Mães e Pais Obesos Geram Filhos Obesos?

Especialistas explicam o papel do comportamento, das doenças associadas e da genética no desenvolvimento da obesidade

A obesidade continua avançando de forma silenciosa e preocupante no Brasil. Dados do Ministério da Saúde mostram que, entre 2006 e 2024, o número de pessoas obesas no país cresceu 118%, reforçando o alerta para uma condição que vai muito além do ganho de peso e está diretamente relacionada ao aumento de outras doenças crônicas.

Reconhecida como uma doença multifatorial, a obesidade exige uma análise ampla do quadro clínico de cada paciente. Hipertensão, diabetes, dislipidemia, problemas osteoarticulares, doenças respiratórias e apneia do sono, associada ou não à asma brônquica, são algumas das condições frequentemente presentes e que influenciam diretamente a escolha do tratamento mais adequado. Embora não exista cura definitiva, a adoção de mudanças consistentes no estilo de vida pode promover perda de peso e melhora significativa da qualidade de vida.

Fatores que favorecem o ganho de peso

Segundo o Dr. Afonso Sallet, do Instituto Sallet, obesidade não pode ser explicada por uma única causa. Questões comportamentais, culturais e ambientais têm impacto direto nesse processo. O aumento do sedentarismo, o excesso de tempo diante das telas, a redução da atividade física no dia a dia e hábitos alimentares inadequados ajudam a explicar parte desse avanço.

Além disso, a alimentação infantil também entra nesse debate, especialmente quando padrões inadequados são reproduzidos dentro de casa. O consumo frequente de ultraprocessados, fast foods e refeições pobres em nutrientes costuma ser um dos principais gatilhos para o ganho de peso precoce. “O problema, muitas vezes, não está em comer muito, mas em comer mal”, destaca.

A boa notícia é que com o apoio de uma equipe transdisciplinar que inclui o acompanhamento com especialista em emagrecimento, nutricionista, psicólogos e educadores físicos é possível quebrar o ciclo aprendendo novos hábitos de vida mais equilibrados.

E a genética, qual é o peso real?

Outra dúvida frequente quando o assunto é obesidade está na hereditariedade: afinal, pais obesos necessariamente terão filhos obesos?

Segundo o médico geneticista, Dr. Ciro Martinhago,especialista em doenças raras pela Sociedade Brasileira de Genética Médica (SBGM) e PhD em genética reprodutiva, estudos mostram que a obesidade pode ter relação com diferentes variantes genéticas ligadas ao metabolismo, à regulação do apetite e ao armazenamento de gordura.

“A genética pode aumentar a predisposição ao ganho de peso, especialmente por meio de alterações em genes que participam do controle da fome, da saciedade e do gasto energético. No entanto, esses fatores não determinam sozinhos o desenvolvimento da obesidade. O que observamos na prática clínica é que a interação entre genética, ambiente e estilo de vida é que define o risco real para cada indivíduo”, explica o especialista.

Tratamento vai além da medicação

Nos últimos anos, o uso das medicações para emagrecimento ganhou destaque e tem despertado interesse crescente, inclusive por estudos que apontam benefícios também no controle de doenças associadas, mas este, não é o único caminho possível.

“Os tratamentos com as chamadas canetas emagrecedoras podem ser bastante efetivos, mas é fundamental que todo esse processo aconteça com acompanhamento médico. Não basta apenas utilizar a medicação: o paciente precisa entender que existe uma proposta real de mudança comportamental”, afirma Dr. Sallet.

Além do tratamento clínico, outras abordagens como endossutura gástrica, balão intragástrico e cirurgia bariátrica metabólica também fazem parte das estratégias disponíveis, sempre de acordo com o perfil de cada paciente.

Sobre os especialistas:

Dr. José Afonso Sallet – Médico-Diretor do Instituto de Medicina Sallet Depto de Cirurgia Bariátrica e Metabólica; Mestre em Cirurgia Digestiva- UNICAMP/ SP; Cirurgião de Excelência em Cirurgia Bariátrica e Metabólica conferido pelo Surgical Review Corporation (SRC®)-  Especialista e Titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões (CBC)

Instituto Sallet: Fundado em 1999 pelo Dr. José Afonso Sallet, o Instituto de Medicina Sallet se destaca pelo compromisso com a qualidade no atendimento aos seus pacientes.

Dr. Ciro Martinhago – Ciro Martinhago é médico geneticista, especialista em doenças raras pela Sociedade Brasileira de Genética Médica (SBGM) e PhD em genética reprodutiva. Atua em pesquisa e atendimento clínico, com foco em genética médica, aconselhamento genético e medicina reprodutiva.

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