17 de maio de 2026 | Dia Mundial da Hipertensão Arterial

Pressão alta: o que a mulher precisa saber em cada fase da vida

No Dia Mundial da Hipertensão Arterial, ginecologista alerta para riscos e reforça hábitos que podem salvar vidas

A hipertensão arterial é conhecida como uma “doença silenciosa”. Na maioria das vezes, não apresenta sintomas, avança sem ser percebida e só se revela quando já está causando danos. No Brasil, segundo a Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial 2025, a condição afeta cerca de 36% da população adulta.

Segundo o Dr. Alexandre Rossi, ginecologista responsável pelo Ambulatório de Ginecologia Geral do Hospital e Maternidade Leonor Mendes de Barros, em São Paulo, a hipertensão na mulher precisa ser observada e muito bem monitorada em todas as fases de sua vida.

“Do anticoncepcional à menopausa, os hormônios exercem papel direto sobre a pressão arterial. Por isso, o acompanhamento ginecológico regular é também uma linha de defesa contra a hipertensão feminina”.

Uma doença silenciosa que cresce com a idade

Até por volta dos 55 anos, a prevalência de hipertensão é maior nos homens. Nesta faixa etária, o cenário se inverte. Isso porque do climatério até a pós-menopausa, a mulher vivencia uma queda nos níveis de estrogênio, que é um hormônio que exerce efeito protetor sobre os vasos sanguíneos em seu organismo. Com isso, estima-se que cerca de 80% das mulheres desenvolverão hipertensão arterial nessa fase da vida.

Essa transição costuma ocorrer de forma silenciosa, muitas vezes confundida com outros sintomas da menopausa, como ondas de calor, insônia e alterações de humor. O risco é que a pressão elevada, sem tratamento, aumenta significativamente as chances de infarto, AVC e insuficiência renal.

“Na menopausa, a mulher frequentemente chega ao consultório preocupada com as ondas de calor ou com o sono. Nesse momento, precisamos avaliar a pressão arterial com atenção redobrada. A queda do estrogênio muda o perfil cardiovascular da mulher de forma relevante”, explica o Dr. Alexandre.

O anticoncepcional e o risco silencioso

Muito antes da menopausa, a hipertensão pode dar seus primeiros sinais em mulheres jovens, especialmente aquelas que fazem uso de anticoncepcionais orais combinados, que são um fator de risco.

A boa notícia é que, após a interrupção do uso, a pressão arterial costuma retornar aos níveis normais em cerca de três meses. A má notícia é que muitas mulheres passam anos usando a pílula anticoncepcional sem monitorar a pressão regularmente.

“O anticoncepcional oral é um medicamento seguro para a grande maioria das mulheres, mas requer acompanhamento. Toda mulher que inicia este método contraceptivo deve ter a pressão medida nos primeiros meses e manter o monitoramento regular. Em mulheres com predisposição à hipertensão, pode haver outras opções mais seguras, se necessário”, orienta o Dr. Alexandre.

É importante destacar que, no caso de mulheres com mais de 35 anos e tabagistas, o anticoncepcional oral combinado é contraindicado. Neste caso, a identificação de hipertensão durante o uso implica a descontinuação imediata do método.

Hipertensão gestacional: uma menção importante

A hipertensão gestacional é uma das complicações mais sérias da gravidez, podendo evoluir para pré-eclâmpsia e eclâmpsia. Mulheres que desenvolvem pressão alta na gestação têm maior risco de desenvolver hipertensão crônica ao longo da vida, o que reforça, mais uma vez, a importância do acompanhamento ginecológico contínuo, mesmo fora do período gestacional.

Como prevenir e controlar a hipertensão feminina

O Dr. Alexandre Rossi destaca que a prevenção passa por mudanças de estilo de vida e monitoramento regular.

•Medir a pressão arterial regularmente, inclusive nas consultas ginecológicas

•Adotar dieta com baixo teor de sódio, rica em frutas, vegetais e grãos integrais

•Praticar atividade física regular, incluindo exercícios aeróbicos

•Evitar tabagismo, especialmente em uso de anticoncepcionais orais

•Controlar o estresse crônico, que contribui para elevação sustentada da pressão

•Discutir com o ginecologista o histórico familiar e os fatores de risco individuais

“A consulta ginecológica regular é um momento importante para identificar riscos cardiovasculares, orientar sobre o uso seguro de hormônios e garantir que a mulher chegue às fases seguintes da vida com mais saúde e qualidade de vida”, alerta o Dr. Alexandre. 

Fonte: Dr. Alexandre Rossi, ginecologista responsável pelo Ambulatório de Ginecologia Geral do Hospital e Maternidade Leonor Mendes de Barros, em São Paulo

Deixe um comentário