Alterações hormonais, circulatórias e mecânicas podem intensificar sintomas do lipedema durante a gravidez; fisioterapeuta orienta como diferenciar de edemas comuns

O período gestacional provoca uma série de mudanças no corpo feminino, muitas delas capazes de agravar quadros de lipedema, doença crônica caracterizada pelo acúmulo desproporcional de gordura, dor e sensibilidade principalmente em pernas e braços.
Segundo a fisioterapeuta dermato funcional e sócia-diretora do Grupo Clay, Talita Bessa, entender como essas alterações se manifestam é fundamental para evitar desconfortos maiores e distinguir o lipedema de condições comuns da gravidez.
“Durante a gestação há uma intensa ação hormonal, com estrógeno e progesterona estimulando ainda mais a deposição de gordura em quadris, coxas e pernas, regiões já afetadas pelo lipedema”, explica Talita. Além disso, segundo Talita Bessa, o aumento do volume sanguíneo e da retenção de líquidos gera sobrecarga nos capilares, contribuindo para a sensação de peso e inchaço.
Outro fator relevante é a compressão mecânica do útero em crescimento sobre os vasos pélvicos, dificultando o retorno venoso e linfático dos membros inferiores. “Esse processo pode acentuar tanto o edema quanto a dor, sintomas característicos do lipedema, que ainda se somam a um estado inflamatório próprio da gravidez”, complementa a especialista do Grupo Clay.
Principais sinais
Diferenciar os sinais típicos do lipedema daqueles do inchaço fisiológico da gestação é essencial. Enquanto o edema gestacional tende a ser difuso, mais evidente em pés e tornozelos e pouco doloroso, o lipedema apresenta acúmulo simétrico em pernas e braços, preservando mãos e pés. “O tecido também é diferente, pois no lipedema é mais nodular e dolorido ao toque, podendo até apresentar hematomas espontâneos, enquanto o edema comum da gestação é mole e deixa a famosa ‘marca de dedo’”, detalha Talita Bessa.
Tratamento
Segundo a fisioterapeuta, com acompanhamento adequado, é possível controlar os sintomas e preservar a qualidade de vida da mulher durante a gravidez. Para ela, “recursos como drenagem linfática manual adaptada para gestantes, exercícios na água podem reduzir o impacto articular, aliviar a dor e diminuir o edema. Além disso, técnicas complementares como taping e exercícios respiratórios podem ajudar bastante no alívio. Vale lembrar que caminhadas, alongamentos, pilates para gestantes, sempre deve acontecer com liberação do obstetra”.
O que deve ser evitado?
Por outro lado, de acordo com Talita Bessa, é preciso cautela. Procedimentos invasivos ou com uso de energia, como radiofrequência, criolipólise, enzimas e lipoaspiração, não são indicados nesse período, assim como o uso de medicamentos para emagrecimento ou controle de edema sem prescrição médica.
“Durante o processo de cuidado, é essencial ter uma rede de acompanhamento multiprofissional, pois o objetivo é atravessar a gestação com qualidade de vida, prevenindo agravamentos que possam ser mais difíceis de manejar posteriormente, para que o tratamento seja realizado de modo personalizado, entendendo a realidade de cada mulher e de forma adequada”, conclui Talita Bessa.
Fonte: fisioterapeuta dermato funcional e sócia-diretora do Grupo Clay, Talita Bessa

