Alergia ao leite em bebês ainda é confundida com cólica e pode atrasar diagnóstico, alertam especialistas

Estima-se que até 3% das crianças menores de 3 anos tenha APLV; sintomas inespecíficos dificultam identificação precoce e aumentam risco de complicações nutricionais
Choro excessivo, irritabilidade, refluxo e desconforto abdominal são frequentemente tratados como cólicas comuns nos primeiros meses de vida. No entanto, especialistas alertam que, em muitos casos, os sintomas podem estar relacionados à Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV), uma das alergias alimentares mais comuns na infância e que ainda enfrenta desafios importantes no diagnóstico precoce.
Dados da Organização Mundial de Alergia (WAO) apontam que a APLV afeta entre 2% e 3% das crianças menores de três anos em todo o mundo. No Brasil, especialistas observam crescimento na incidência da condição, além de um número significativo de casos subdiagnosticados, principalmente pela semelhança dos sintomas com problemas gastrointestinais comuns da infância.
Entre os sinais mais frequentes estão diarreia, refluxo persistente, sangue nas fezes, distensão abdominal, excesso de gases, dermatites, dificuldade para ganho de peso e irritabilidade constante. Em alguns casos, a alergia também pode desencadear sintomas respiratórios e reações inflamatórias mais intensas.
Segundo a médica patologista clínica do DB Diagnósticos, doutora Maria Gabriela de Lucca Oliveira, um dos maiores desafios está justamente na interpretação dos sintomas nos primeiros meses de vida.
“Muitos sinais da APLV acabam sendo confundidos com desconfortos típicos da infância, como cólicas e refluxo fisiológico. Isso faz com que algumas crianças passem meses sem investigação adequada, prolongando o sofrimento da família e aumentando o risco de complicações nutricionais”, explica.
A especialista destaca que o diagnóstico precoce faz diferença significativa na qualidade de vida dos pacientes e no desenvolvimento infantil.
“Quando identificada corretamente, a APLV pode ser controlada com acompanhamento especializado e ajustes alimentares seguros. O problema é quando há autodiagnóstico ou exclusão alimentar sem orientação médica, o que pode trazer impactos importantes para o bebê”, afirma.
A confirmação da APLV exige avaliação médica criteriosa e pode envolver testes clínicos, exclusão alimentar supervisionada e exames laboratoriais específicos, que auxiliam na análise da resposta imunológica do organismo e ajudam a diferenciar a alergia de outras condições gastrointestinais.
Nesse cenário, o apoio laboratorial tem papel importante para ampliar a precisão diagnóstica e oferecer suporte mais seguro à condução clínica dos pacientes.
De acordo com Maria Gabriela, os exames laboratoriais funcionam como aliados importantes na investigação clínica.
“A análise laboratorial auxilia o médico na construção do diagnóstico, especialmente em casos em que os sintomas são inespecíficos ou se confundem com outras condições gastrointestinais. Quanto mais cedo essa investigação acontece, maiores são as chances de evitar complicações e melhorar a qualidade de vida da criança”, ressalta.
Especialistas também chamam atenção para o aumento do autodiagnóstico e da retirada inadequada do leite da alimentação sem orientação profissional. A exclusão alimentar sem acompanhamento pode provocar deficiências nutricionais importantes tanto nos bebês quanto nas mães que estão em fase de amamentação.
A recomendação é que pais e responsáveis procurem avaliação médica sempre que os sintomas forem persistentes, recorrentes ou associados a alterações intestinais, dificuldade de crescimento e irritabilidade intensa.
Fonte: médica patologista clínica do DB Diagnósticos, doutora Maria Gabriela de Lucca Oliveira – DB Diagnósticos é uma das maiores empresas de medicina diagnóstica do Brasil, com atuação nacional e foco em inovação, tecnologia e excelência laboratorial. A empresa oferece suporte diagnóstico para milhares de laboratórios, hospitais e clínicas em todo o país, contribuindo para diagnósticos mais precisos e seguros em diferentes especialidades médicas.

