Após revelar diagnóstico de coqueluche poucos dias após o nascimento da filha, a influenciadora Lyandra Costa trouxe à tona uma dúvida comum entre gestantes: como proteger o bebê de doenças respiratórias graves nos primeiros meses de vida? Especialistas explicam o papel fundamental da vacinação na gravidez
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O depoimento da médica e influenciadora Lyandra Costa, filha do cantor Leandro, ganhou repercussão nos últimos dias. Em suas redes sociais, ela contou que foi diagnosticada com coqueluche logo após o nascimento de sua filha, Isabela. O relato trouxe visibilidade a uma questão crucial e muitas vezes negligenciada: a importância da vacinação da gestante como forma de proteção ao recém-nascido.
De acordo com o pediatra Dr. Paulo Telles, membro da Sociedade Brasileira de Pediatria, a vacinação da gestante com a DTPa (tríplice bacteriana acelular do adulto) é indicada a partir da 20ª semana de gravidez. “Essa vacina permite que os anticorpos maternos sejam transferidos para o bebê pela placenta, protegendo-o nos primeiros meses de vida, justamente quando ele ainda não completou o próprio esquema vacinal e está mais vulnerável”, explica o médico. Ele ainda reforça que a vacina deve ser feita em todas as gestações, mesmo que tenham ocorrido há poucos anos.
Além da coqueluche, outras doenças respiratórias também preocupam. Dr. Paulo destaca a importância da vacina contra a influenza, da vacina da COVID-19 (ainda recomendada no Brasil pelo Ministério da Saúde) e da nova vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR), que pode ser administrada previamente ao parto, conforme orientação médica.
A pediatra Dra. Anna Bohn, também da SBP, reforça o risco da coqueluche em bebês. “A doença é causada pela bactéria Bordetella pertussis, e pode levar a quadros graves, principalmente em recém-nascidos, como crises de tosse intensas, falta de ar, pneumonia e até óbito”, alerta. “Os adultos, por já estarem vacinados, muitas vezes têm sintomas leves, o que favorece a transmissão silenciosa dentro de casa.”
O esquema vacinal infantil contra a coqueluche começa aos 2 meses, com doses aos 2, 4 e 6 meses (vacina pentavalente ou hexavalente), e reforços aos 15 meses e 4 anos. Por isso, o bebê só estará devidamente protegido meses após o nascimento. “É por isso que a vacinação da gestante e dos contactantes, como pais, avós e cuidadores, é tão importante. Essa estratégia é chamada de ‘cocooning’, ou casulo protetor”, explica Dra. Anna.
A coqueluche tem sintomas característicos: tosse intensa, cansaço, som agudo no final da crise de tosse (o chamado guincho), vômitos, e em casos mais graves, dificuldade respiratória. “Mesmo com o antibiótico, a tosse pode persistir por semanas ou meses, mas o tratamento é essencial para interromper a transmissão”, completa a médica. O diagnóstico pode ser feito por exame clínico, radiografia e hemograma, e o tratamento inclui antibióticos também para os contatos domiciliares.
A história de Lyandra Costa, serve como alerta e informação. A vacinação durante a gestação é um gesto de cuidado e proteção para os bebês desde antes do nascimento. “É uma atitude simples que pode salvar vidas”, finaliza Dr. Paulo.
Fonte Dr. Paulo Nardy Telles – CRM 109556 @paulotelles – Formado pela Faculdade de medicina do ABC – Residência médica em pediatra e neonatologia pela Faculdade de medicina da USP – Preceptoria em Neonatologia pelo hospital Universitário da USP – Título de Especialista em Pediatria pela SBP – Título de Especialista em Neonatologia pela SBP -Atuou como Pediatra e Neonatologista no hospital israelita Albert Einstein 2008-2012 – 18 anos atuando em sua clínica particular de pediatria, puericultura.

