Hipoglicemia

Os riscos do uso inadequado da insulina e como agir em situações de emergência

Endocrinologista alerta que a aplicação inadequada, especialmente em doses elevadas, pode gerar hipoglicemia severa, levando a sintomas graves

A hipoglicemia é uma das complicações mais frequentes e potencialmente graves relacionadas ao uso de insulina, hormônio produzido pelo pâncreas. Caracterizada pela queda dos níveis de glicose no sangue, a condição pode provocar desde sintomas leves, até convulsões, coma e morte em situações extremas. O alerta é da médica Michelle Rocha, docente de Medicina da Faculdade Santa Marcelina, que reforça a importância do uso responsável da insulina. 

“A indicação clássica da insulina é no tratamento do paciente com diabetes tipo 1. Esses pacientes precisam de múltiplas aplicações diárias de insulina. Sem ela, podem evoluir para cetoacidose diabética, complicação grave em que o corpo, sem insulina, passa a usar gordura como fonte de energia, produzindo substâncias tóxicas que deixam o sangue ácido, coma e até óbito. Também é indicada a prescrição para casos de diabetes Tipo 2, sempre avaliado de forma individualizada por um profissional médico”, explica. 

Segundo a endocrinologista, a aplicação inadequada, especialmente em doses elevadas, pode gerar hipoglicemia severa, levando a sintomas como tremores, sudorese, tontura, palpitações, turvação visual, dor de cabeça, irritabilidade e fraqueza. Nos casos mais graves, o paciente pode apresentar convulsões, e até morrer”, afirma Rocha. 

O que é hipoglicemia? 

A médica explica que a hipoglicemia é classificada em diferentes níveis conforme a gravidade. “Consideramos hipoglicemia nível 1 quando a glicose está abaixo de 70 mg/dL. Já a hipoglicemia nível 2 ocorre quando a glicemia cai para menos de 54 mg/dL. Nessa fase, o paciente começa a apresentar sintomas neurológicos importantes, como tontura intensa, cefaleia e redução progressiva do nível de consciência”, detalha. 

Os casos mais graves são classificados como hipoglicemia nível 3, quando o paciente já apresenta importante rebaixamento do nível de consciência e não consegue agir sozinho para corrigir a glicemia. Embora seja mais comum em glicemias abaixo de 40 mg/dL, a doutora ressalta que alguns pacientes podem desenvolver sintomas graves mesmo com valores não tão baixos. 

A orientação inicial em casos de hipoglicemia leve ou moderada é aumentar rapidamente os níveis de glicose. “O mais prático é ingerir algo líquido e açucarado. A recomendação é misturar duas colheres de sopa de açúcar em um copo de 200 ml de água e beber imediatamente ou até mesmo um suco de caixinha”, orienta. Após cerca de 15 minutos, a glicemia deve ser reavaliada. “Se continuar abaixo de 70 mg/dL, o processo deve ser repetido.” 

Nos casos em que o paciente perde a consciência, a situação passa a ser considerada emergência médica. “Se necessário, deve acionar imediatamente o SAMU para administração de soro glicosado e ir para um hospital próximo”, diz ela.  

A endocrinologista reforça que o uso da insulina deve ser sempre acompanhado por orientação médica especializada. “A insulina salva vidas quando usada corretamente. Mas, fora das indicações médicas e sem acompanhamento adequado, ela pode representar um risco extremamente grave.”

Fonte: Faculdade Santa Marcelina – é uma instituição mantida pela Associação Santa Marcelina – ASM, fundada em 1º de janeiro de 1915 como entidade filantrópica. Desde o início, os princípios de orientação, formação e educação da juventude foram os alicerces do trabalho das Irmãs Marcelinas.  Em São Paulo, as unidades de ensino superior iniciaram seus trabalhos nos bairros de Perdizes, em 1929, e Itaquera, em 1999.

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