Volta às aulas: Ainda dá tempo de mudar a trajetória escolar dos filhos

Psicopedagoga explica como transformar o segundo semestre em um novo começo para crianças e adolescentes
Após o recesso escolar, o início do segundo semestre favorece a retomada da rotina de estudos, a organização dos hábitos e o planejamento de novas metas. Esse processo envolve não apenas os alunos, mas também toda a família, que tem papel importante na construção de um ambiente favorável ao desenvolvimento.
Embora muitos pais acreditem que um período com dificuldade escolar signifique um ano letivo comprometido, a psicopedagoga Paula Furtado diz que essa percepção nem sempre corresponde à realidade. “A aprendizagem não acontece de forma linear, e pequenas mudanças consistentes podem gerar grandes resultados ao longo dos meses. Quando a criança recupera a confiança e percebe que consegue aprender, seu desempenho também melhora. Nunca considero um semestre perdido enquanto houver possibilidade de intervenção”, afirma.
Dividir as tarefas em etapas menores, fazer pausas programadas, manter horários regulares de estudo e reduzir distrações (especialmente o uso do celular) são estratégias que favorecem o retorno à rotina escolar. “Também recomendo variar as formas de aprender, com recursos como mapas mentais, desenhos, jogos educativos, resumos e explicações em voz alta, tornando o estudo mais dinâmico e eficiente”, orienta a profissional.
Alguns comportamentos dos responsáveis, mesmo quando feitos com boa intenção, podem dificultar a relação dos estudantes com a vida escolar. Entre eles estão o foco excessivo apenas nas notas, comparações com irmãos ou colegas e a transformação do momento de estudo em uma fonte constante de pressão.
Em seu consultório, Paula tem observado um aumento no número de crianças e adolescentes com dificuldades de concentração, organização e desmotivação. Esse comportamento está relacionado a fatores como excesso de tempo de tela, sono insuficiente, rotina desorganizada, ansiedade, excesso de atividades e, em alguns casos, dificuldades de aprendizagem que não foram identificadas nos primeiros anos escolares. A profissional destaca, no entanto, que cada situação deve ser analisada individualmente, considerando a realidade e as necessidades de cada aluno, reforçando que o segundo semestre pode ser decisivo para recuperar conteúdos.
Relação escola-família
A parceria entre família e escola tem papel fundamental no resgate da confiança e do interesse pelos estudos. Quando ambas mantêm uma comunicação alinhada, a criança ou o adolescente se sente mais seguro para enfrentar os desafios da rotina escolar. Esse diálogo, explica a especialista, deve ir além das notas e considerar também aspectos emocionais, comportamentais e estratégias que funcionam melhor para cada estudante, evitando cobranças contraditórias e fortalecendo o desenvolvimento ao longo do período letivo.
“Quando a criança se sente acolhida, compreendida e incentivada, ela aprende com mais confiança e prazer. A aprendizagem real acontece quando os estudantes se sentem seguros para tentar, errar, perguntar e recomeçar. Ao recuperarem a autoconfiança e perceberem que são capazes, tendem a evoluir significativamente na sua relação com os estudos”, conclui Paula.
Fonte: Paula Furtado – Paula é pedagoga, formada pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), com especialização em Psicopedagogia, Neuropsicopedagogia (Facon-SP), Educação Especial, Arte de Contar Histórias e Arteterapia pelo Instituto Sedes Sapientiae e Leitura e Escrita, também pela PUC-SP. A especialista em educação atende crianças e adolescentes com dificuldades de aprendizado, incluindo casos complexos envolvendo traumas e situações de vulnerabilidade emocional.

