Após Tainá Militão dizer que não gosta de estar grávida, psicóloga perinatal explica por que cansaço, medo e culpa é comum na gestação

Reprodução/Instagram, @tainamilitao
Tainá Militão, influenciadora e esposa do jogador Éder Militão, afirmou nas redes sociais que não gosta de estar grávida e abriu espaço para uma discussão comum entre as gestantes. Apesar da gravidez ser associada à felicidade, muitas mulheres também enfrentam enjoo, cansaço, azia, mudanças no corpo, medo e culpa.
No vídeo, a influenciadora disse que a gestação nem sempre é um conto de fadas e que não gostar de estar grávida não significa não amar o filho. O relato chamou atenção justamente por tratar de um tema ainda difícil para muitas mulheres, que é admitir que a gravidez pode ser intensa, desconfortável e emocionalmente desafiadora.
Para Rafaela Schiavo, psicóloga perinatal e fundadora do Instituto MaterOnline, a romantização da maternidade faz com que muitas gestantes se sintam culpadas quando não vivem esse período como um momento de felicidade plena. Segundo ela, medo, insegurança, tristeza e cansaço podem aparecer na gravidez e precisam ser acolhidos, não julgados.
A seguir, a psicóloga responde 8 dúvidas comuns sobre maternidade, culpa e saúde emocional na gestação.
1 – Por que a maternidade é tão idealizada?
A sociedade costuma ver a maternidade como a realização suprema da mulher, o que dificulta o reconhecimento de sentimentos negativos. Essa idealização cria expectativas irreais, fazendo muitas mães se sentirem inadequadas ou culpadas por não corresponderem a esse ideal. Nós precisamos falar mais sobre essa romantização. Tem milhares de mulheres chorando porque não têm com quem contar e se sentindo culpadas simplesmente por estarem exaustas.
2 – Quais são os impactos negativos dessa idealização?
A idealização pode levar ao isolamento emocional. Mães que não se sentem felizes o tempo todo podem ter dificuldade em expressar seus sentimentos, o que pode piorar problemas de saúde mental, como a depressão puerperal. A romantização da maternidade está afetando muitas mulheres, o que influencia diretamente seus bebês.
3 – Como lidar com a pressão para ser uma mãe perfeita?”
É importante entender que não existe uma ‘mãe perfeita’. Aceitar que é normal ter dias difíceis e buscar apoio emocional e prático é essencial. Conversar com outras mães, familiares e amigos pode ajudar a compartilhar experiências e aliviar a pressão. Nossa sociedade não sabe como tratar mulheres como mães humanas, que têm direitos e não precisam lidar com tudo com um sorriso no rosto.
4 – O que fazer quando sentimentos negativos surgem?
Reconhecer e aceitar esses sentimentos é o primeiro passo. Não há problema em pedir ajuda profissional. A psicoterapia pode ser uma ferramenta valiosa para trabalhar essas emoções e encontrar maneiras de lidar com elas. A saúde mental das próximas gerações também depende de como tratamos as mães hoje. Como psicólogos, temos a obrigação de mudar essa história.
5 – Como posso construir uma rede de apoio?
Uma rede de apoio pode incluir familiares, amigos e até profissionais de saúde. Eles podem ajudar com tarefas diárias, oferecer um ombro amigo e compartilhar experiências. Ter um parceiro compreensivo também é fundamental.
6 – Qual é o papel do parceiro nesse processo?
Um parceiro presente e envolvido pode fazer uma grande diferença. Dividir responsabilidades e apoiar emocionalmente a mãe pode aliviar significativamente a carga e promover um ambiente mais equilibrado e saudável para a família.
7 – O que posso fazer para evitar que eu e o meu bebê soframos com a romantização da maternidade?
É fundamental oferecer suporte e atenção às mães. Isso envolve fornecer atendimento psicológico, criar redes de apoio entre familiares e amigos, e promover uma visão mais honesta e realista da maternidade. Como sociedade, precisamos nos preocupar com essa questão. Milhares de mães estão sem apoio necessário para cuidar de seus filhos.
8 – Como encarar a maternidade de forma mais real?
Informação e preparação são fundamentais. Participar de grupos de apoio, fazer terapia e aprender sobre os desafios da maternidade podem contribuir para ajustar as expectativas. É importante lembrar que cada experiência é única e válida.
Fonte: Profª-Dra. Rafaela de Almeida Schiavo é psicóloga perinatal e fundadora do Instituto MaterOnline. Desde sua formação inicial, dedica-se à saúde mental materna, sendo autora de centenas de trabalhos científicos com o objetivo de reduzir as elevadas taxas de alterações emocionais maternas no Brasil.

