As chances de gravidez, seja de forma espontânea ou por meio da FIV com óvulos próprios, diminuem significativamente com o avanço da idade, ao mesmo tempo em que aumentam os riscos de aborto e alterações cromossômicas.

Nessa quarta-feira (19), o pastor Márcio Poncio usou o Instagram para revelar que sua esposa, Simone Poncio, está grávida aos 50 anos. “O tempo mudou e as oportunidades estão aí. Engana-se quem pensa que estamos velhos para colher novos frutos. Um exemplo real de força e esperança é uma gravidez após os 50 dentro do mesmo casamento”, postou. O anúncio chamou a atenção pela idade de Simone, visto que a idade interfere diretamente nas chances e nos riscos da gravidez. Mas qual a possibilidade de uma gestação espontânea e bem-sucedida após os 50 anos? Segundo o Dr. Rodrigo Rosa, especialista em reprodução humana e diretor clínico da clínica Mater Prime, em São Paulo, é importante ressaltar que é uma exceção, e não a regra, para não criar expectativas irreais e causar frustação em mulheres que estão tentando engravidar em uma idade mais avançada. “A ocorrência de gestações espontâneas nessa faixa etária é rara. Enquanto, aos 34 anos, a chance de engravidar naturalmente gira em torno de 15%, após os 35 há uma queda progressiva e significativa da fertilidade, chegando a menos de 0,1% aos 50 anos. Isso porque as mulheres já nascem com uma quantidade pré-determinada de óvulos, que também envelhecem com o passar dos anos, com consequente diminuição de sua qualidade, passando a apresentar mais alterações cromossômicas e menos energia para gerar um embrião saudável”, diz o médico.
O especialista ressalta que a decisão sobre gestar ou não gestar é de cada pessoa e não do médico, mas cabe a ele dar as orientações para que essa escolha seja consciente, mostrando dados estatísticos e reais probabilidades para que a paciente tenha expectativas realistas e esteja ciente dos riscos. “Uma gestação nessa faixa etária tem mais riscos de complicações obstétricas do que em idades abaixo dos 35 anos, por exemplo. Isso não significa que toda gestação vai ser alterada, mas exige muitos cuidados”, diz o especialista. Aos 50 anos, além da taxa de fertilidade cair consideravelmente, há um aumento no risco de abortos e de doenças cromossômicas. “Quando se trata de gestação espontânea, após os 40 anos, há um aumento considerável do risco de abortos espontâneos no primeiro trimestre. Já a chance de o bebê nascer com doenças cromossômicas, incluindo a Síndrome de Down, é de 1 para 10 nascimentos aos 49 anos”, pontua o especialista.
O médico explica que mesmo em casos de Fertilização In Vitro (FIV), um dos tratamentos de reprodução humana mais populares, as taxas de sucesso também são afetadas pelo processo de envelhecimento, já que a idade do óvulo utilizado é que determina a chance de gravidez. “Para se ter uma ideia, a chance de gravidez na FIV com óvulo próprio aos 34 anos gira em torno de 40 a 48%, aos 44 anos é menor que 10% e aos 50 não passa de 1%”, explica o médico. “É claro que também existem exceções à regra, como mulheres com reserva ovariana acima da média ou que congelaram os óvulos anteriormente. Mas, quando esse não é o caso, a solução é o tratamento conhecido como ovorecepção, com uso de óvulos doados. Através desse método, as chances de gravidez por meio da Fertilização In Vitro aumentam para cerca de 60% por tentativa mesmo em mulheres que já apresentam uma idade mais avançada, acima 40 anos”, destaca o especialista.
Mas o Dr. Rodrigo Rosa ressalta que mesmo com a Fertilização In Vitro, a gravidez após os 50 anos ainda é considerada uma gestação de risco, então é importante que a mulher siga com o acompanhamento médico e realize o pré-natal da maneira adequada. “Nessa idade, há um maior risco de complicações como pressão alta, pré-eclâmpsia, diabetes gestacional, parto prematuro e doenças cardiovasculares, incluindo infartos e tromboses”, diz o médico. “Felizmente, com os devidos cuidados, é perfeitamente possível que a gravidez se desenvolva sem complicações e de maneira segura para a mãe e para o bebê. Mas, claro, cada caso deve ser avaliado individualmente”, finaliza.
Fonte: R. RODRIGO ROSA – Ginecologista obstetra especialista em Reprodução Humana e sócio-fundador e diretor clínico da clínica Mater Prime, em São Paulo, e do Mater Lab, laboratório de Reprodução Humana. Membro da Associação Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) e da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH), o médico é graduado pela Escola Paulista de Medicina – Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP/EPM). Especialista em reprodução humana, o médico é colaborador do livro “Atlas de Reprodução Humana” da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana. CRM 119789 | RQE 61439. Instagram: @dr.rodrigorosa

