peso;
  2. FLV: você conhece, mas não está associando o nome às pessoas: FRUTAS, LEGUMES E VERDURAS. Nessa época do ano, alimentos frescos, que contenham muito líquido (água), muitas vitaminas, que ajudam no funcionamento do intestino, de fácil digestão e que favorecem a pele devem ser as primeiras escolhas. Crianças devem consumir pelo menos quatro e adultos seis porções de frutas ao dia. Frutas são práticas para se levar para um lanchinho na praia ou na piscina durante o dia;
  3. Evitar: alimentos muito gordurosos, frituras, salgadinhos e doces devem ser consumidos com moderação devido às suas características nutricionais e pela dificuldade de digestão. Tente levar para a praia e para a piscina alimentos frescos. Não consuma nada vendido na praia (espetinhos, camarõezinhos, bolinhos, entre outros), pois a dificuldade de conservação desses alimentos pode ser responsável por problemas infecciosos graves, passíveis de internação e risco de morte;
  4. Horários: crianças precisam de rotina sempre. Assim, as mudanças que ocorrem durante o período de férias (dormir muito tarde, acordar muito tarde, não ter horário adequado para alimentação além de uma alimentação não habitual) podem provocar alterações no seu estado de saúde. Assim que possível, passada a euforia pela liberdade que as férias causam, associadas às festividades (Natal e Ano Novo) é recomendável que os pais retomem, aos poucos, a rotina tão importante para as crianças, não deixando essa volta à “normalidade” para a “volta às aulas”.

Assim, após a leitura de todas essas dicas, espero que vocês aproveitem da melhor forma possível esse período restante das férias e cheguem ao período de volta às aulas e ao trabalho descansados, sadios e felizes!

Dr. Moises Chencinski

Formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo com título de especialista em pediatria pela Associação Médica Brasileira (AM...

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